quinta-feira, 25 de julho de 2013

A depressão voltou mais intensa, e com ela agonia de existir se intensificou, a vontade de sumir está ficando insuportável. Tudo que sempre desejo é voltar a ser a criança feliz que morreu dentro de mim. Tudo que amei, amei profundamente, talvez seja essa a fonte do meu sofrimento, pois o ato de lembrar-se dos tempos de outrora colabora mais ainda para que a depressão me arraste para a escuridão. Muito disso é por minha causa mesmo, apenas colho aquilo que plantei nesta vida. Tenho minha família, mas não consigo sorrir com eles, são de mundos distintos que o meu. Então me fecho aqui dentro e fico à minha própria sorte, caminhando errante por um mundo que reflete meu vazio interior. 
Estou só, dependo somente de mim, mas a minha vontade não vive nesta vida. Cada vez menos eu vejo motivos pra continuar uma luta sem sentido. Não tenho vontade de conhecer lugares, fazer coisas diferentes, pois tudo parece ter aquela sensação de déjà vu, mais do mesmo. A sensação de coisa nova, de viver algo novo, no fundo, é apenas uma repetição de sensações… ou talvez apenas o jeito que eu estou olhando para as coisas. Mas não consigo olhar a vida como todo mundo, não vejo tantos motivos pra estar sempre sorrindo, não tenho mais essa vivacidade. Não tenho ambições, não desejo nada, minha vida tornou-se a personificação do ócio.
Preciso seguir em frente, mas ando sem forças ultimamente, cansado dessas lutas diárias sem sentido. Minha mãe e meus amigos olham em meus olhos e dizem não verem o brilho da vida, que há muito não sorrio sinceramente, sempre fingindo estar bem, sendo que na verdade nunca estive. Estou cansado, cada vez mais cansado. Mas preciso continuar vivendo por algumas pessoas — até quando eu não sei — mesmo que viver seja uma tortura para mim. Gostaria de ser egoísta, pensar somente em mim, mas não consigo, infelizmente não consigo. Tudo que posso fazer é tentar tornar está vida ao menos suportável, viver pelas pessoas que me cercam, engolir esta vida até que chegue a hora…
Enquanto isso as lágrimas insistem rolar pela minha face chorosa todas as vezes que abro os olhos depois de acordar…

“Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar das fontes igual à deles;
e era outro o canto, que acordava
o coração de alegria
Tudo o que amei, amei sozinho”

