Vida odorífera que preenchia os pulmões nos tempos de outrora. És vida malograda, esta que hoje nos apresenta sórdida e indelicada. Tirastes de mim a redolência dos olhos e o sorriso sincero de criança. Penumbra cinza que cobre a face do ser, obscurecendo o policromo das coisas. Obrigações, tédio e sofrimento rebobinando a fita cassete de minha vida como um filme que se repete monotonamente todos os dias. Esfalfando minha vida diária, suportando um presente doloroso pela incerteza do amanhã; um presente que, ironicamente, era o futuro de ontem. Assim trilhamos por áscuas dolorosas, carregando cruzes que não são nossas, rumo ao calvário umbroso da morte.
Onde habitastes a criança feliz que um dia fui? Aquela que tinha o mundo no brilho dos olhos, e tudo era visto como um sonho sublime. Dorme em mim aquela criança?! Talvez perdida no limbo das lembranças, chorando por ter sido esquecida. A inocência que me fora arrancada em troca da sobrevivência, rasgou o véu da refulgência, e perdi meu mundo utópico. Felizes são as crianças por não saberem pelo que as esperam; Na expectativa do vir-a-ser, tomam a ambrosia que as iludem com utopias futuras, na esperança de coisas melhores. Pois se pudessem prever sua árdua batalha vindoura, entenderiam que não estão condenados à morte, e sim à vida...
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