Quis compreender, quebrando estéreis normas, a vida fenomênica das formas, que, iguais a fogos passageiros luzem... E apenas encontrei na ideia gasta, o horror dessa mecânica nefasta, a que todas as coisas se reduzem!
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Noite silenciosa, melancólica como uma triste poesia, vêm acendendo as estrelas que só através de ti consigo vê-las com felícia melancolia. Traz consigo a brisa mística do vento que sopra meu corpo misteriosamente, fazendo de minha mente um oceano de tristeza. Sou louco por ver mistério em tudo; sou triste por não saber ser mistério de mim mesmo. As estrelas me observam das infinitas alturas, devolvo-lhes meu olhar súplico, símbolo de angustia profunda por não saber da verdade que por trás de mim se oculta. Ah, e este silêncio lúgubre que me envolve na loucura de pensar, que quanto mais silencioso, mais barulhos parece fazer. Não compreendo a linguagem silenciosa do universo, então componho versos sobre o pesar que aqui se faz. Afasta-te de mim demônio da razão; deixe-me ser como as plantas que para si mesmas são completas por nada disso saber. De onde vem tanta tristeza, que com pesar se faz beleza, e vicia-me na destrutividade que causo em meu próprio ser?
domingo, 24 de novembro de 2013
Com as mãos trêmulas, angustiado por sensações de não sei o quê, tento descrever a mágoa infinda que se faz no núcleo de meu ser. Encarcerado pela cela do silêncio sepulcral, envolvo-me ao meu intimo vazio existencial e caio sem nunca cessar no abismo infinito de mim mesmo. O peito amarra-se em laços de dores latentes, o cansaço mórbido injeta a peçonha do desânimo nas forças que tenho usado para seguir; e lânguido, vazio como o imenso universo, cavo minha própria sepultura num suicídio a cada dia. Morre-me em mim as vontades de viver; morre-me em mim os desejos de continuar a ser. A nevrose fúnebre de minha mente cobre a refulgência da essência da vida que aqui se faz, apagando a pequena chama que brilha cansadamente em meio ao negrume de meu ser. Sou a escuridão que meus olhos enxergam, sou o reflexo de uma morte precoce que mata paulatinamente a si mesma. Ouço os pingos finais da chuva que lá fora cai melancolicamente; melancolicamente pois tudo tenho como melancólico, até o mais belo dos sorrisos, até o mais felizes dos instantes esconde-se uma tristeza que parece nunca deixai-me viver o ser feliz. Viver. Talvez eu seja isto, o meu viver seja ser triste, ser o oposto de quem é feliz, o contraste com a beleza da alegria, o exemplo vivo que não deve ser seguido. Como cheguei a tal estado eu não sei, sei apenas que penso não saber, talvez para não ter a responsabilidade de minhas escolhas de que fui eu o próprio coveiro que se sepultou. Sou triste por ser apenas eu, encontrei-me na solidão, mas me perdi na escuridão. Sou a angustia de viver, sou o mal que há de ser em si mesmo a personificação do entristecer. Vozes estranhamente desconhecidas sussurram em meus ouvidos. Os milhares de eu's que aqui carrego sinfonizando a orquestra arrepiadora do sarcasmo em mais uma noite de insonia. Penso desejar morrer, mas não sei o que significa morrer, então nem mesmo sei o que penso eu saber. Vejo a morte como um sono, mas a essência do sono está em despertar, e morrer é não despertar, então não se pode comparar a morte ao adormecer. Não se pode comparar a morte dentro de nenhuma experiência. Outro desejo me cobre o ser, o de não-ser assim como os não-nascidos. Mas o que sei eu do desconhecido se nem mesmo me conheço, como posso desejar o que desconheço? Vejo-me como um pobre fujão que tenta encontrar saídas desta vida malsão, criando teorias das quais não acredito, pois sei que no fundo não sou eu mesmo, nem mesmo sei o que aqui escrevo. Então meu único e verdadeiro desejo é que um dia acabe este terrível pesadelo.
