quinta-feira, 25 de julho de 2013

Sob estes galhos de figueira, chego aos limites das dores que me assolam. Cansado dos inexorabilíssimos trabalhos, pergunto-me os motivos, ânsia, de suportar um mundo hostil que apenas nos debilita. Preso a ilusão de felicidade, que me abstém a coragem de buscar um mundo melhor, que flui pelas entranhas do desconhecido. Suportando esta existência miserável, na ilusão de um futuro incerto, que nos faz masoquistas, carregando o fardo de uma realidade funérea sob as cascas de feridas que são abertas a todo instante, e nada mais nos oferecer. O vento me acaricia a face, inexpressiva, mergulhada na profunda melancolia, soprando em meus ouvidos, em cantigas de lamentos, uivando, o adeus à minha existência nefanda. Os pássaros cantam em despedida, tristes, lamentando pela minha existência, talvez, por não compreender as belezas deste mundo. Da vida nada mais quero, somente a paz que repousa os mortos
no seio da morte, mergulhados no esquecimento, os espíritos afortunados pela essência do não-ser, dormem, serenos, na paz da eternidade.
Caminhando por cacos de vidro, abrindo as feridas que foram curadas ontem, sagrando minha existência pelos caminhos da vida, deixando o rastro de sofrimento no escarlate intenso do sangue. Chego ao meu ponto de parada, sorrindo, feliz, por deixar este mundo lúgubre. Me prendo a esperança às correntes da mortes, incerto ao que me espera quando fechar os olhos. Mas à vida já estou habituado, e me agarro à morte desconhecida, pois a esperança brota do desconhecer, sendo a última morrer e nos levando junto dela.
Sentado sob a sombra desta figueira velha, observo a natureza com volúpia, proseando comigo mesmo no silêncio dos sofredores. Deixo a vida que me foi concebida sem meu livre arbítrio, e escolho a morte como um direito de escolha, encerrando minha participação no teatro da vida. És chegada a hora da vida me retirar. Chamo-a Oh, morte, onipresente, me acalente em seus braços, sufoque esta dor no limbo do desconhecido, e leve-me para o mundo daqueles que já se foram, e daqueles que ainda não nasceram, que repousam no seio do nada neste exato momento, então ser-me-ei confundido à morte, aos olhos daqueles que ainda vivem...

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