quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Noite silenciosa, melancólica como uma triste poesia, vêm acendendo as estrelas que só através de ti consigo vê-las com felícia melancolia. Traz consigo a brisa mística do vento que sopra meu corpo misteriosamente, fazendo de minha mente um oceano de tristeza. Sou louco por ver mistério em tudo; sou triste por não saber ser mistério de mim mesmo. As estrelas me observam das infinitas alturas, devolvo-lhes meu olhar súplico, símbolo de angustia profunda por não saber da verdade que por trás de mim se oculta. Ah, e este silêncio lúgubre que me envolve na loucura de pensar, que quanto mais silencioso, mais barulhos parece fazer. Não compreendo a linguagem silenciosa do universo, então componho versos sobre o pesar que aqui se faz. Afasta-te de mim demônio da razão; deixe-me ser como as plantas que para si mesmas são completas por nada disso saber. De onde vem tanta tristeza, que com pesar se faz beleza, e vicia-me na destrutividade que causo em meu próprio ser? 

domingo, 24 de novembro de 2013

Com as mãos trêmulas, angustiado por sensações de não sei o quê, tento descrever a mágoa infinda que se faz no núcleo de meu ser. Encarcerado pela cela do silêncio sepulcral, envolvo-me ao meu intimo vazio existencial e caio sem nunca cessar no abismo infinito de mim mesmo. O peito amarra-se em laços de dores latentes, o cansaço mórbido injeta a peçonha do desânimo nas forças que tenho usado para seguir; e lânguido, vazio como o imenso universo, cavo minha própria sepultura num suicídio a cada dia. Morre-me em mim as vontades de viver; morre-me em mim os desejos de continuar a ser. A nevrose fúnebre de minha mente cobre a refulgência da essência da vida que aqui se faz, apagando a pequena chama que brilha cansadamente em meio ao negrume de meu ser. Sou a escuridão que meus olhos enxergam, sou o reflexo de uma morte precoce que mata paulatinamente a si mesma. Ouço os pingos finais da chuva que lá fora cai melancolicamente; melancolicamente pois tudo tenho como melancólico, até o mais belo dos sorrisos, até o mais felizes dos instantes esconde-se uma tristeza que parece nunca deixai-me viver o ser feliz. Viver. Talvez eu seja isto, o meu viver seja ser triste, ser o oposto de quem é feliz, o contraste com a beleza da alegria, o exemplo vivo que não deve ser seguido. Como cheguei a tal estado eu não sei, sei apenas que penso não saber, talvez para não ter a responsabilidade de minhas escolhas de que fui eu o próprio coveiro que se sepultou. Sou triste por ser apenas eu, encontrei-me na solidão, mas me perdi na escuridão. Sou a angustia de viver, sou o mal que há de ser em si mesmo a personificação do entristecer. Vozes estranhamente desconhecidas sussurram em meus ouvidos. Os milhares de eu's que aqui carrego sinfonizando a orquestra arrepiadora do sarcasmo em mais uma noite de insonia. Penso desejar morrer, mas não sei o que significa morrer, então nem mesmo sei o que penso eu saber. Vejo a morte como um sono, mas a essência do sono está em despertar, e morrer é não despertar, então não se pode comparar a morte ao adormecer. Não se pode comparar a morte dentro de nenhuma experiência. Outro desejo me cobre o ser, o de não-ser assim como os não-nascidos. Mas o que sei eu do desconhecido se nem mesmo me conheço, como posso desejar o que desconheço? Vejo-me como um pobre fujão que tenta encontrar saídas desta vida malsão, criando teorias das quais não acredito, pois sei que no fundo não sou eu mesmo, nem mesmo sei o que aqui escrevo. Então meu único e verdadeiro desejo é que um dia acabe este terrível pesadelo.

sábado, 23 de novembro de 2013

O augúrio de meus pensamentos prenuncia o mistério que se move pela mente, carregam consigo o mistério pensante de todas as coisas viventes. Eu, lúgubre, sozinho como sempre fui, sozinho como sempre serei, envolvo-me nos eflúvios poéticos de minha frases que surgem do nada absconso do mundo das ideias de meu ser. Sinto a intensidade de meus pensamentos como uma tempestade furiosa, mas cai-se os pensamentos na língua mulambenta, e tropega falha em expressar suas absolutas sensações. Sinto ao pensar, mas não sinto ao falar. Dói me a consciência como se pústulas a infectassem com a maldição da razão de pensar e questionar. Quero gritar ao mundo minhas verdades que comigo trago, mas ao escorrer os pensamentos pelos cominhos que os fazem palavras, perdem sua potencialidade, deixando-me na cruel e insistente vontade de ser entendio, assim como o mudo quando abre a boca querendo falar, mas se frustra intensamente ao perceber que ninguém entende uma única palavra que sai de sua boca. *** Escrever, tal arte esta que me encanta, nos faz reler os que já estão mortos como se conversássemos com vossas almas. Das estalactites obscuras do inconsciente tiramos mundos e ideias que expressamos em meias palavras lânguidas para que leiam o íntimo mais verdadeiro de nosso ser. É um ritual que, quando lemos alguém, comemos sua carne imaterial e nos tornamos uno com seu ser mais intimo que há de existir. Mas incomoda-me escrever somente o que já existe. Se falo de árvore de ouro, uso o ouro para juntar a árvore e formar algo que de fato não existe, mas o outro existe, e a árvore também. Instiga-me, perturba-me profundamente a vontade de querer ser mais, de pensar além do mais do mesmo, ir além da experiência e trazer ao mundo ideias que ninguém jamais pensou. *** Penso, ando sempre pensando, mas não é pensar em coisas cotidianas, e sim, penso na consciência do pensar e na natureza que o faz nascer. *** Dói em mim muito mais a consciência de sentir e pensar que as próprias das sensações em si... *** O que é ser? Pergunto-me, mas nunca acho resposta. Observo uma flor e dela seus brotos nascem espontaneamente. Olho para mim mesmo e vejo que ser eu é o mesmo que ser rosa; meus pensamentos brotam naturalmente como os brotos da rosa. A inconsciência da rosa provém de sua natureza de ser inconsciente, e talvez minha consciência tenha como trabalho apreciar a inexistência da rosa, pois ela não sabe que existe, e só existe porque eu a percebo como existente.
"Eu vejo-me e estou sem mim, conheço-me e não sei quem sou"

Fernando Pessoa

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A magistral canção da dor funérea sinfoniza neste peito vazio e sem vida as notas da triste despedida, e que em minhas lágrimas se despida a infinda dor da vida que trago enclausurada em todas as moléculas do meu corpo. Sorrio. Sorrio pois eis que trago fim a esta chaga medonha que tanto manchou minha vida com peçonhas mais peçonhentas que todos os venenos de todas as serpentes. Renego-te dor infinda, renego-te vida medonha, pois eis que me sepulto nesta tarde de outubro, entre as árvores e ao som vento, retornarei ao fecundo ventre da inexistência e serei confundido à morte na potencialidade de seu mistério.
Ruge a lâmina fria no pescoço, brilhando ao sol poente como a luz da esperança, misturada ao sangue quente como simbolismo da vingança à dor que tanto me devorou em vida. O líquido rubro se mistura a terra, as vestes se encharcam suavemente, aquilo que chamam de sangue para mim é o simbolismo do sofrimento me deixando, enquanto a liberdade vem estampando aos poucos a paz que dorme os mortos.
E no último suspiro, imerso na imaterialidade da escuridão, ouço o cantar dos pássaros, sinto ainda a brisa suave do vento, a terra úmida pelo sangue se faz una comigo ao fim de minha existência, e se vai o último suspiro num grito de alegria junto aos sons da natureza. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Olhos lúgubres que carregam dores profundas. Um andar sombrio que simboliza a canseira moribunda, este sou eu rumando ao pôr-do-sol dos que já estão mortos. Caminho triste, desolado, por tempos que parecem a eternidade. Nódoas terríveis se fizeram em minha alma desolada, pústulas cresceram em meu jardim, e as flores morreram com o fim da alvorada. A aurora morta foge, e em si levou a luz consoladora, deixou-me na frialdade dos horrores e a noite vêm silenciosa, ludibriosa, dar vida aos meus temores. Revestido pelo manto negro, o sórdido silêncio fatal, ferindo meus ouvidos num ritmo entristecido, mergulha-me na paz funérea da noite sepulcral. Anjos ainda permeiam os caminhos de minha vida, são pequenos pirilampos que brilham na profunda escuridão; alguns já se apagaram, outros ainda vivem, outros ainda virão, e todos sempre tentando tirar um sorriso de minha triste face malsão. Agradeço-os pelas suas doces existências, seres de luz que lutam para que eu não perca a essência do pouco de vida que ainda resta em mim. Mas como tudo nesta vida passa, eu, poeta sombrio, ei de seguir sozinho na solidão que é meu destino. Sigo de coração confiante, cravado em meu peito vossas doces lembranças que tivemos neste mundo horrível. Sinto que cheguei à minha estrada final. O calvário já aponta no horizonte, e poderei retornar para a essência de minha fonte primordial. Só quero descansar para todo o sempre. O sangue cravou em meus caminhos, pegadas tristes que ficaram, e todos vão lembrar pelas nódoas rubras que deixei, que neste mundo passou o ser mais triste que já imaginaram. Morre-me a voz amigos. Morre. Morre-me os sentidos paulatinamente. Morre. A navalha chia tristemente na pele. O escarlate intenso do sangue se faz concretizar o destino que me foi confiado: o de suicidar-se. De dor, por entre a dolorosa ferida, eu balbucio, trêmulo, rangendo os dentes num profundo e doloso tormento. Depois, como um beijo que me consola, uma voz soluça na memória, suave como a sinfonia dos pássaros quando cai a aurora, e dos lábios misteriosos da morte cai um beijo. Bendita seja a morte! A minha vida se faz intensamente nos últimos instantes em que eu expirava. O pescoço rubro, aberto feito uma boca disforme, grita seu pesar para o mundo que dorme, acordando-o para mais um triste funeral. Os pássaros cantam em despedida. O vendo lamuria a cântico sepulcral. Lá se vai mais uma alma atormentada repousar no manto misterioso em que se oculta à morte...
Estranho viver num mundo onde aquilo que sustenta toda a vida, aquilo que é o néctar de toda a existência é a cicuta que sou é obrigado a tomar todos os dias. A repulsa pela respiração se torna tão grande que o próprio ato de expirar o ar de meus pulmões, a expiração que simboliza à morte, o fim, é aquilo que me tira um sorriso sincero. Minha vida passa a ser a morte, e a vida em que passo encarcerado pelas grades do cotidiano se torna a pior morte que há de existir. Viver é hoje é não viver. Um sentimento profundo de deixar esta vida é o que carrego dentro de mim. Já não sei como achar a saída deste labirinto em que entrei, e começo a me convencer que sou é a própria tristeza que veio para este mundo a fim de complementar e objetivar a alegria dos outros. A alegria é minha doença, e a tristeza minha única saúde. Viver é uma tortura que me atormenta todos os dias. A relatividade da vida me deixa maluco. Sorrio ironicamente quando vejo pessoas em situações piores que a minha e ainda sorrindo e prezando por mais um dia de vida, enquanto tudo que tenho feito nesses últimos anos é pensar em deixar de viver. Tenho um profundo desejo pela morte, não somente pelo desejo de pôr fim a dor que me assola, mas um desejo poético e filosófico. O ponto final, a despedida é onde a vida se fecha e se completa e todos os seus caminhos tomam um sentido. Vivo somente pela imaginação de senti-la tomando minha miserável vida aos poucos. O derradeiro momento de se entregar ao desconhecido, mergulhar na imaterialidade da inexistência, e talvez sentir a vida nos últimos suspiros como se valesse a pena viver... Meu grande pesar vem da obrigação de ter que viver. De ter que prosseguir mesmo querendo partir. Se minha partida não afetasse as pessoas que me cercam, então a vida seria uma coisa linda para mim, pois deixaria de vivê-la quando bem entendesse... Viver hoje é viver por obrigação...