sábado, 23 de novembro de 2013
O augúrio de meus pensamentos prenuncia o mistério que se move pela mente, carregam consigo o mistério pensante de todas as coisas viventes. Eu, lúgubre, sozinho como sempre fui, sozinho como sempre serei, envolvo-me nos eflúvios poéticos de minha frases que surgem do nada absconso do mundo das ideias de meu ser. Sinto a intensidade de meus pensamentos como uma tempestade furiosa, mas cai-se os pensamentos na língua mulambenta, e tropega falha em expressar suas absolutas sensações. Sinto ao pensar, mas não sinto ao falar. Dói me a consciência como se pústulas a infectassem com a maldição da razão de pensar e questionar. Quero gritar ao mundo minhas verdades que comigo trago, mas ao escorrer os pensamentos pelos cominhos que os fazem palavras, perdem sua potencialidade, deixando-me na cruel e insistente vontade de ser entendio, assim como o mudo quando abre a boca querendo falar, mas se frustra intensamente ao perceber que ninguém entende uma única palavra que sai de sua boca. *** Escrever, tal arte esta que me encanta, nos faz reler os que já estão mortos como se conversássemos com vossas almas. Das estalactites obscuras do inconsciente tiramos mundos e ideias que expressamos em meias palavras lânguidas para que leiam o íntimo mais verdadeiro de nosso ser. É um ritual que, quando lemos alguém, comemos sua carne imaterial e nos tornamos uno com seu ser mais intimo que há de existir. Mas incomoda-me escrever somente o que já existe. Se falo de árvore de ouro, uso o ouro para juntar a árvore e formar algo que de fato não existe, mas o outro existe, e a árvore também. Instiga-me, perturba-me profundamente a vontade de querer ser mais, de pensar além do mais do mesmo, ir além da experiência e trazer ao mundo ideias que ninguém jamais pensou. *** Penso, ando sempre pensando, mas não é pensar em coisas cotidianas, e sim, penso na consciência do pensar e na natureza que o faz nascer. *** Dói em mim muito mais a consciência de sentir e pensar que as próprias das sensações em si... *** O que é ser? Pergunto-me, mas nunca acho resposta. Observo uma flor e dela seus brotos nascem espontaneamente. Olho para mim mesmo e vejo que ser eu é o mesmo que ser rosa; meus pensamentos brotam naturalmente como os brotos da rosa. A inconsciência da rosa provém de sua natureza de ser inconsciente, e talvez minha consciência tenha como trabalho apreciar a inexistência da rosa, pois ela não sabe que existe, e só existe porque eu a percebo como existente.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
A magistral canção da dor funérea sinfoniza neste peito vazio e sem vida as notas da triste despedida, e que em minhas lágrimas se despida a infinda dor da vida que trago enclausurada em todas as moléculas do meu corpo. Sorrio. Sorrio pois eis que trago fim a esta chaga medonha que tanto manchou minha vida com peçonhas mais peçonhentas que todos os venenos de todas as serpentes. Renego-te dor infinda, renego-te vida medonha, pois eis que me sepulto nesta tarde de outubro, entre as árvores e ao som vento, retornarei ao fecundo ventre da inexistência e serei confundido à morte na potencialidade de seu mistério.
Ruge a lâmina fria no pescoço, brilhando ao sol poente como a luz da esperança, misturada ao sangue quente como simbolismo da vingança à dor que tanto me devorou em vida. O líquido rubro se mistura a terra, as vestes se encharcam suavemente, aquilo que chamam de sangue para mim é o simbolismo do sofrimento me deixando, enquanto a liberdade vem estampando aos poucos a paz que dorme os mortos.
E no último suspiro, imerso na imaterialidade da escuridão, ouço o cantar dos pássaros, sinto ainda a brisa suave do vento, a terra úmida pelo sangue se faz una comigo ao fim de minha existência, e se vai o último suspiro num grito de alegria junto aos sons da natureza.