Edgar Allan Poe
Mais uma vez a necessidade de escrever o que estou sentindo pulsa em minhas veias. Outro texto melancólico, cheio de tristeza, que escrevo neste blog (isto está virando uma espécie de diário). Posso escrever em outros lugares, mas é somente aqui que gosto de relê-los; o cemitério dos meus pensamentos…
Estou me esforçando, tentando sair da fossa que entrei, mas a cada escalada, as beiradas se despedaçam e caio novamente, voltando à companhia dos vermes que insistem em penetrar minha pele. O sentimento de realmente não haver esperança está tomando meu ser por completo. A empatia pelas pessoas está começando a se ofuscar pela penumbra dos meus pensamentos. Meus sonhos, coisa que sempre gostei, estão começando a me matar, me fazendo chorar todas as manhã depois de acordar, criando realidades tão terríveis quanto a que estou vivendo agora… Preciso de um emprego, estou procurando, sem ânimo, temeroso pelo que me espera caso eu não consiga me manter no serviço… as coisas só vão piorar.
Caminhando pelo bairro eu pude sentir como nada mais está me importando, nem mesmo o canto dos pássaros, a brisa do vento que tanto apreciei está me fazendo querer continuar vivendo. Qual a diferença entre morrer e viver deste jeito? Que diferença faz morrer literalmente ou estar morto em vida? A morte é a paz de todas as criaturas, não devíamos renegá-la, pois ela nos liberta do cansaço da vida, ser nenhum aguentaria a vida pela infinidade. Ela existe como a única certeza que temos na vida, e podemos escolhê-la caso as feridas da vida estejam insuportáveis. Mas não vivemos sozinhos, fazemos parte de um grupo de pessoas que são afetadas pelas nossas escolhas, e que sofrerão muito com a nossa perda. Um dia morreremos, posso morrer amanhã mesmo, e todos sofrerão do mesmo jeito. A morte é inevitável, então por que tenho de suportar a vida pelas pessoas sendo que um dia elas chorarão em meu caixão independente da minha escolha nesta vida?
Será que no fundo de vossos corações eles estão pensando na dor que sentimos, ou somente na dor que sentirão depois da nossa perda? É egoísmo pensar em si próprio, mas ambos os lados são egoístas de certa forma. Se vivêssemos por mil anos eu teria que suportar a vida por todo esse tempo pelas pessoas, somente para que elas não sofram com a saudade?
Infelizmente ainda penso nas pessoas…
Enfim, não sei mais em que pensar, nunca estive tão mal em minha vida, quero gritar, sumir, desaparecer de algum jeito. 
Ando sem forças, cansado de tudo neste mundo. A melhor parte do dia é quando o sono entorpece a consciência e mergulho no vazio, e mesmo os sonhos não estão valendo apena, a anátema da minha vida está se refletindo no mundo onírico da utopia dos meus sonhos, como se a realidade já não bastasse…
Preciso desabafar com alguém, mas ninguém pode ouvir essas palavras como a página cinza deste blog, um lugar que era pra postar contos e poesias está se transformando em reminiscências de um homem morto por dentro. Códigos que se complementam para formar uma página é o que possuo para desabafar sinceramente, deixando minhas palavras vagando pelo silêncio sem resposta, falando comigo mesmo e relendo a mim mesmo…
Eu mudei, infelizmente mudei pra pior. Por conta disso minha relação com as minhas amizades se distanciam cada vez mais, alguns amigos já nem posso chamá-los de amigos, me sinto anos-luz distante dos meus familiares; não posso contar com eles, pois só vou piorar as coisas pra todos, então o que sobra é isso aqui… Mas tudo bem, pra quem sempre se contentou com o mínimo da vida, já está de bom grado, ou é somente a carência gritando dentro de mim argumentando que preciso de atenção…
Isolei-me de todos à minha volta, pois, por mais pessoas que estejam ao meu lado, me sinto longe, vivendo numa bolha que me afasta desta realidade. A única coisa real que possuo é o presente, e este é tudo aquilo que não queria. O passado distante/recente é lembrado como escapismo, mas isto apenas machuca mais ainda, pois estou vivendo da ilusão de algo que não existe mais. Não sei o que fazer pra mudar, agir não ajuda, quando não apenas piora, fazer coisas não ajuda, trabalhar, estudar, nada disso ajuda. Tenho algum problema por não conseguir exercer essas funções sociais sem que o mesmo me debilite mais ainda. Estou doente, e esta sou eu, a doença de não querer viver. Sou a náusea deste mundo, vagando errante, vestindo a máscara da felicidade, sorrindo para aqueles que me amam para não sugar a energia de vossas vidas. Sou o câncer que abriu a ferida infeccionada, e a agora o pus escorre pela minha realidade e me afogo em meio ao mar pútrido de mim mesmo.
Estou com medo, medo de não aguentar mais e causar um inferno na vida daqueles que ainda contam comigo. Preciso de forças, mas não sei mais de onde tirá-las, preciso seguir em frente, mas a cada passo dado dou dois para trás. A pressão da vida está me empurrando contra a parede, preciso sair e exercer minhas funções como cidadão, não posso viver mais embaixo das asas de minha mãe, mas eu não consigo, é tão difícil, essas coisas pioram mais ainda e colaboram para a vontade de sumir daqui. Estou com medo, medo, medo, medo de viver.
Já não tenho mais palavras para expressar o que sinto, e mais um texto gótico, cheio de tristeza, é postado no cemitério dos meus pensamentos, onde todos os dias venho relê-los para conversar comigo mesmo…
Das sombras recônditas da substância primordial,
E dos fluídicos plasmáticos do espaço sideral,
Fomos paridos pelo útero desconhecido do não-ser.
Fetos prematuros em evolução,
Ligados pelo fio vital da unidade cósmica em expansão
E na frágil e mutável matéria orgânica biológica.

Evoluiu a consciência questionadora,
Na seleção natural das espécies sofredoras,
Anunciando ao cosmo, através da dialética filosófica,
A existência objetiva das formas fenomênicas.
E da escuridão do cósmico segredo,
O universo trilhou rumo ao encontro de si mesmo.

A grande evolução cosmológica 
Que nos une na simbiose congênita melancólica
Criou nós humanos que, como gotas, caímos neste oceano existencial 
Formando a sopa funérea do caos 
Destruindo os organismo que habitam a biosfera
Fomos confundidos às pústulas que infectam sua própria morada

Ah! Sonho com o dia em que desceremos de nosso trono de mentira
E nos juntarmos igualmente a todos os demais organismos da vida,
Para sermos uma única consciência evolutiva
E como espelhos do próprio universo
Observaremos a nós mesmo panteísticamente
Rumo ao encontro universal de nós mesmos...


