no seio da morte, mergulhados no esquecimento, os espíritos afortunados pela essência do não-ser, dormem, serenos, na paz da eternidade.
Caminhando por cacos de vidro, abrindo as feridas que foram curadas ontem, sagrando minha existência pelos caminhos da vida, deixando o rastro de sofrimento no escarlate intenso do sangue. Chego ao meu ponto de parada, sorrindo, feliz, por deixar este mundo lúgubre. Me prendo a esperança às correntes da mortes, incerto ao que me espera quando fechar os olhos. Mas à vida já estou habituado, e me agarro à morte desconhecida, pois a esperança brota do desconhecer, sendo a última morrer e nos levando junto dela.
Sentado sob a sombra desta figueira velha, observo a natureza com volúpia, proseando comigo mesmo no silêncio dos sofredores. Deixo a vida que me foi concebida sem meu livre arbítrio, e escolho a morte como um direito de escolha, encerrando minha participação no teatro da vida. És chegada a hora da vida me retirar. Chamo-a Oh, morte, onipresente, me acalente em seus braços, sufoque esta dor no limbo do desconhecido, e leve-me para o mundo daqueles que já se foram, e daqueles que ainda não nasceram, que repousam no seio do nada neste exato momento, então ser-me-ei confundido à morte, aos olhos daqueles que ainda vivem...
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