Ruge a lâmina fria no pescoço, brilhando ao sol poente como a luz da esperança, misturada ao sangue quente como simbolismo da vingança à dor que tanto me devorou em vida. O líquido rubro se mistura a terra, as vestes se encharcam suavemente, aquilo que chamam de sangue para mim é o simbolismo do sofrimento me deixando, enquanto a liberdade vem estampando aos poucos a paz que dorme os mortos.
E no último suspiro, imerso na imaterialidade da escuridão, ouço o cantar dos pássaros, sinto ainda a brisa suave do vento, a terra úmida pelo sangue se faz una comigo ao fim de minha existência, e se vai o último suspiro num grito de alegria junto aos sons da natureza.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Olhos lúgubres que carregam dores profundas. Um andar sombrio que simboliza a canseira moribunda, este sou eu rumando ao pôr-do-sol dos que já estão mortos. Caminho triste, desolado, por tempos que parecem a eternidade. Nódoas terríveis se fizeram em minha alma desolada, pústulas cresceram em meu jardim, e as flores morreram com o fim da alvorada. A aurora morta foge, e em si levou a luz consoladora, deixou-me na frialdade dos horrores e a noite vêm silenciosa, ludibriosa, dar vida aos meus temores. Revestido pelo manto negro, o sórdido silêncio fatal, ferindo meus ouvidos num ritmo entristecido, mergulha-me na paz funérea da noite sepulcral. Anjos ainda permeiam os caminhos de minha vida, são pequenos pirilampos que brilham na profunda escuridão; alguns já se apagaram, outros ainda vivem, outros ainda virão, e todos sempre tentando tirar um sorriso de minha triste face malsão. Agradeço-os pelas suas doces existências, seres de luz que lutam para que eu não perca a essência do pouco de vida que ainda resta em mim. Mas como tudo nesta vida passa, eu, poeta sombrio, ei de seguir sozinho na solidão que é meu destino. Sigo de coração confiante, cravado em meu peito vossas doces lembranças que tivemos neste mundo horrível. Sinto que cheguei à minha estrada final. O calvário já aponta no horizonte, e poderei retornar para a essência de minha fonte primordial. Só quero descansar para todo o sempre. O sangue cravou em meus caminhos, pegadas tristes que ficaram, e todos vão lembrar pelas nódoas rubras que deixei, que neste mundo passou o ser mais triste que já imaginaram. Morre-me a voz amigos. Morre. Morre-me os sentidos paulatinamente. Morre. A navalha chia tristemente na pele. O escarlate intenso do sangue se faz concretizar o destino que me foi confiado: o de suicidar-se. De dor, por entre a dolorosa ferida, eu balbucio, trêmulo, rangendo os dentes num profundo e doloso tormento. Depois, como um beijo que me consola, uma voz soluça na memória, suave como a sinfonia dos pássaros quando cai a aurora, e dos lábios misteriosos da morte cai um beijo. Bendita seja a morte! A minha vida se faz intensamente nos últimos instantes em que eu expirava. O pescoço rubro, aberto feito uma boca disforme, grita seu pesar para o mundo que dorme, acordando-o para mais um triste funeral. Os pássaros cantam em despedida. O vendo lamuria a cântico sepulcral. Lá se vai mais uma alma atormentada repousar no manto misterioso em que se oculta à morte...