Dos umbrais das lembranças ocultas, fantasmas de outrora experiências despencam-se como cascata sobre minha existência. A subsistência do passado morto aflora-se sob a pele calafrios nostálgicos carregados de um sentimento tortuoso. A mente conexa intimamente aos mundos das lembranças esquecidas faz do subconsciente um palco para criar experiências teatrais de mundos os quais nunca experimentou. A ilusão lhe prende amarras que o tornam escravo de um mundo que nada mais é que a si mesmo. Então a ilusão se desfaz, e lhe deixa com o gosto amargo na boca, como sinônimo da ausência das coisas que ama, e que na vida material já não existe mais…
Navego errante por estes caminhos espinhosos, vez ou outra encontrando rosas que alegram a vida, mas que machucam os dedos com seus espinhos como se dissessem que não foram feitas para serem colhidas, apenas observadas. 
Sou como viajante solitário, com sua mochila sempre feita para partir, seguindo de mãos vazias e coração confiante, levando comigo somente o que julgo ser importante. E em cada esquina da vida onde encontro um ser especial, carrego comigo ínfimos detalhes de sua existência, mesclando assim, minha humilde essência às experiências e ensinamentos que cada ser compartilhou comigo. Sou uma mistura de todos. Sigo divagando pela vida, confundindo a vida com a realidade onírica, perdido em meio aos caminhos infinito do universo, sentindo saudade de um lugar que desconheço, sentindo saudade de experiências que não vivi, sentindo saudade de um mundo o qual não existi… Minhas fontes de alegria e sofrimento sempre foram colhidas de fontes diferentes dos outros, pois minha vontade não mora nesta vida, e sim na paz que dormem os mortos, ou na inexistência dos não-nascidos.
Pois que não se apeguem uns aos outros, estamos todos de partidas, de mochilas feitas rumo ao desconhecido…
De volta aos sonhos reencontro meus queridos amigos, todos sorrindo e de mochilas desfeitas, esperando que eu expire para descansar junto deles no memorial da existência e ser confundido à morte no desconhecido mundo das lembranças…

“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. 
Sentir tudo de todas as maneiras. 
Sentir tudo excessivamente, 
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas 
E toda a realidade é um excesso, uma violência, 
Uma alucinação extraordinariamente nítida 
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas, 
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas 
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo. 
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão, 
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo 
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos 
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais. “

