quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Entre as vozes que lamuriam canções tenebrosas em minha mente, perco-me nos recônditos caminhos de mim mesmo, e crio mundos utópicos de histórias melancólicas que são exteriorizadas entre as linhas fúnebres de meus textos. Hoje, mergulhado no pélago incognoscível da consciência, forço a imaginação e encontro-me diante a mim mesmo na solidão vivaz da fria escuridão do não-ser, soterrado na telúrica negridão das profundas sepulturas. A imaginação abre portas para o teatro nefando, e vejo-me sob a luz do plenilúnio, rodeados de lápides as quais, pela luz da lua, luzem suavemente as almas que ali descansam em paz. Olho-me deitado entre as flores mortas, de face serena voltada para refulgência das estrelas. O vento sopra o augúrio num lamurio profundamente perturbador, como se as almas que descasavam em paz despertassem de seu sono profundo e reivindicassem o direito à morte, negando assim, a vida que lhes tira o cobertor, perturbando-os com a brisa gélida da madrugada. 
A lua me observa sorrateiramente das alturas. Ao longe ouço os corvos, carniceiros da morte, cantarem em louvor à morte. O vento cessa seu lamurio e a quietude da noite engole todo o cemitério, envolvendo-me no silêncio que fere os ouvidos, como se gritasse mais do que mil bocas.
De tumba aberta, vejo-me à companhia dos vermes sorrateiros, que dançam em minha matéria fétida, a canção da podridão de tudo quanto é morto. Sinto fisgar no peito uma angustia que diluem em ânsias os pensamentos, que vomitam simbolicamente, a bílis amarga dentro de minha própria boca. É a tortura lastima de ver a si próprio reduzido à putrescência em que todas as coisas se reduzem. 
À noite torna-se rubro, e vejo escorrer da lua o sangue fervente de todas as espécies sofredoras. É a natureza chorando em lágrimas escarlates sobre minha sepultura, torturando, mesmo depois morto, minha carcaça com o sofrimento infindo que carreguei em vida. Tamanha dor que carregastes no peito, como Jesus carregou sua cruz até o calvário, eu carrego a tristeza universal que transcende o corpo físico, que continua a entristecer-me até mesmo depois da morte... O sangue escorre pelo cemitério caindo em minha tumba, mergulhando meu corpo vão adormecido no líquido que simboliza a tristeza que não coubestes em meu corpo vivo. Aquilo tortura-me profundamente, então viro as costas e rumo de volta ao mundo real, e quando estou prestes a abrir o olhos, escuto, quase inaudível, minha alma lamuriando em prantos por ter sido acordada de seu sono profundo...
Abro olhos e fito aquilo que parece ser o teto, mas minha visão está voltada para os vestígios de imaginação do velório de mim mesmo. A voz de minha alma despertada pela dor ainda sussurra dentro da cabeça. Sinto o medo percorrer pelas veias, pois, por alguns segundos, tive a sensação de que esta vida é somente o despertar de uma alma sórdida que ainda não chegou até o calvário da paz. 
Melhor começar imaginar outras coisas...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Você deita na cama procurando pelo sono que foge de ti. O corpo dói. É madrugada, você quer descansar, esquecer um pouco de si mesmo, mas a insônia insiste em não deixá-lo. Então você se levanta e acende um cigarro. Não, você não fuma, mas esta é a fuga mais viável para se livrar da angustia que lhe corrói. As primeiras tragadas e a mente se extasia, levando-o a uma ansiedade louca. Você olha para o seu gato que está deitado na cama, ele lhe devolve um olhar sarcástico, irônico, fechando os olhos logo em seguida como quem quisesse sorrir ludibriosamente. Pena... é isto que você vê naqueles olhos. Outra tragada. As cinzas que caem do cigarro parecem simbolizar sua vida que se esfarela com o sopro do tempo. Você observa o silêncio à sua volta, somente os ruídos do computador e o ronronar de seu gato quebram a quietude da noite. O cigarro chega ao fim, e apenas uma pequena brasa ainda continua a queimar. Aquela brasa é sua vida, queimando sem forças, arrastando-se para os minutos finais de sua existência. O torrão de cinza cai, desvanecendo-se no ar, chegando ao chão somente as partículas do que um dia existiu. A porra das lágrimas lutam para saírem, fazendo as glândulas lacrimais tremerem, mas você prometeu que nunca mais iria chorar, então sufoca toda aquela dor infinda, olha para as partículas de cinza no chão com a ciência e realismo de que vê o reflexo de si mesmo, e sorri ironicamente pelo seu estado lamentável. Você acende outro cigarro. O estalido do isqueiro faz seu gato novamente lhe encarar os olhos, mas desta vez, desdenhoso, como quem quisesse demonstrar raiva pela sua besteira de se afundar na ilusão da nicotina. Agora, com a primeira tragada, você sente a fumaça queimando-lhe o peito, preenchendo o buraco que há em ti, aumentando mais ainda a ansiedade que amarra a corda em seu pescoço. Soprando a fumaça fluídica no ar, desordenada, esta parece simbolizar o fluxo interno de seus pensamentos desconexos, profundamente perturbados como esquizofrênicos num manicômio. Pensamentos sobre a existência lhe assombram, pensar sobre a vida apenas lhe mostra sua condição miserável como ser. Então você afasta esses pensamentos e se concentra na dor incognoscível que lhe devora por