Quis compreender, quebrando estéreis normas, a vida fenomênica das formas, que, iguais a fogos passageiros luzem... E apenas encontrei na ideia gasta, o horror dessa mecânica nefasta, a que todas as coisas se reduzem!
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Sinto a angustia intermitente abrasar-me a consciência perturbada. Saraivadas de agonia me diluem em dores latentes. O incisivo desejo de sumir mergulha-me na solidão mordaz, e vozes crípticas, sardônicas, caem das estalactites obscuras dos infinitos da mente, sussurrando o augúrio em tons ludibriosos e irônicos e guiando-me ao vale absconso das ideias suicidas. Como um cancro na consciência o silêncio abre as portas que trancafiavam minhas mais profundas dores vividas, libertando as quimeras que custei para trancafiá-las. Sinto percorrer pelo corpo a sensação de ser outro, um ser desesperado, angustiado pelo sentimento de se perder em si mesmo. Hirto, vejo-me impossibilitado de lutar contra este pandemônio que me possui, e apenas assisto a efeméride da tristeza, que como vermes comem minhas partes carcomidas, sobrando apenas o chocalho dos ossos numa casca biológica vazia. Meu corpo tornou-se a morada da morte, transubstanciando meus pensamentos na essência profunda do pessimismo. Estes, que como pústulas na consciência, devoram a carne imaterial de minha alma. Destruindo a si mesmo, eu vivo uma batalha constante... A súmula de minha vida resume-se na dor, e as poucas coisas que um dia existiram de bom, parecem não passar de ilusões, e o passado em que abriga estas lembranças é somente um sonho lívido do desejo de ser feliz. De minha boca palavras saem como pústulas de asas que voam até os ouvidos alheios, contaminando o terreno fértil da felicidade que é cultivado no mundo interior dos outros seres. Já não sinto, nem mesmo sou, nem mesmo sei quem fui, a única coisa real é o sentimento de morte que carrego dentro de mim, como se estivesse eternamente de luto, lamuriando no funeral mais triste que há de existir, aquele do qual você assiste a si mesmo, ainda em vida, sendo enterrado pelos coveiros lúgubres. Percorrendo pelas minhas veias, sinto sangue transmutando as moléculas em zumbis famulentos, simbolizando-os em servos da podridão que hão de comer meu corpo malsão na profunda sepultura que cavei em meu ser interior. Não tenho mais medo da morte, pois carrego a morte em mim. Acorrentado em dores melancólicas, grito dos portões de meus infernos o prenúncio da desgraça que a de me devorar depois da morte, pois tamanha é a dor que não cabe neste corpo material. Carregarei comigo, como um irmão siamês, a companhia da infinita dor existencial. Quem sou, neste ergástulo da vida - pergunto-me. Sou a própria dor, desde a epigênese da vida..
“Desde então para cá fiquei sombrio
Um penetrante e corrosivo frio
Anestesiou-me a sensibilidade
E a grandes golpes arrancou raízes
Que prendiam meus dias infelizes
A um sonho antigo de felicidade!”
“Meu coração, como um cristal, se quebre,
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!”
“Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a alegria é uma doença
E a tristeza é minha única saúde.”
"Dizes que sou feliz. Não mentes.
Dizes Tudo que sentes. A infelicidade
Parece às vezes com a felicidade
E os infelizes mostram ser felizes!"
Augusto dos Anjos
Um penetrante e corrosivo frio
Anestesiou-me a sensibilidade
E a grandes golpes arrancou raízes
Que prendiam meus dias infelizes
A um sonho antigo de felicidade!”
“Meu coração, como um cristal, se quebre,
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!”
“Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a alegria é uma doença
E a tristeza é minha única saúde.”
"Dizes que sou feliz. Não mentes.
Dizes Tudo que sentes. A infelicidade
Parece às vezes com a felicidade
E os infelizes mostram ser felizes!"