Fernando Pessoa
Sob a luz do plenilúnio, 
Na companhia dos defuntos
Que jaziam inertes nas telúricas tumbas,
Foi tomando por uma visão profunda,
E vi, pelos olhos vermiculares,
A decomposição da carne humana.
Pude sentir, no silêncio das sepulturas, 
A putrefação das células moribundas,
E os eflúvios pútridos do que antes era redolência.
Quis compreender os propósitos desta mecânica nefasta,
E encontrei somente, em meio ao humos, a bílis amarelada
Vazando pelo túneis feitos pelos vermes.
Engulhado pela putrescência de meu destino,
Implorei para voltar ao mundo dos vivos,
Mas recebi somente o silêncio como resposta.
A agonia tomou-me por completo,
Quis correr mas não tinha pernas
E então notei, fitando a escuridão, 
Que era meu corpo a refeição dos vermes. 
Como se já não bastasse às nódoas da vida,
E nosso funesto destino sem saída,  
Eu sentia a ânsia dos vermes e a dor da podridão.
Por meses fiquei a companhia dos seres inóspitos,
Sentido-os entrarem pelos meus olhos 
E saírem pela boca.
Morte, semeadora dos defuntos, 
Sempre chegando pelas portas dos fundos,
Levastes até mesmo os vermes que me faziam companhia.
Na frialdade dos ossos, choro, procuro uma saída,
Na solidão da natureza morta, 
Tive um déjà vu, e senti como se já tivesse passado por esta vida.
Aquilo me apavorou e clamei a Deus por ajuda
Entendendo o que todos sempre disseram:
Que no fim de toda esperança, a Deus recorremos às súplicas.
Não sei se fora coincidência, ou milagre da divindade,
Pois acordei no banheiro de casa
Segurando nas mãos uma navalha
E as cartas que seriam para o meu suicídio… 
Enclausurada em seu quarto, sob a dor de sua própria existência sufocante, ela traça o primeiro corte na coxa. O líquido rubro brota paciente da carne ferida, escorrendo pelo chão, formando aos poucos, uma poça de alívio seguida de uma sensação libertadora. O vício de cada dia que nos dai hoje, entre a dor e sangue, que deixam nódoa escarlates conduzida pelas feridas abertas.
A dor cortante lhe envolve e faz seu corpo tremer e suar frio logo após o segundo corte, este que agora, mais profundo, ainda com a faca mesclada à sua matéria, em meio ao sangue que escorre quente, nada sente além da dor aguda; sem conforto, sem alívio, apenas a ausência da dor de ter que existir afogada na dor física dos cortes. Seus olhos se enchem d'água e os lábios tremem de dor apertando-se um no outro enquanto traça o terceiro corte, sempre aprofundando cada vez mais, como quem quisesse caçar demônios a fim de exorcizá-los à facadas. O chão do quarto se torna rubro. Ela encara o reflexo de sua face no líquido quente e pegajoso, deixando cair lágrimas salgadas que se misturam no escarlate fervente do sangue.
Ela quer parar; quer se limpar de toda aquela sujeira; esquecer a porra do estado lastimável em que se afundou, mas, novamente, como um imã que atrai o aço, a dor interior sussurra diabolicamente em sua mente fazendo-a mergulhar a faca na outra coxa... Dor. Somente a dor é real. A sensação de liberdade parece se distanciar, correndo para longe no horizonte, entre as cores do crepúsculo que anuncia à noite, perdendo-se na escuridão. Trevas engolem sua existência nefanda, junto a dor física que intensifica ainda mais os sentimentos que lhe roubam o brilho dos olhos. Um caminho sem volta, uma rua sem saída, de frente para o abismo. Para onde fora a liberdade?
Como um viciado em cocaína, que logo após o consumo a depressão lhe consome, fazendo-o desejar outra quantidade maior, ela rasgou profundamente um dos pulsos a fim de buscar a liberdade que sentira no primeiro corte. O sangue espirra pelo quarto. Ela se desespera. O medo lhe consome. Seus olhos se ofuscam como penumbra. A angustia parece não ter mais fim, como se ela já estivesse morta, e tendo de suportar o inferno de sua existência pela eternidade. Ela corta o outro pulso, rompendo os nervos e veias, jorrando sangue em sua face. Ela abafa os gritos com o travesseiro. Onde está a liberdade?
Logo seu corpo é envolvido pela sensação de formigamento, dormência, mas ainda assim o sofrimento lhe assola por dentro. A poça de sangue cobre todo o chão do quarto, suas vestes encharcadas pelo líquido rubro pesam pegajosamente em seu corpo. Cansada, se sentindo zonza, mas consciente, ela segura o cabo da faca, olha firmemente para o mesmo e sorri sarcasticamente. Aos poucos, a sensação de liberdade parece voltar para os seus braços paulatinamente. Não há mais volta, ela encarou o abismo e este olhou de volta para dentro dela, e juntos tornaram-se um só. Com dificuldade, ela leva a faca até o pescoço, sorrindo, e traça sua linha final, junto à linha final de sua vida. Caindo no abismo...
***
A noite fria se esvai, assim como sangue do corpo da jovem garota. O sol desponta no horizonte além, trazendo consigo a mais pura e almejada liberdade que os pássaros usufruem para voarem livremente, assim como a morte que a levou para bater suas asas na paz que descansa os mortos...
A vida é um rasgar-se e remendar-se, mas algumas partes nunca voltam a ser como eram antes, deixando as cicatrizes feitas pelas lâminas da vida…
A madrugada se aproxima silenciosa, fria, assim como o seu coração que congelara há muito. O vento gélido sopra na janela, uivando cânticos melancólicos. Você está sozinho com seus pensamentos, isto lhe perturba, e a noite apenas começou... O tempo parece lutar contra você, correndo ao contrário à sua linha futura, fazendo os minutos durarem horas. Você resolve sair pra olhar as estrelas e tentar esquecer um pouco a vida. Minutos se passam. Você se identifica com a poluição que engole as estrelas, ofuscando a refulgência de vossas existências. Assim é a sua vida, uma poluição que intoxica o brilho nos olhos das pessoas que o cercam, causando males e tristeza a quem decide te ajudar.
Uma estrela cadente corta o céu desparecendo na negridão do universo. Você observa toda a natureza com pesar, tamanha beleza ofuscada pela penumbra cinza de um homem sem vida. Seus olhos agora lutam para que as lágrimas não jorrem, pois o desejo de sumir de si mesmo torna-se sufocante. Você busca memórias boas de um tempo distante, tão distante que parece nunca ter existido, a utopia de um mundo lindo perdido no limbo do inconsciente. Pra onde fora a criança feliz quem um dia habitou vossa carcaça biológica? Que tinha o brilho da vida nos olhos e amava a redolência das rosas que um dia tanto apreciou? Todos... todos perdidos, caindo no vazio abissal de seu ser.
O frio parece aumentar, as finas penugens do rosto se eriçam lentamente, agulhadas são fincadas em sua carne enrijecida pela friagem cortante. Você não se incomoda, pois se tornou o próprio frio...
Você volta para seu quarto, o lugar onde passa a maior parte de seu tempo, sua carapaça que te faz sentir seguro, longe da hostilidade de um mundo sem salvação. O luto abre portas ao escuro e a inércia, a vontade de nada fazer lhe consome por completo. Pensar demais o leva a enxergar sua condição miserável como ser. Você tenta afastar os pensamentos, mas eles já cravaram em sua alma, são partes que se complementam para dar forma àquilo que você chama de existência... “Como cheguei a tal estado” você pensa. Nem mesmo se lembra, tal estado de inércia parece lhe dar a sensação de que sempre fora assim, a percepção de um mundo lindo se fora há muito, talvez nunca tenha existido, e o passado somente seja um sonho que lhe assombra todas as noites. "Como um homem que possui tudo na vida pode ser tão vazio, frio e indiferente?" Você não sabe, talvez seja o mundo, ou você, provavelmente as duas coisas...
A dor lhe corta o ser, despedaçando a essência do que um dia você chamou de vida, mas você não se importa, pois se tornou a própria dor...
Você se deita na cama, fitando o que parece ser o teto, mas sua visão está longe de toda existência, na busca pela paz profunda que reina no seio do nada. Seus lábios tremem de dor e os olhos se enchem d'água. Agora a represa que continha os pensamentos fora rompida e o pesadelo do qual não pode acordar parece não ter fim. Uma pequena lágrima rola pelo canto esquerdo do rosto, trazendo consigo outras milhares que jorram torrencialmente. Chore, afogue-se em no seu mar morto, pois nada mais tens a fazer do que esperar a infinidade da noite terminar para assim repetir o filme de cada dia. Aproveite enquanto possui lágrimas para lamuriar-se, pois logo eis que a fonte secará. Você se tornou tão infeliz que pra passar o tempo, você chora....
Você pensa na morte, e a imagina acalentando-o em seus braços invisíveis, para trazeres a paz que não encontra neste lugar. Um sorriso brota em sua face, talvez o sorriso mais sincero que é capaz de ostentar nos últimos tempos. Você ri e espera, se matando todos os dias...

