Quis compreender, quebrando estéreis normas, a vida fenomênica das formas, que, iguais a fogos passageiros luzem... E apenas encontrei na ideia gasta, o horror dessa mecânica nefasta, a que todas as coisas se reduzem!
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Desperto em sonhos as umbrais lembranças de outrora, que laçam arames farpados sobre minha pobre existência malograda, lamuriando a melancolia fúnebre no velório de minhas lembranças. Sob aurorais memórias vividas, fito o céu forrado de imagens lívidas de tempos que se perderam no passado e hoje não passam de imagens turvas de quadros mal pintados. Infortúnio desgraçado que me consome dia após dia, deixando-me saudosa nostalgia, e como pústulas na consciência, os espólios da melancolia consomem a vontade de vida restando apenas este vazio profundo. Anátema funérea que se reflete nos sonhos, deixando-me doente; quero morrer para este presente, esquecer este pesadelo o qual se torna cada vez mais medonho. Tão terrível tristeza dilacerante, perturbando o ser pensante como quem perde a mãe querida e chora em desalento desespero, vivendo até os dias finais da vida com a sensação de luto eterno. Pois assim são meus dias, sigo vivendo uma morte eterna, sufocado pela nostalgia que, como um demônio que tortura, arranca-me lágrimas puras da mais profunda das tristezas. Sinto-me morto por dentro, vagando errante por este mundo estranho, guiado pelos ventos que sussurram melancolicamente o cântico fúnebre de meu funeral, pois aqui não bate um coração vívido, e sim o desejo de descansar lívido na paz que repousa os mortos. Vazio profundo que dilui em ânsias a consciência, afundando-me no pélago das pústulas que infectam a essência do que ainda resta para se olhar a vida com bons olhos. Triste caminho este pelo qual sigo, lamentando e revivendo memórias de como cheguei a este lastimável estado terrível. Enquanto o presente passa despercebido, quero morrer no meu futuro, quero abraçar o meu passado como uma mãe que abraça um filho... Os anos se avançam e o sofrimento me consome como vermes que comem a carne putrefata. E quando olho para trás, cego pela escuridão vivaz, fito tempos bons que no tempo sumira. A crônica doença do sofrer sorri ludibriosamente, e sinto como se minha essência fosse a tristeza eterna, fadado a sofrer sem precedência e morto por dentro eternamente. Já não sei mais quem sou, muito menos quem eu era, sinto apenas a vontade amarga como fel de deixar esta vida como quem deixa o tédio.
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