Estranho viver num mundo onde aquilo que sustenta toda a vida, aquilo que é o néctar de toda a existência é a cicuta que sou é obrigado a tomar todos os dias. A repulsa pela respiração se torna tão grande que o próprio ato de expirar o ar de meus pulmões, a expiração que simboliza à morte, o fim, é aquilo que me tira um sorriso sincero. Minha vida passa a ser a morte, e a vida em que passo encarcerado pelas grades do cotidiano se torna a pior morte que há de existir. Viver é hoje é não viver. Um sentimento profundo de deixar esta vida é o que carrego dentro de mim. Já não sei como achar a saída deste labirinto em que entrei, e começo a me convencer que sou é a própria tristeza que veio para este mundo a fim de complementar e objetivar a alegria dos outros. A alegria é minha doença, e a tristeza minha única saúde. Viver é uma tortura que me atormenta todos os dias. A relatividade da vida me deixa maluco. Sorrio ironicamente quando vejo pessoas em situações piores que a minha e ainda sorrindo e prezando por mais um dia de vida, enquanto tudo que tenho feito nesses últimos anos é pensar em deixar de viver. Tenho um profundo desejo pela morte, não somente pelo desejo de pôr fim a dor que me assola, mas um desejo poético e filosófico. O ponto final, a despedida é onde a vida se fecha e se completa e todos os seus caminhos tomam um sentido. Vivo somente pela imaginação de senti-la tomando minha miserável vida aos poucos. O derradeiro momento de se entregar ao desconhecido, mergulhar na imaterialidade da inexistência, e talvez sentir a vida nos últimos suspiros como se valesse a pena viver... Meu grande pesar vem da obrigação de ter que viver. De ter que prosseguir mesmo querendo partir. Se minha partida não afetasse as pessoas que me cercam, então a vida seria uma coisa linda para mim, pois deixaria de vivê-la quando bem entendesse... Viver hoje é viver por obrigação...
Não tem sido tempos fáceis. Há muito a vida foi motivo de orgulho. Só o que tenho em mãos hoje é a angustia de tê-la de suportar. Lembranças de outrora em que eu brincava no jardim sob a luz calorosa que se levantava da aurora, hoje não passa de reflexos num espelho torto, disforme, como quando despertamos de um sonho e a mente não consegue formar as imagens com coerência, e a medida que os anos vão avançando menos nos lembramos de tais sonhos. Assim são as lembranças que possuo adormecidas dentro de mim. As únicas coisas que podia chamar de vida hoje já não passam de pesadelos em que, por mais que eu corra atrás delas, parecem se distanciar cada vez mais. Os dias passam como nuvens obscuras que me impedem de enxergar a maravilha do dia. Só o que vejo é trevas. O mundo parece ser um reflexo de mim mesmo, pois estou morto por dentro, e o mundo parece ter morrido junto comigo. Por mais vivacidade que a vida irradie, meus olhos converte em morte tudo aquilo que eles observam. Tudo está morto, assim como a chama que carregava em meu âmago. O próprio ato de respirar me enche de repulsa. Aquilo que é o néctar de todos os seres é a cicuta que sou obrigado a tomar todos os meus dias. Já são tantos anos nesse mundo vazio que penso que a tristeza é minha única alegria e a felicidade é uma doença. Estou cansado, realmente cansado de tudo. Só quero poder deitar aqui e dormir em paz.
sábado, 5 de outubro de 2013
Sôfrego, ávido, tento formular a síntese de meu ser, e nas crípticas absconsas das ideias que me arquitetam, só encontro nas bases de minha estrutura interior uma insistente vontade de não ser, de possuir o que não existe, de viver o que não vivi, ser o outro que havia de ser. Morrendo de saudades do que nunca foi, eu sou aquele que vive na inexistência das coisas; Aquele que suspira com volúpia ao imaginar o mundo sem sua consciência para adorná-lo com falácias que só existem eu meu próprio ser; Sou a mentira de mim mesmo. Não sou quem sou, gostaria de ser quem não sou, pois sei que sou alguma coisa, talvez minha essência seja ser outro, e no ser outro eu encontro a mim mesmo; e no fundo desta bagunça incógnita que trago em meu ser, sinto a vontade de viver se manifestar no desejo de deixar de viver. Sou a contradição de mim mesmo...