"O tempo está passando, a hora está chegando, e finalmente poderei me juntar às estrelas e ao céu, e no nada serei o Tudo..."
Vida odorífera que preenchia os pulmões nos tempos de outrora. És vida malograda, esta que hoje nos apresenta sórdida e indelicada. Tirastes de mim a redolência dos olhos e o sorriso sincero de criança. Penumbra cinza que cobre a face do ser, obscurecendo o policromo das coisas. Obrigações, tédio e sofrimento rebobinando a fita cassete de minha vida como um filme que se repete monotonamente todos os dias. Esfalfando minha vida diária, suportando um presente doloroso pela incerteza do amanhã; um presente que, ironicamente, era o futuro de ontem. Assim trilhamos por áscuas dolorosas, carregando cruzes que não são nossas, rumo ao calvário umbroso da morte. 
Onde habitastes a criança feliz que um dia fui? Aquela que tinha o mundo no brilho dos olhos, e tudo era visto como um sonho sublime. Dorme em mim aquela criança?! Talvez perdida no limbo das lembranças, chorando por ter sido esquecida. A inocência que me fora arrancada em troca da sobrevivência, rasgou o véu da refulgência, e perdi meu mundo utópico. Felizes são as crianças por não saberem pelo que as esperam; Na expectativa do vir-a-ser, tomam a ambrosia que as iludem com utopias futuras, na esperança de coisas melhores. Pois se pudessem prever sua árdua batalha vindoura, entenderiam que não estão condenados à morte, e sim à vida...
 Ah! Nostalgia, profunda, que revestistes em meu interior espelhos rutilantes que refletem realidades que não existem mais. Mergulhando o ser num poço de melancolia, que te faz triste nos dias de ventura, obscuro nos dias mais claros. Enquanto o presente oportuno escorre por entre os dedos, e a lívida sensação da vida o faz querer morrer com o passado!
Ah! Nostalgia, por que me feres? És a maculada traça das lembranças, que nos tira um sorriso e uma lágrima. Lamuria-se pelas dores que tu causas ou sorria-te ludibriosamente?

Vida que é feita de presente que a toda instante não o é mais, futuro que nunca tocaremos e passado que jamais voltará; Perco-me em pensamentos, perguntando-me - se a única realidade existente é aquilo que não temos. Mas nem por isto quero tiraste a ti de mim, carregastes em teu seio aquilo que chamo de vida, o tênue fio que nos liga ao inexistente mundo das lembranças, e nos faz reviver aquilo que foi bom. E a dor que assola nosso coração provém da existência nobre daquilo que um dia existiu...
És a vida que nos dá os papéis em branco para escrevermos nossa história . A nostalgia nos faz reler com felícia melancólica. E a morte traz o ponto final, assinando com a inexistência, o que de fato faz a existência que o fim é que torna as coisas mais belas...
Ah! Nostalgia, és uma faca de dois gumes cortante como lâminas, mas confortante como o sangue que extirpa das veias do suicida. Ah! Nostalgia, o que tu és na verdade? O demônio das lembranças do passado
ou o anjo que representa aquilo que um dia foi belo?
Sempre haverá um vazio para cada um de nós, mas isso não importa mais quando o abismo se torna parte do que somos...
Sob estes galhos de figueira, chego aos limites das dores que me assolam. Cansado dos inexorabilíssimos trabalhos, pergunto-me os motivos, ânsia, de suportar um mundo hostil que apenas nos debilita. Preso a ilusão de felicidade, que me abstém a coragem de buscar um mundo melhor, que flui pelas entranhas do desconhecido. Suportando esta existência miserável, na ilusão de um futuro incerto, que nos faz masoquistas, carregando o fardo de uma realidade funérea sob as cascas de feridas que são abertas a todo instante, e nada mais nos oferecer. O vento me acaricia a face, inexpressiva, mergulhada na profunda melancolia, soprando em meus ouvidos, em cantigas de lamentos, uivando, o adeus à minha existência nefanda. Os pássaros cantam em despedida, tristes, lamentando pela minha existência, talvez, por não compreender as belezas deste mundo. Da vida nada mais quero, somente a paz que repousa os mortos
no seio da morte, mergulhados no esquecimento, os espíritos afortunados pela essência do não-ser, dormem, serenos, na paz da eternidade.
Caminhando por cacos de vidro, abrindo as feridas que foram curadas ontem, sagrando minha existência pelos caminhos da vida, deixando o rastro de sofrimento no escarlate intenso do sangue. Chego ao meu ponto de parada, sorrindo, feliz, por deixar este mundo lúgubre. Me prendo a esperança às correntes da mortes, incerto ao que me espera quando fechar os olhos. Mas à vida já estou habituado, e me agarro à morte desconhecida, pois a esperança brota do desconhecer, sendo a última morrer e nos levando junto dela.
Sentado sob a sombra desta figueira velha, observo a natureza com volúpia, proseando comigo mesmo no silêncio dos sofredores. Deixo a vida que me foi concebida sem meu livre arbítrio, e escolho a morte como um direito de escolha, encerrando minha participação no teatro da vida. És chegada a hora da vida me retirar. Chamo-a Oh, morte, onipresente, me acalente em seus braços, sufoque esta dor no limbo do desconhecido, e leve-me para o mundo daqueles que já se foram, e daqueles que ainda não nasceram, que repousam no seio do nada neste exato momento, então ser-me-ei confundido à morte, aos olhos daqueles que ainda vivem...

