A depressão voltou mais intensa, e com ela agonia de existir se intensificou, a vontade de sumir está ficando insuportável. Tudo que sempre desejo é voltar a ser a criança feliz que morreu dentro de mim. Tudo que amei, amei profundamente, talvez seja essa a fonte do meu sofrimento, pois o ato de lembrar-se dos tempos de outrora colabora mais ainda para que a depressão me arraste para a escuridão. Muito disso é por minha causa mesmo, apenas colho aquilo que plantei nesta vida. Tenho minha família, mas não consigo sorrir com eles, são de mundos distintos que o meu. Então me fecho aqui dentro e fico à minha própria sorte, caminhando errante por um mundo que reflete meu vazio interior.
Estou só, dependo somente de mim, mas a minha vontade não vive nesta vida. Cada vez menos eu vejo motivos pra continuar uma luta sem sentido. Não tenho vontade de conhecer lugares, fazer coisas diferentes, pois tudo parece ter aquela sensação de déjà vu, mais do mesmo. A sensação de coisa nova, de viver algo novo, no fundo, é apenas uma repetição de sensações… ou talvez apenas o jeito que eu estou olhando para as coisas. Mas não consigo olhar a vida como todo mundo, não vejo tantos motivos pra estar sempre sorrindo, não tenho mais essa vivacidade. Não tenho ambições, não desejo nada, minha vida tornou-se a personificação do ócio.
Preciso seguir em frente, mas ando sem forças ultimamente, cansado dessas lutas diárias sem sentido. Minha mãe e meus amigos olham em meus olhos e dizem não verem o brilho da vida, que há muito não sorrio sinceramente, sempre fingindo estar bem, sendo que na verdade nunca estive. Estou cansado, cada vez mais cansado. Mas preciso continuar vivendo por algumas pessoas — até quando eu não sei — mesmo que viver seja uma tortura para mim. Gostaria de ser egoísta, pensar somente em mim, mas não consigo, infelizmente não consigo. Tudo que posso fazer é tentar tornar está vida ao menos suportável, viver pelas pessoas que me cercam, engolir esta vida até que chegue a hora…
Enquanto isso as lágrimas insistem rolar pela minha face chorosa todas as vezes que abro os olhos depois de acordar…
“Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar das fontes igual à deles;
e era outro o canto, que acordava
o coração de alegria
Tudo o que amei, amei sozinho”
Edgar Allan Poe
Poxa, sei que não devia achar a sua confissão legal, mas a minha vida inteira eu tive este sentimento. Você não está sozinho :)
ResponderExcluirProcura ouvir "The last day of summer - The Cure" e a tradução também.
Obrigado por seguir o meu blog, está convidado a ir lá quando quiser.