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
São tempos estranhos, mórbidos, estes em que, preso às suas celas invisíveis, passo meus tediosos dias nublados. Quem sou eu neste ergástulo temporal da vida? Não sei, nem acho que sei o porquê não sei. A matéria de meu ser viaja pelo espaço rumo a lugar nenhum, perdido no absconso mundo sem ser e sem forma do tempo e espaço. Fecho meus olhos e estendo minha imaginação ao infinito e mergulho no orbe atemporal da consciência, e vejo dentro de cada pensamento revelarem-se universos imaginários tão reais quanto este em que se faz a solidez da matéria bruta. É tão estranho, maluco, mas já não sei em qual destes universos meu ser habita; se sou apenas uma imaginação de mim mesmo, ou o sonho de um Deus entediado. Ando perturbado, ideias me cobrem o ser, e a insanidade parece estender-me os braços quando percebo, em noites de profundos desabafos, a sensação de ser o efeito de minhas ideias, a causação de meus pensamentos, ser imaginário de mim mesmo. Estou completamente perdido em meu próprio ser. Mas como dizia Fernando Pessoa: "Perder-se também é caminho". Então eu trilho na solidão de mim mesmo, revolvendo dentro de minha alma, nesta bagunça memorial que eu carrego, tentando encontrar quem realmente sou... São tempos estranhos estes em que, entre olhares que se esbarram pelas ruas, universos de possibilidades se formam numa dança invisível que molda todos os caminhos da existência. Será que somente eu estou vendo a valsa universal que se revela por trás de cada pensamento humano, de cada escolha que tomamos; E que o mais ínfimo ser é tão significante para a vida quanto às estrelas que refulgem no universo. Perturba-me a consciência quando vejo se desprender das árvores as folhas que cumprem seu tempo de vida, e estas tamborilam pelas calçadas das ruas que, por conseguinte, afetam a vida daqueles que com elas entram em contato, mudando completamente o rumo da vida que esses seres levariam caso não às encontrassem... *** " O cair de uma folha, o bater de asas de uma borboleta é tão significante para a existência quanto qualquer outra coisa. Toda vida se conecta numa teia invisível que nos liga às nossas escolhas. Tudo está interligado. Dizer sim há um instante é dizer sim a toda a existência" *** São tempos estranhos estes em que, em noites que a consciência descansa no profundo sono, vejo-me desperto no mundo onírico cercado de reminiscências que formam um composto aglomerado de tudo aquilo que eu vivi. Como quem assiste um filme, eu vejo minha vida acontecendo simultaneamente em quadros que preenchem a tela de minha mente. É tão estranho, divino, mas quando me entrego a estas lembranças, entendo o panteísmo de Spinoza, pois me ligo a singularidade de todo o universo que carrego dentro de mim, de todas as coisas que vivi, e percebo como a passado só existe para a mente, onde tudo acontece ao mesmo, e você é o Deus de seu próprio mundo. Aquilo que chamam de sonhos, coisas irreais, eu chamo de o mais profundo que há de existir no ser. É a realidade mais pura do si mesmo, é tão real quanto esta em que julgam ser a única, pois sua realidade consiste em não despertar, e em quanto corpos de sonhos é tão possível e sólida quanto qualquer outra. Desperto novamente ao mundo material, sinto cair das estalactites abstrusa das profundezas da consciência, um pensamento que me faz estremecer o corpo inteiro, mas este esbarra na languidez da língua, e a linguagem limitada não consegue expressar tamanha intensidade que possui tal pensamento. Então somente fico a indagar, incomodado pela profunda e reveladora intuição do pensamento não expressado, se esta vida também não seria apenas um sonho. Ah, nem sei mais o que pensar, nem mesmo sei se penso, ou se penso que penso não saber o que pensar. Só existe uma confusão e um estranho sentimento de estranheza por todos os lados. Eu sou o estranho, ou realmente são tempos estranhos. Quem sou eu neste ergástulo de meu ser? A incerteza de mim mesmo; a imaginação de mim mesmo; as lembranças que eu carrego; aquele que já não sonha, pois se tornou seu próprio sonho; a saudade do que não sou; a melancolia do vir-a-ser; a imaginação de meus próprios pensamentos; aqueles que passaram pela minha vida; O Tudo e o Nada...
São tempos estranhos...