Tão terrível é o ato de lembrar-se dos tempos de outrora, das pessoas maravilhosas que um dia preencheram nossas vidas, que se perdem nos labirintos da mente a todo instante, para que se tornem nada mais do que visões distorcidas de pinturas em quadros velhos os quais não conseguimos enxergar nada além de borrões... O tempo que afasta as lembranças, assim como a realidade onírica, que depois do despertar lembramos apenas de fragmentos desconexos de uma realidade que existiu apenas num instante de piscar de olhos; e quanto mais o tempo escoa na ampulheta da existência, tanto mais próximo ao esquecimento nossas lembranças vão se perdendo. Vida insana que nos faz masoquistas, obrigando-nos a caminhar por trilhas espinhosas, vivendo na esperança de um futuro dúbio, agarrados aos desejos das outrora reminiscências que perdemos, presos aos ínfimos bons momentos daquilo que seria uma partícula de um universo inteiro de sofrimento e tédio. Focando nossa atenção ao trabalho estressante para evitarmos não pensar o porquê fazemos essas atividades desgastantes e sem sentido, para nos tornarmos escravos de pedaços de papeis, mentindo para nós mesmo que amanhã tudo vai ser diferente, que possuímos um propósito; e tudo isso com um único fim... suportar um presente que, ironicamente, era o futuro de ontem. Carregando no âmago sentimentos fantasmagóricos de realidades que não existem mais, enquanto a morte carrega a ampulheta da vida que despenca os grãos de areai como se fossem mundos de possibilidades os quais não tivemos a chance de começar, vidas que não pudemos viver e momentos que não pudemos vivenciar...
Assim é a nossa vida; seguimos vivendo o agora tirando fotografias a todos os instantes e guardando-as na caixinha de lembranças que, por não possuir um lacre, são ofuscadas pela vida conturbada, perdidas pelo tempo, vagando pelo inconsciente.
Cabe a morte a tarefa de nos libertar — mesmo não sabendo o que dela esperar, pois à vida já estamos habituados — e lançar-nos ao seu mundo misterioso o qual todos um dia habitamos e voltaremos a habitar; e quando tal dia chegar, talvez sintamos toda a vida manifestada apenas num instante, e nada mais além de uma ilusão. Uma verdade observada pela mente no momento da morte e, depois de organizado todas as lembranças perdidas e retomadas pela consciência, pode ser a eminência da base de toda sabedoria ou do conhecimento humano, nos revelando que tudo não passou de uma visão, um sonho...  
As estrelas ofuscam a negridão do universo brilhando com o fulgor dos Deuses. Exteriorizo lembranças nestes imensos astros, personificando cada ser em cada estrela. Somente fico a observar um pequeno ponto luminoso em especial, tão distante que não jaz mais neste mar existencial. Somente um fantasma de luz é o que chega até meus olhos; A morte a levou e ainda fico na ilusão de sua existência...
O grande milagre da vida faz meu corpo inteiro estremecer de medo. Um mundo tão indiferente que já não me sinto parte dele, tão incoerente e provocante em seus mistérios insondáveis que me perturba ao ponto de não mais saber o que é real. Sinto o pavor da angustia que devora minha alma aos poucos. Uma mente limitada tentando compreender as maluquices deste oceano universal, que sem saber nadar, me afogo neste mar existencial. Tão terrível sentimento que evoca os mais profundos medos da existência, sufocando sem matar a pobre essência da vida. O horror é refletido para onde quer que olho. O mundo tornou-se um espelho e só o que vejo é meu reflexo apavorado. O medo da vida se torna insuportável a um ponto enlouquecedor. A esperança na morte se esvai lentamente escorrendo por entre meus dedos enquanto a angustia estampa seu sorriso diabólico como sinônimo da minha impotência... (Só quero sumir!)
 Meu corpo tornou-se a pior das prisões. O suicídio passa pela cabeça como forma desesperada de escapismo, mas ainda assim sem esperança, pois nas camadas mais profundas de meu ser, uma voz argumenta que estamos apenas ensaiando. (Quero gritar!)