Augusto dos Anjos
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Há momentos em que por mais forte que você tente ser, tanto mais esforço pra suportar cada dia, mais fraco você vai ficando. O desânimo lhe consome por completo. A cada tombo a vontade de fazer as coisas perde a metade do interesse, e quando se conquista alguma coisa logo somos impulsionados a desejar de novo, criando todo o mesmo processo de luta porque o que obtemos é somente uma satisfação passageira, pois a natureza humana é por essência desejosa das coisas que não se tem; e neste processo, algumas pessoas entendem como é vazia e sem sentido a vida. Uma ilusão. Tão terrível sobrevivência que só nos desanima, nos faz querer desistir e acelerar um processo do qual já estamos todos sujeitos. Não é a vida em si que me desanima, e sim essa rotina da qual estamos todos presos, a sobrevivência por ela. Sinto-me preso dentro da vida. Lutamos por uma sobrevivência sem sentido, derramando nosso sangue em lutas diárias que só nos desgastam. Mas para quê? Viver em prol de ínfimos momentos de felicidade que passam por nós como se nunca tivessem existido, pois tamanho é o esfalfar de nossas vidas que isto ofusca a alegria que temos. Somos todos masoquistas, machucando a nós mesmos em prol de prazeres que, se comparado com o sofrimento que o mundo nos causa, são como partículas daquilo que seria um universo inteiro de dor. Não sentimos a ausência da felicidade, somente a nostalgia que ela nos causa, e entendemos que a dor consiste essencialmente na alegria quando revivemos lembranças de um tempo distante. A dor parecer ser a única coisa positiva nesta vida, positiva no sentido de que quando ela passa, ainda continuamos a sentir as cicatrizes que ela nos deixa. Ela é positiva por ser a mais presente em nossas vidas. Fazemos planos para um futuro como desculpa para suportarmos um presente que, ironicamente, era o futuro de ontem. Não há futuro, somente um presente do qual sempre iremos querer fugir. Seguimos empurrando a sobrevivência na intenção de que aquele que suportar todos os males até o fim, a vida será generosa, por assim dizer, para com quem a suportá-la. Corremos, corremos, e a vida passa, mas continuamos a correr sem desânimo atrás da tão sonhada felicidade na convicção de que o mundo acabará por se mostrar generoso para quem correr sem desânimo, e quando por fim, descobrimos que o labirinto só aparentemente tende para o ponto que evitamos enxergar o tempo todo, a ilusão. Descobrimos que gastamos nossas forças a realizar um trabalho perfeitamente inútil, mas é muito tarde para recuarmos. Por isso não é de se espantar que os mais lúcidos saiam de cena mais cedo deste teatro que é a vida. Se dissermos que se trata de uma ação imoral e egoísta, não devemos esquecer que a imoralidade de um homem não poderá, nunca, competir com o maléfico da ordem da vida... "Viver é corre atrás do próprio rabo sem nunca poder alcançá-lo. Viver é não ter escolha.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
A tristeza por sobre seus ombros caiu como brasas que queimam a pele, deixando nódoas horríveis em sua obscura alma fria, que quanto mais vivia, mais vontade tinha de ser morto. Engolido pelas trevas deste mundo lúgubre, você carregou a dor infinda da tristeza profunda, sempre trazendo nos olhos o brilho fúnebre de um castigo não merecido de ter de suportar tão terrível infelicidade. Tu chegaste ao seu calvário em dores latentes, que diluíram a chama da vida que queimava em seu âmago, e entregastes sua cruz com manchas de sangue que simbolizaram a mais terrível das tristezas. Amigo de amizade profunda, descansa, dorme o sono sereno dos mortos, aguarda-me no berço dos que não-são, pois logo eis de me deitar ao seu lado, e juntos seremos vistos como um só, confundidos eternamente à morte... Vago errante pelas áscuas desta vida nefanda, levando no peito as vívidas lembranças de outrora, de quando no campinho