terça-feira, 8 de outubro de 2013

Estranho viver num mundo onde aquilo que sustenta toda a vida, aquilo que é o néctar de toda a existência é a cicuta que sou é obrigado a tomar todos os dias. A repulsa pela respiração se torna tão grande que o próprio ato de expirar o ar de meus pulmões, a expiração que simboliza à morte, o fim, é aquilo que me tira um sorriso sincero. Minha vida passa a ser a morte, e a vida em que passo encarcerado pelas grades do cotidiano se torna a pior morte que há de existir. Viver é hoje é não viver. Um sentimento profundo de deixar esta vida é o que carrego dentro de mim. Já não sei como achar a saída deste labirinto em que entrei, e começo a me convencer que sou é a própria tristeza que veio para este mundo a fim de complementar e objetivar a alegria dos outros. A alegria é minha doença, e a tristeza minha única saúde. Viver é uma tortura que me atormenta todos os dias. A relatividade da vida me deixa maluco. Sorrio ironicamente quando vejo pessoas em situações piores que a minha e ainda sorrindo e prezando por mais um dia de vida, enquanto tudo que tenho feito nesses últimos anos é pensar em deixar de viver. Tenho um profundo desejo pela morte, não somente pelo desejo de pôr fim a dor que me assola, mas um desejo poético e filosófico. O ponto final, a despedida é onde a vida se fecha e se completa e todos os seus caminhos tomam um sentido. Vivo somente pela imaginação de senti-la tomando minha miserável vida aos poucos. O derradeiro momento de se entregar ao desconhecido, mergulhar na imaterialidade da inexistência, e talvez sentir a vida nos últimos suspiros como se valesse a pena viver... Meu grande pesar vem da obrigação de ter que viver. De ter que prosseguir mesmo querendo partir. Se minha partida não afetasse as pessoas que me cercam, então a vida seria uma coisa linda para mim, pois deixaria de vivê-la quando bem entendesse... Viver hoje é viver por obrigação...

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