O milagre da vida tornou-se um pesadelo do qual não consigo mais acordar. Grito em agonia para deus com as mãos em símbolo de oração. Mas só o que sinto é o vazio e a angustia de ter que continuar vivendo. Conflitos internos fazem da minha mente um campo de batalha, deixando rastros sanguinolentos de dor no final da guerra, restando apenas uma área desolada em processo de putrescência, e a única coisa viva é o choramingo angustiante dos ventos uivantes. Uma vontade gritante de chorar invade meu corpo sem pedir licença, rompendo a represa de lágrimas que jorram como enxurrada pelas órbitas dos olhos. Encolho-me num cantinho qualquer da vida e fico a assistir meu destino nefando. (Só quero dormir!)
Escondido em meios aos escombros do que ainda resta de mim, empreito a vida com olhos arregalados e temerosos, como uma criança perdida dos pais, esperando que a encontrem... Só quero (...)
A lâmina rasgando-lhe o pescoço,
O liquido rubro incandescente que jorrou,
A dor de ter que viver com o sangue se extirpou...

"Se concedessem ao homem uma vida eterna, sentiria tanta repugnância por ela que acabaria desejando a morte, farto da imutabilidade de seu caráter e de seu limitado entendimento. Se exigíssemos a imortalidade perpetuaríamos um erro porque a individualidade não deveria existir, e o verdadeiro fim da vida é livrar-nos dela"
- Arthur Schopenhauer

Agonia Existencial

Caminhando em meio aquela multidão,
Sufocado pela própria existência,
A vitalidade da vida
Se encarregava de sua sentença.

Um olhar perdido,
Ofuscado pelo vazio,
Arrastando a existência
Na esperança de seu fim.

A angustia de existir.
Misturada ao medo de viver,
A sensação da vida não ter fim
Fez seu corpo de medo estremecer.

A insanidade de existir
Fincando agulhas em seu ser,
Gritando em agonia
A vontade de desaparecer.

Correndo atrás de algo
Vagando errante sem parar,
Esperando que um dia
A morte venha lhe buscar!

A Podridão da Alma

A escuridão fria e silenciosa lamuriando em seus ouvidos o silêncio que rompe a represa lúgubre dos teus pensamentos. A esclerótica dos olhos se envermelham, o sono cavalga para longe de ti, e as vozes na sua cabeça quebram o silêncio manifesto pela noite. Demônios com vozes sardônicas, ludibrias, orquestram cânticos melancólicos em sua consciência, afogando tua alma no oceano pútrido de si mesmo. Sua mente se tornou morada das larvas que comem esfomeadamente a carne imaterial de sua alma, deixando o rastro fétido de sangue na essência morta de teu ser. A putrescência de sua alma exala o odor da decomposição da vida, o augúrio anuncia a pestilência que infecta cada canto de seu ser, vazando pelos olhos em forma de lágrimas cristalinas. O sono lhe estende as mãos, e a consciência pútrida mergulha suavemente nos pesadelos de teus sonhos. A realidade morta de sua vida reflete no mundo onírico a desesperança amarga de seu destino. A inexistência se torna um sonho distante, o sono profundo se torna raso, a vida se torna a podridão da alma e a morte seu estado eterno de espírito...

Tédio e Sofrimento

A vida é uma chuva ácida que despenca sobre nós, realçando o sol ínfimas vezes ao dia; oscilando como um pêndulo entre o tédio e sofrimento. Quando não estamos sofrendo estamos entediados. E no meio disso tudo, ínfimos momentos de felicidade passam por nós como fantasmas que desaparecem como se nunca tivessem existido...

Sonhos de Outrora

Nos sonhos de outrora despertamos a melancolia onírica com beijos nas lembranças nostálgicas que dormem no passado morto sob o véu da morte. Mundos se afloram sob moléculas do corpo, revivendo a ilusão nobre de realidades que há muito se dissiparam por entre as linhas do tempo. Minha realidade se tornou uma quimera incognoscível que liquefaz o encéfalo, deixando-me à companhia latente da enxaqueca. Sensações desconhecidas pulsam pelos labirintos de meus nervos cerebrais, ostentando na refulgência de meu olhos o sinônimo de uma criança perdia e temerosa. Acorrentado pela pusilanimidade de meu ser, apenas empreito a vida nas garras do incisivo desejo de desaparecer.
Ah! Sonho com o dia em que o mundo seguirá seu rumo sem minha percepção deficiente para adorná-lo com falácias e escárnios que só existem dentro de mim. Tornei-me em trevas quando meus olhos  viram a inocência se perder pelos horizontes escuros e profundos de meu ser. Neste pélago lamacento de mim mesmo, tento tento fitar a luz que brilha no fim do túnel, mas não consigo, e meus olhos passam a dor mais que na escuridão em que passo todos os meus dias...
Sinto no meio peito ânsias profundas que diluem a vontade de vida, mergulhando-me no pântano pútrido de mim mesmo, acompanhado dos vermes que comem a essência pura do que ainda resta da criança nobre que um dia fui. Não dói-me pensar na morte misteriosa; dói-me profundamente ver os pássaros cantarem e não conseguir apreciá-los; dói-me ver as paisagens preenchidas de preto e branco; dói-me estar morto para a vida e saber que além dos arames farpados de minha realidade, o mundo trilha lindamente...
Longe das sombras aurorais das manhãs calorentas, escondido por trás do sorriso mentiro que ostento, fico à minha própria sorte, preso no labirinto de mim mesmo, nas noites aterradoras de meus pesadelos.

