Quis compreender, quebrando estéreis normas, a vida fenomênica das formas, que, iguais a fogos passageiros luzem... E apenas encontrei na ideia gasta, o horror dessa mecânica nefasta, a que todas as coisas se reduzem!
domingo, 24 de novembro de 2013
Com as mãos trêmulas, angustiado por sensações de não sei o quê, tento descrever a mágoa infinda que se faz no núcleo de meu ser. Encarcerado pela cela do silêncio sepulcral, envolvo-me ao meu intimo vazio existencial e caio sem nunca cessar no abismo infinito de mim mesmo. O peito amarra-se em laços de dores latentes, o cansaço mórbido injeta a peçonha do desânimo nas forças que tenho usado para seguir; e lânguido, vazio como o imenso universo, cavo minha própria sepultura num suicídio a cada dia. Morre-me em mim as vontades de viver; morre-me em mim os desejos de continuar a ser. A nevrose fúnebre de minha mente cobre a refulgência da essência da vida que aqui se faz, apagando a pequena chama que brilha cansadamente em meio ao negrume de meu ser. Sou a escuridão que meus olhos enxergam, sou o reflexo de uma morte precoce que mata paulatinamente a si mesma. Ouço os pingos finais da chuva que lá fora cai melancolicamente; melancolicamente pois tudo tenho como melancólico, até o mais belo dos sorrisos, até o mais felizes dos instantes esconde-se uma tristeza que parece nunca deixai-me viver o ser feliz. Viver. Talvez eu seja isto, o meu viver seja ser triste, ser o oposto de quem é feliz, o contraste com a beleza da alegria, o exemplo vivo que não deve ser seguido. Como cheguei a tal estado eu não sei, sei apenas que penso não saber, talvez para não ter a responsabilidade de minhas escolhas de que fui eu o próprio coveiro que se sepultou. Sou triste por ser apenas eu, encontrei-me na solidão, mas me perdi na escuridão. Sou a angustia de viver, sou o mal que há de ser em si mesmo a personificação do entristecer. Vozes estranhamente desconhecidas sussurram em meus ouvidos. Os milhares de eu's que aqui carrego sinfonizando a orquestra arrepiadora do sarcasmo em mais uma noite de insonia. Penso desejar morrer, mas não sei o que significa morrer, então nem mesmo sei o que penso eu saber. Vejo a morte como um sono, mas a essência do sono está em despertar, e morrer é não despertar, então não se pode comparar a morte ao adormecer. Não se pode comparar a morte dentro de nenhuma experiência. Outro desejo me cobre o ser, o de não-ser assim como os não-nascidos. Mas o que sei eu do desconhecido se nem mesmo me conheço, como posso desejar o que desconheço? Vejo-me como um pobre fujão que tenta encontrar saídas desta vida malsão, criando teorias das quais não acredito, pois sei que no fundo não sou eu mesmo, nem mesmo sei o que aqui escrevo. Então meu único e verdadeiro desejo é que um dia acabe este terrível pesadelo.
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