dentro, encarando-a na escuridão de seus olhos fechados. Silêncio. Vazio. Na escuridão infinda de seu interior, você mergulha no vazio abissal que lhe consome, caindo pelo que lhe pareceu horas, e talvez, se não tivesse que sair de sua paz funérea, cairia para todo o sempre... O cigarro chega ao fim, despertando-o de sua queda eterna com uma fisgada quente nos dedos. Grande parte das cinzas ainda presas ao cigarro lutam para não caírem, e sua mania de ver significados em tudo lhe diz que é a vida lhe mostrando a torre de sofrimento que carrega dentro de si; oscilando de um lado para o outro, ansiosa para despencar. Você dá um toque leve no filtro do cigarro e as cinzas desabam junto à torre que você sustenta há tanto tempo em seu interior. Dor. Sob os escombros do que resta de si mesmo, você se imagina vagando por entre as reminiscências do que um dia foi motivo para sorrir. A ânsia e angustia fincando agulhas no peito fazem com que você quebre a promessa, e as lágrimas despencam suavemente uma após a outra, lavando sua face em cristalinas gotas melancólicas, molhando as lembranças despedaçadas. Remontando os destroços de si mesmo, como um catador de lixo perambulando pelas madrugas frias, você se despede de si mesmo, pois sabe que quando algo se quebra, jamais voltará a ser como antes. São suas cicatrizes internas que lhe dizem isso. Você deita na cama fitando o que parecer ser o teto, mas sua visão está longe, voltada para dentro de si, onde acontece o funeral de si mesmo. Você perdeu a si próprio, e não há luto pior que aquele que simboliza sua própria morte interior... Hora de dormir, ou pelo menos tentar...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Não sei se posso chamar isto de felicidade, pois felicidade eu desconheço, mas sinto algo diferente por conseguir exteriorizar meu sofrimento nas páginas cinzas deste blog. Acho que a tristeza está mais intensa hoje, talvez como uma maldição eu consiga somente escrever quando a dor estiver profunda. Em dias assim eu me aprofundo em ansiedades e paranoias que me perturbam, provo de minha angustia o sangue amargo do cálice rubro da dor latente, e trago das profundezas de meu sofrimento, estas palavras simbolizando a desgraça de minha existência.
Sinto-me como um drogado, viciado profundamente na melancolia das músicas tristes. Mas destas não consigo me dispersar, pois, por mais triste que elas sejam, por mais melancólico que eu fique quando eu as ouço, elas entendem minha dor, conversam comigo como uma mãe que acalenta em seus braços o filho temeroso depois de um pesadelo. Dialogamos por horas o sofrimento que compartilhamos, e como uma espécie de intuição transcendental, sinto como se os nobre compositores que descansam nas profundas sepulturas, saíssem de suas tumbas fúnebres para fundir-ser à melancolia de suas músicas. Então sinto pesar em meus ombros, quase não suportando, a tristeza de todos os compositores sofredores...
Desperto em sonhos as umbrais lembranças de outrora, que laçam arames farpados sobre minha pobre existência malograda, lamuriando a melancolia fúnebre no velório de minhas lembranças. Sob aurorais memórias vividas, fito o céu forrado de imagens lívidas de tempos que se perderam no passado e hoje não passam de imagens turvas de quadros mal pintados. Infortúnio desgraçado que me consome dia após dia, deixando-me saudosa nostalgia, e como pústulas na consciência, os espólios da melancolia consomem a vontade de vida restando apenas este vazio profundo. Anátema funérea que se reflete nos sonhos, deixando-me doente; quero morrer para este presente, esquecer este pesadelo o qual se torna cada vez mais medonho. Tão terrível tristeza dilacerante, perturbando o ser pensante como quem perde a mãe querida e chora em desalento desespero, vivendo até os dias finais da vida com a sensação de luto eterno. Pois assim são meus dias, sigo vivendo uma morte eterna, sufocado pela nostalgia que, como um demônio que tortura, arranca-me lágrimas puras da mais profunda das tristezas. Sinto-me morto por dentro, vagando errante por este mundo estranho, guiado pelos ventos que sussurram melancolicamente o cântico fúnebre de meu funeral, pois aqui não bate um coração vívido, e sim o desejo de descansar lívido na paz que repousa os mortos. Vazio profundo que dilui em ânsias a consciência, afundando-me no pélago das pústulas que infectam a essência do que ainda resta para se olhar a vida com bons olhos. Triste caminho este pelo qual sigo, lamentando e revivendo memórias de como cheguei a este lastimável estado terrível. Enquanto o presente passa despercebido, quero morrer no meu futuro, quero abraçar o meu passado como uma mãe que abraça um filho... Os anos se avançam e o sofrimento me consome como vermes que comem a carne putrefata. E quando olho para trás, cego pela escuridão vivaz, fito tempos bons que no tempo sumira. A crônica doença do sofrer sorri ludibriosamente, e sinto como se minha essência fosse a tristeza eterna, fadado a sofrer sem precedência e morto por dentro eternamente. Já não sei mais quem sou, muito menos quem eu era, sinto apenas a vontade amarga como fel de deixar esta vida como quem deixa o tédio.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sinto-me tão vazio que nem mesmo escrever estou conseguindo...