Da Última Lágrima Cálida

Da última lágrima cálida que escorreu pela minha face, brilhou o fulgor da vida junta à vivacidade que havia desaparecido no meu corpo, este que agora a morte se encarregava de ceifar. Das profundezas abissais do vazio de minha existência, aflorou-se os segredos da vida no momento em que a morte me tirava de cena, mostrando-me nos últimos instantes em que expirava à vida, o que realmente significava viver. Então entendi; Morte sempre fora a vida que logrei, e vida, conheci somente no instante em que expirei...

A Paz dos Mortos

Um corpo inerte pela melancolia cortante, afundando no ócio da desesperança latente, gritando em silêncio aterrador a nevrose fúnebre que despedaça o pensador na angustia de  ter que se arrastar a prosseguir. A coragem que me falta faz de mim um árduo sofredor, carregando esta cruz infernal pelas pessoas que me amam e sendo forçado a viver pelos outros. Maldita empatia que me toma, afasta o egoísmo para longe, e somente fico a sonhar com o dia derradeiro em que a morte me cobrirá com seu manto.
O que é a felicidade, esta que todos tanto almejam, lutam e matam para obtê-la? Há muito já não sei seu significado, talvez nem mesmo a tenha sentido de verdade, com exceção de ínfimos prazeres passageiros que somem no passado como se nunca tivessem existido.
A negridão da noite é o que me conforta, onde, através do cantar dos corvos, a sinfonia lúgubre dos carniceiros da morte, traz-me um pouco da paz em que repousa os mortos. Vida estranha esta minha que segue por áscuas dolorosas; sentir-se vivo somente no descansar do sono profundo, sentir morto enquanto a vida radia lá fora. Olho para as lápides dos que deixaram de sofrer, esquecidos na escuridão telúrica do não-ser, sob a companhia operária dos seres vermiculares, que comem suas carnes na ânsia sôfrega da natureza morte; e sorrio para mim mesmo, fitando o plenilúnio que me observa silenciosamente, divagando minha imaginação pelo dia em que serei esquecido no silêncio misterioso da inexistência.
Guardemos nossas orações para os que estão vivos, pois os mortos jazem vãos adormecidos na escuridão profunda das sepulturas. E quando, à tarde, no cair do crepúsculo que anuncia a noite, lembrai-vos dos que são vivos, sofredores que correm contra ao tempo e vagam perdidos na mesquinhez dos desejos mundanos e supérfluos. Meditem, então, na paz dos que já não-são, e verás, talvez, como é suave o sono daqueles que deixaram de sofrer...

Desejo de Expirar-me

Macilento pântano das ideias gastas,
Movem-se invisíveis pelo encéfalo, donte,
Pelas linhas do pensamentos da matéria nefasta,
Para dar forma a minha realidade dolente.

Mergulhado na melancolia poética
Em que todos os espíritos filosóficos se afogam
Na realidade nefanda das angustias da reflexão,
Nódoas tatuam nos olhos o brilho da profunda solidão

Nos recônditos infinitos de meu ser,
Esconde-se a verdade de todas as substâncias,
Em cada molécula de minha matéria finita,
Sou o panteísmo que se funde a todas as coisas viventes.

Ah! Profundo desejo de expirar-me,
Desvanecer-me da mesquinhez que se preocupam os vivos,
E voltar ao infinito reino dos que já foram,
Para dormir no berço dos que ainda virão!

Vívidas Lembranças

Vívidas lembranças que me confortam,
Lembranças vívidas que me assolam.
O passado morto, como uma fantasma,
Assombra-me às madrugadas ludibriosas,
Lamuriando canções melancólicas,
Através do silêncio que me apavora.

A triste canção das memórias vividas
Orquestram no encéfalo dolorido
O augúrio memorial das chagas ubíquas,
Deixando-me de companhia,
Na frialdade cruel da vida,
Somente os espólios da melancolia!

Sôfrego e ávido caminho persigo,
Noites estranho do dia a dia convivo.
Carregando nas costas estigmas do passado,
Derramando a tristeza em lágrimas escarlates,
Suportando a mais terrível das dores da vida,
Esta...
A que todos chamam de Nostalgia...