quinta-feira, 25 de julho de 2013

 Ah! Nostalgia, profunda, que revestistes em meu interior espelhos rutilantes que refletem realidades que não existem mais. Mergulhando o ser num poço de melancolia, que te faz triste nos dias de ventura, obscuro nos dias mais claros. Enquanto o presente oportuno escorre por entre os dedos, e a lívida sensação da vida o faz querer morrer com o passado!
Ah! Nostalgia, por que me feres? És a maculada traça das lembranças, que nos tira um sorriso e uma lágrima. Lamuria-se pelas dores que tu causas ou sorria-te ludibriosamente?

Vida que é feita de presente que a toda instante não o é mais, futuro que nunca tocaremos e passado que jamais voltará; Perco-me em pensamentos, perguntando-me - se a única realidade existente é aquilo que não temos. Mas nem por isto quero tiraste a ti de mim, carregastes em teu seio aquilo que chamo de vida, o tênue fio que nos liga ao inexistente mundo das lembranças, e nos faz reviver aquilo que foi bom. E a dor que assola nosso coração provém da existência nobre daquilo que um dia existiu...
És a vida que nos dá os papéis em branco para escrevermos nossa história . A nostalgia nos faz reler com felícia melancólica. E a morte traz o ponto final, assinando com a inexistência, o que de fato faz a existência que o fim é que torna as coisas mais belas...
Ah! Nostalgia, és uma faca de dois gumes cortante como lâminas, mas confortante como o sangue que extirpa das veias do suicida. Ah! Nostalgia, o que tu és na verdade? O demônio das lembranças do passado
ou o anjo que representa aquilo que um dia foi belo?

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