jogávamos bola, ou de quando estávamos a caminhar pela mata de eucaliptos. Seguro as lágrimas ao escrever estas palavras, pois sei que elas não são dignas de cair pela sua ausência, pois lembro-me muito bem, quando me disse numa noite em que as estrelas pareciam brilhar desesperadas, você dizer que teu sonho era dormir na paz dos mortos. Em noites em que o céu límpido se apresenta, sem a interferência das nuvens turbulentas, observo as longínquas estrelas, e exteriorizo sua memória nestes imensos astros que talvez também já nem existam, e fico na ilusão do brilho que chega até meus olhos como se você estivesse a me observar de longe. Lembro-me de quando dialogávamos sobre os mistérios do universo, e você sempre tão esperto, criando sempre novas teorias malucas. E uma delas, a que juntos chegamos e hoje tenho como minha filosofia, aquela da qual se une toda a existência na universalidade do carbono, e panteísticamente na singularidade que funde toda a existência em apenas um ser pensante. Esta me faz mais próximo a ti, grande amigo, pois mesmo que sua carne putrefata agora sirva de alimento para os vermes, tu marcastes a existência com a tua existência, de onde todos os eventos que decorrem depois de sua morte me fazem ver — mesmo sem sua consciência — o simbolismo da essência de teu ser preenchendo os caminhos de minha existência; unindo a mim aos teus amigos, e os teus amigos a mim unindo, e criando novas histórias que se estenderão para toda a vida. A saudade bate forte no peito, a melancolia assopra sua triste canção em meus ouvidos, e sem ti ando mais perdido do que quando comentávamos do grande dia derradeiro em que nos veríamos vãos adormecidos nas profundas sepulturas. Sinto uma alegria melancólica ao lembrar que tua dor foi embora, e encolho-me em posição fetal, sendo devastado pela mesma dor que você carregou em vida, buscando uma saída que talvez seja diferente daquela que você escolheu... E sigo pela vida com o desejo de revê-lo, e talvez rirmos da própria desgraça como sempre fazíamos, mostrar-lhe esse humilde texto como representação de sua partida, para que talvez se orgulhe do presente que me deixou em vida, que é este dom de exteriorizar os sentimentos em palavras escritas, mas que, infelizmente, me custou sua companhia... Descanse em paz, irmão...
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Sinto-me estranho, perdido e desolado, caindo num abismo sem fundo, sentindo o odor pútrido dos defuntos, como se eu já estivesse morto antes mesmo de chegar ao meu calvário. Noite estranha esta, permeada por uma quietude que emana de todos os lados, e o mais estranho foi perceber minha mente inconsolável sendo tragada pela paz desconhecida que me apossara. A angustia insistia em lutar contra aquela sensação estranha que me dominava paulatinamente; foi quando vi, pela primeira vez minha consciência, exorcizando os demônios da melancolia, e mergulhando-me no sossego daquela escuridão perene. Logo já não havia dores, a tranquilidade reinou por todo meu ser; eu quis correr, gritar ao mundo que minha paz eu havia encontrado, mas senti pesar as pernas e um formigamento correr pelo corpo, dificultando minha respiração. Eu arfava lentamente, parecia sentir cada molécula de meu corpo recebendo os componentes químicos do ar. Um sentido de transcendência ocupava minha mente, era como conversar com o silêncio do universo, semelhante a sensação de quando compomos uma arte cosmológica em filosofias e versos, e que nos levam a devaneios sobre o cósmico segredo. Só havia escuridão, misturada a sensação estranha de paz que crescia a cada segundo, enquanto isso eu assistia minha percepção de mundo, acompanhada de reminiscências, sendo levadas por um fluxo vibracional que parecia vazar para fora de minha cabeça. Senti-me próximo aos conhecimentos daquilo que Buda sempre dizia, da paz transcendental do Nirvana, pois me sentia em meditação profunda, meus batimentos cardíacos iam diminuindo, e a cada leve respiração, eu sentia o coração bater em sincronia com o ritmo da vida. Uma auto-alienação apossou-se de meu cérebro, e não pude processar, através da dialética da razão, aquele acontecimento único que, sem pedir licença, invadia minha vida. Meu corpo paralisou-se, e como quem submerge das profundezas de um lago, sedente pelo ar, eu senti minha consciência submergindo de mim mesmo para respirar um ar que jamais sentiu na vida. Meus olhos foram se fechando lentamente, e na escuridão dos olhos fechados, eu vi lembranças e sonhos sendo reorganizados numa perfeita ordem que vinha desde meu nascimento. Revivi cada lembrança, sonhei novamente os sonhos de outrora, então fui possuído por um tremendo senso de sabedoria, que parecia a iminência de todo saber humano, como se eu tivesse total controle sobre o mundo e conhecimento sobre o universo. Percebi que os sons das batidas de meu coração foram ficando mais alto, até tornar-se universal, como se fosse o próprio universo estivesse sacudindo e dando os movimentos que a vida necessita. Meu ser pulsava perfeitamente junto a química da vida, e dançava a valsa cosmológica dos astros numa singularidade harmoniosa que entoava a mais delas das canções. De minha vida eu já não lembrava, nem mesmo conseguia entender o porquê daquela visão profunda e reveladora sobre os maiores mistérios da vida. Mergulhado no negrume desconhecido, envolto pela sensação de ser a própria vida em si, escutei lamúrias abafadas que pareciam vir de longe. Choros e clamores pareciam estar sendo direcionados a mim. Logo em seguida eu me sentia sendo diluído em meio ao nada, e se pudesse sorrir, teria ostento o mais belo dos sorrisos, pois tamanha foi minha alegria ao sentir como uma luz no fim do túnel, aquela que sempre esperei em vida... era a morte vindo me buscar.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Observando o crepúsculo que anuncia a
escuridão, escuto os corvos que grasnam em comunhão com a
desatinação, prenunciando o augúrio da desgraça cotidiana, de
mais uma noite afogado em agonias da mente. Os últimos raios de sol
são engolidos pela escuridão vivaz, e vejo-me sendo apagado pelo
negrume da noite silenciosa. O vento sopra gélido, lamuriando uma
canção fúnebre em meus ouvidos, eriçando as penugens do corpo e,
simbolicamente, soprando a vela da vida que ainda queima em meu
âmago. A luz se apaga e só o que vejo é trevas; sem corpo, sem
alma, apenas uma substância que pensa perturbadamente sobre as
lástimas da vida, envolto pela imaterialidade da escuridão.
O desejo de buscar a estrada menos
percorrida, impulsiona a sofreguidão pelo momento de minha partida,
misturando sentimentos de incerteza, junto à tristeza que consome a
mente por pensar naqueles que em mim tanto confiam. A morte brilha
sua luz desconhecida no horizonte, e a vejo como um anjo que um dia
há de me acalentar em seus braços no mundo da inexistência. Aqui
na escuridão eu me deito, e vejo passar a vida a que todos as
pessoas se deleitam, sorrindo ironicamente pela minha desgraça, pois
sou apenas um homem quebrado, cuja a alma busca apenas o descanso o
qual repousa silenciosamente todas as almas que já foram levadas
pela morte.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
As notas do piano entram pelo seus ouvidos trazendo consigo as chaves da tristeza profunda. Vagam pelos labirintos do encéfalo, abrindo as portas que trancafiam as crípticas lembranças de outrora que, depois de libertas, liquefaz a mente e libera os lúgubres efeitos da depressão que o transformam no mais infeliz dos seres viventes. A melodia lhe devora sutilmente, envenenando seu coração com a mais bela melancolia. Você se vê preso ao vício de sofrer, mas não possui forças para se libertar, pois profunda tristeza lhe dá um sentido que o faz se sentir seguro dentro da escuridão. Aquilo que lhe arrasta para o buraco é exatamente aquilo que faz teu ser profundo.