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
A vida desengana a esperança quando não se realiza aquilo que esperávamos, e quando realiza-se nossos desejos, e se cumprem nossos sonhos, é somente para tornar a nos tirá-los. A vida se apresenta como um mimo por nos conceder a existência, quando na verdade, não passa de uma tarefa que tem de se cumprir à força de trabalho, onde temos de suportar um fardo que nos é dado sem nossa permissão — a perda da vida que ganhamos pela sobrevivência da mesma — e que, ironicamente, ainda temos que agradecer pela árdua existência concebida para depois despachá-la, pois parece-me que o verdadeiro fim da vida é livrar-nos dela. Enquanto isso, a morte assiste a grande mentira da vida, que nada mais é que a efemeridade de uma morte precoce, e divertindo-se com a presa antes me comê-la. Não vivemos porque amamos viver, mas por não termos escolha, pois se pudéssemos prever de antemão nossa árdua batalha vindoura sem sentido, menearíamos a cabeça em sinal de renúncia à vida, e continuaríamos a dormir na quietude que reina no seio do nada. Em outras palavras, a vida é uma grande zombaria...
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Sinto a angustia intermitente abrasar-me a consciência perturbada. Saraivadas de agonia me diluem em dores latentes. O incisivo desejo de sumir mergulha-me na solidão mordaz, e vozes crípticas, sardônicas, caem das estalactites obscuras dos infinitos da mente, sussurrando o augúrio em tons ludibriosos e irônicos e guiando-me ao vale absconso das ideias suicidas. Como um cancro na consciência o silêncio abre as portas que trancafiavam minhas mais profundas dores vividas, libertando as quimeras que custei para trancafiá-las. Sinto percorrer pelo corpo a sensação de ser outro, um ser desesperado, angustiado pelo sentimento de se perder em si mesmo. Hirto, vejo-me impossibilitado de lutar contra este pandemônio que me possui, e apenas assisto a efeméride da tristeza, que como vermes comem minhas partes carcomidas, sobrando apenas o chocalho dos ossos numa casca biológica vazia. Meu corpo tornou-se a morada da morte, transubstanciando meus pensamentos na essência profunda do pessimismo. Estes, que como pústulas na consciência, devoram a carne imaterial de minha alma. Destruindo a si mesmo, eu vivo uma batalha constante... A súmula de minha vida resume-se na dor, e as poucas coisas que um dia existiram de bom, parecem não passar de ilusões, e o passado em que abriga estas lembranças é somente um sonho lívido do desejo de ser feliz. De minha boca palavras saem como pústulas de asas que voam até os ouvidos alheios, contaminando o terreno fértil da felicidade que é cultivado no mundo interior dos outros seres. Já não sinto, nem mesmo sou, nem mesmo sei quem fui, a única coisa real é o sentimento de morte que carrego dentro de mim, como se estivesse eternamente de luto, lamuriando no funeral mais triste que há de existir, aquele do qual você assiste a si mesmo, ainda em vida, sendo enterrado pelos coveiros lúgubres. Percorrendo pelas minhas veias, sinto sangue transmutando as moléculas em zumbis famulentos, simbolizando-os em servos da podridão que hão de comer meu corpo malsão na profunda sepultura que cavei em meu ser interior. Não tenho mais medo da morte, pois carrego a morte em mim. Acorrentado em dores melancólicas, grito dos portões de meus infernos o prenúncio da desgraça que a de me devorar depois da morte, pois tamanha é a dor que não cabe neste corpo material. Carregarei comigo, como um irmão siamês, a companhia da infinita dor existencial. Quem sou, neste ergástulo da vida - pergunto-me. Sou a própria dor, desde a epigênese da vida..
“Desde então para cá fiquei sombrio
Um penetrante e corrosivo frio
Anestesiou-me a sensibilidade
E a grandes golpes arrancou raízes
Que prendiam meus dias infelizes
A um sonho antigo de felicidade!”
“Meu coração, como um cristal, se quebre,
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!”
“Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a alegria é uma doença
E a tristeza é minha única saúde.”
"Dizes que sou feliz. Não mentes.
Dizes Tudo que sentes. A infelicidade
Parece às vezes com a felicidade
E os infelizes mostram ser felizes!"
Augusto dos Anjos
Um penetrante e corrosivo frio
Anestesiou-me a sensibilidade
E a grandes golpes arrancou raízes
Que prendiam meus dias infelizes
A um sonho antigo de felicidade!”
“Meu coração, como um cristal, se quebre,
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!”
“Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a alegria é uma doença
E a tristeza é minha única saúde.”
"Dizes que sou feliz. Não mentes.
Dizes Tudo que sentes. A infelicidade
Parece às vezes com a felicidade
E os infelizes mostram ser felizes!"
Augusto dos Anjos
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Há momentos em que por mais forte que você tente ser, tanto mais esforço pra suportar cada dia, mais fraco você vai ficando. O desânimo lhe consome por completo. A cada tombo a vontade de fazer as coisas perde a metade do interesse, e quando se conquista alguma coisa logo somos impulsionados a desejar de novo, criando todo o mesmo processo de luta porque o que obtemos é somente uma satisfação passageira, pois a natureza humana é por essência desejosa das coisas que não se tem; e neste processo, algumas pessoas entendem como é vazia e sem sentido a vida. Uma ilusão. Tão terrível sobrevivência que só nos desanima, nos faz querer desistir e acelerar um processo do qual já estamos todos sujeitos. Não é a vida em si que me desanima, e sim essa rotina da qual estamos todos presos, a sobrevivência por ela. Sinto-me preso dentro da vida. Lutamos por uma sobrevivência sem sentido, derramando nosso sangue em lutas diárias que só nos desgastam. Mas para quê? Viver em prol de ínfimos momentos de felicidade que passam por nós como se nunca tivessem existido, pois tamanho é o esfalfar de nossas vidas que isto ofusca a alegria que temos. Somos todos masoquistas, machucando a nós mesmos em prol de prazeres que, se comparado com o sofrimento que o mundo nos causa, são como partículas daquilo que seria um universo inteiro de dor. Não sentimos a ausência da felicidade, somente a nostalgia que ela nos causa, e entendemos que a dor consiste essencialmente na alegria quando revivemos lembranças de um tempo distante. A dor parecer ser a única coisa positiva nesta vida, positiva no sentido de que quando ela passa, ainda continuamos a sentir as cicatrizes que ela nos deixa. Ela é positiva por ser a mais presente em nossas vidas. Fazemos planos para um futuro como desculpa para suportarmos um presente que, ironicamente, era o futuro de ontem. Não há futuro, somente um presente do qual sempre iremos querer fugir. Seguimos empurrando a sobrevivência na intenção de que aquele que suportar todos os males até o fim, a vida será generosa, por assim dizer, para com quem a suportá-la. Corremos, corremos, e a vida passa, mas continuamos a correr sem desânimo atrás da tão sonhada felicidade na convicção de que o mundo acabará por se mostrar generoso para quem correr sem desânimo, e quando por fim, descobrimos que o labirinto só aparentemente tende para o ponto que evitamos enxergar o tempo todo, a ilusão. Descobrimos que gastamos nossas forças a realizar um trabalho perfeitamente inútil, mas é muito tarde para recuarmos. Por isso não é de se espantar que os mais lúcidos saiam de cena mais cedo deste teatro que é a vida. Se dissermos que se trata de uma ação imoral e egoísta, não devemos esquecer que a imoralidade de um homem não poderá, nunca, competir com o maléfico da ordem da vida... "Viver é corre atrás do próprio rabo sem nunca poder alcançá-lo. Viver é não ter escolha.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
A tristeza por sobre seus ombros caiu como brasas que queimam a pele, deixando nódoas horríveis em sua obscura alma fria, que quanto mais vivia, mais vontade tinha de ser morto. Engolido pelas trevas deste mundo lúgubre, você carregou a dor infinda da tristeza profunda, sempre trazendo nos olhos o brilho fúnebre de um castigo não merecido de ter de suportar tão terrível infelicidade. Tu chegaste ao seu calvário em dores latentes, que diluíram a chama da vida que queimava em seu âmago, e entregastes sua cruz com manchas de sangue que simbolizaram a mais terrível das tristezas. Amigo de amizade profunda, descansa, dorme o sono sereno dos mortos, aguarda-me no berço dos que não-são, pois logo eis de me deitar ao seu lado, e juntos seremos vistos como um só, confundidos eternamente à morte... Vago errante pelas áscuas desta vida nefanda, levando no peito as vívidas lembranças de outrora, de quando no campinho jogávamos bola, ou de quando estávamos a caminhar pela mata de eucaliptos. Seguro as lágrimas ao escrever estas palavras, pois sei que elas não são dignas de cair pela sua ausência, pois lembro-me muito bem, quando me disse numa noite em que as estrelas pareciam brilhar desesperadas, você dizer que teu sonho era dormir na paz dos mortos. Em noites em que o céu límpido se apresenta, sem a interferência das nuvens turbulentas, observo as longínquas estrelas, e exteriorizo sua memória nestes imensos astros que talvez também já nem existam, e fico na ilusão do brilho que chega até meus olhos como se você estivesse a me observar de longe. Lembro-me de quando dialogávamos sobre os mistérios do universo, e você sempre tão esperto, criando sempre novas teorias malucas. E uma delas, a que juntos chegamos e hoje tenho como minha filosofia, aquela da qual se une toda a existência na universalidade do carbono, e panteísticamente na singularidade que funde toda a existência em apenas um ser pensante. Esta me faz mais próximo a ti, grande amigo, pois mesmo que sua carne putrefata agora sirva de alimento para os vermes, tu marcastes a existência com a tua existência, de onde todos os eventos que decorrem depois de sua morte me fazem ver — mesmo sem sua consciência — o simbolismo da essência de teu ser preenchendo os caminhos de minha existência; unindo a mim aos teus amigos, e os teus amigos a mim unindo, e criando novas histórias que se estenderão para toda a vida. A saudade bate forte no peito, a melancolia assopra sua triste canção em meus ouvidos, e sem ti ando mais perdido do que quando comentávamos do grande dia derradeiro em que nos veríamos vãos adormecidos nas profundas sepulturas. Sinto uma alegria melancólica ao lembrar que tua dor foi embora, e encolho-me em posição fetal, sendo devastado pela mesma dor que você carregou em vida, buscando uma saída que talvez seja diferente daquela que você escolheu... E sigo pela vida com o desejo de revê-lo, e talvez rirmos da própria desgraça como sempre fazíamos, mostrar-lhe esse humilde texto como representação de sua partida, para que talvez se orgulhe do presente que me deixou em vida, que é este dom de exteriorizar os sentimentos em palavras escritas, mas que, infelizmente, me custou sua companhia... Descanse em paz, irmão...
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Sinto-me estranho, perdido e desolado, caindo num abismo sem fundo, sentindo o odor pútrido dos defuntos, como se eu já estivesse morto antes mesmo de chegar ao meu calvário. Noite estranha esta, permeada por uma quietude que emana de todos os lados, e o mais estranho foi perceber minha mente inconsolável sendo tragada pela paz desconhecida que me apossara. A angustia insistia em lutar contra aquela sensação estranha que me dominava paulatinamente; foi quando vi, pela primeira vez minha consciência, exorcizando os demônios da melancolia, e mergulhando-me no sossego daquela escuridão perene. Logo já não havia dores, a tranquilidade reinou por todo meu ser; eu quis correr, gritar ao mundo que minha paz eu havia encontrado, mas senti pesar as pernas e um formigamento correr pelo corpo, dificultando minha respiração. Eu arfava lentamente, parecia sentir cada molécula de meu corpo recebendo os componentes químicos do ar. Um sentido de transcendência ocupava minha mente, era como conversar com o silêncio do universo, semelhante a sensação de quando compomos uma arte cosmológica em filosofias e versos, e que nos levam a devaneios sobre o cósmico segredo. