sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Não sei se posso chamar isto de felicidade, pois felicidade eu desconheço, mas sinto algo diferente por conseguir exteriorizar meu sofrimento nas páginas cinzas deste blog. Acho que a tristeza está mais intensa hoje, talvez como uma maldição eu consiga somente escrever quando a dor estiver profunda. Em dias assim eu me aprofundo em ansiedades e paranoias que me perturbam, provo de minha angustia o sangue amargo do cálice rubro da dor latente, e trago das profundezas de meu sofrimento, estas palavras simbolizando a desgraça de minha existência.
Sinto-me como um drogado, viciado profundamente na melancolia das músicas tristes. Mas destas não consigo me dispersar, pois, por mais triste que elas sejam, por mais melancólico que eu fique quando eu as ouço, elas entendem minha dor, conversam comigo como uma mãe que acalenta em seus braços o filho temeroso depois de um pesadelo. Dialogamos por horas o sofrimento que compartilhamos, e como uma espécie de intuição transcendental, sinto como se os nobre compositores que descansam nas profundas sepulturas, saíssem de suas tumbas fúnebres para fundir-ser à melancolia de suas músicas. Então sinto pesar em meus ombros, quase não suportando, a tristeza de todos os compositores sofredores...
Desperto em sonhos as umbrais lembranças de outrora, que laçam arames farpados sobre minha pobre existência malograda, lamuriando a melancolia fúnebre no velório de minhas lembranças. Sob aurorais memórias vividas, fito o céu forrado de imagens lívidas de tempos que se perderam no passado e hoje não passam de imagens turvas de quadros mal pintados. Infortúnio desgraçado que me consome dia após dia, deixando-me saudosa nostalgia, e como pústulas na consciência, os espólios da melancolia consomem a vontade de vida restando apenas este vazio profundo. Anátema funérea que se reflete nos sonhos, deixando-me doente; quero morrer para este presente, esquecer este pesadelo o qual se torna cada vez mais medonho. Tão terrível tristeza dilacerante, perturbando o ser pensante como quem perde a mãe querida e chora em desalento desespero, vivendo até os dias finais da vida com a sensação de luto eterno. Pois assim são meus dias, sigo vivendo uma morte eterna, sufocado pela nostalgia que, como um demônio que tortura, arranca-me lágrimas puras da mais profunda das tristezas. Sinto-me morto por dentro, vagando errante por este mundo estranho, guiado pelos ventos que sussurram melancolicamente o cântico fúnebre de meu funeral, pois aqui não bate um coração vívido, e sim o desejo de descansar lívido na paz que repousa os mortos. Vazio profundo que dilui em ânsias a consciência, afundando-me no pélago das pústulas que infectam a essência do que ainda resta para se olhar a vida com bons olhos. Triste caminho este pelo qual sigo, lamentando e revivendo memórias de como cheguei a este lastimável estado terrível. Enquanto o presente passa despercebido, quero morrer no meu futuro, quero abraçar o meu passado como uma mãe que abraça um filho... Os anos se avançam e o sofrimento me consome como vermes que comem a carne putrefata. E quando olho para trás, cego pela escuridão vivaz, fito tempos bons que no tempo sumira. A crônica doença do sofrer sorri ludibriosamente, e sinto como se minha essência fosse a tristeza eterna, fadado a sofrer sem precedência e morto por dentro eternamente. Já não sei mais quem sou, muito menos quem eu era, sinto apenas a vontade amarga como fel de deixar esta vida como quem deixa o tédio.