Seu crânio se esvazia perante o poder da melodia envolvente, fundindo a si mesmo na bela canção dos homens tristes, revolvendo dentro de cada pensamento os vestígios do que antes era pertencido ao cosmo da felicidade, e transmutando a luz em escuridão na potencialidade de tudo quanto é morto. Agora você se tornou a pura essência da tristeza, tornou-se um com as notas do piano, e juntos somam a mais lutuosa e bela das cancões do mundo. Você perde os limites de seu corpo que se estende junto às notas que ressoam pelo quarto e fogem pela janela, tocando nos corações pequeninos dos pássaros que cantam alegremente, e em união com a tristeza, todo cessam o cantar e envolvem-se na melodia contagiante. A esfera melancólica se alastra pelo mundo a fora, enquanto você vaga pelas ondas do sons que manipulam os corações dos seres da terra. Antes que as últimas notas sejam tocadas, você escuta o universo sepulcral de todas as espécies sofredoras, que clamam como um único ser melancólico a tristeza universal que une em escala cósmica toda a existência nas notas daquela melodia cortante...http://www.youtube.com/watch?v=TVaPlpPDfYs
Seu crânio se esvazia perante o poder da melodia envolvente, fundindo a si mesmo na bela canção dos homens tristes, revolvendo dentro de cada pensamento os vestígios do que antes era pertencido ao cosmo da felicidade, e transmutando a luz em escuridão na potencialidade de tudo quanto é morto. Agora você se tornou a pura essência da tristeza, tornou-se um com as notas do piano, e juntos somam a mais lutuosa e bela das cancões do mundo. Você perde os limites de seu corpo que se estende junto às notas que ressoam pelo quarto e fogem pela janela, tocando nos corações pequeninos dos pássaros que cantam alegremente, e em união com a tristeza, todo cessam o cantar e envolvem-se na melodia contagiante. A esfera melancólica se alastra pelo mundo a fora, enquanto você vaga pelas ondas do sons que manipulam os corações dos seres da terra. Antes que as últimas notas sejam tocadas, você escuta o universo sepulcral de todas as espécies sofredoras, que clamam como um único ser melancólico a tristeza universal que une em escala cósmica toda a existência nas notas daquela melodia cortante...http://www.youtube.com/watch?v=TVaPlpPDfYs
domingo, 1 de setembro de 2013
Abro meus olhos na
treva dos sonhos funéreos, e escuto o grasnar dos corvos moribundos, anunciando
o augúrio da desgraça profunda num lamurio angustiante que estremece até as
bases do universo. Vai-me crescendo a aberração dos sonhos, mergulhando minha
existência num mar medonho, e me vejo à companhia de fetos rudimentares ainda
na placenta, estendendo-me às mãos em choros de tormenta que melodiam a mais
terrível das canções nefandas. Grito em agonia e prantos para que o tormento me
liberte, e apague minha existência malograda na imaterialidade da inexistência
dos que não nasceram. Mas a noite vai crescendo apavorante, e as trevas engolem
todo o universo com violência. Dentro de meu peito a angustia devora cada
ínfimo pedaço de meu ser, e eu luto contra essa universal tristeza, e muitas
vezes a agonia é tanta, que sangue em coágulos escorre pela boca feito uma
cachoeira escarlate. Antolho vejo-me a lutar contra a natureza da angustia
latente, como se fosse um espírito vendo o próprio corpo material sendo possuído
pela legião dos demônios. A tristeza do mundo por sobre mim caiu como uma
praga, e me vi desistindo de lutar, pois criatura jamais derrotará a natureza,
revelando meu presságio infindo, que o homem que é triste, para todos os
séculos existe como uma praga que jamais cessará seu pesar...
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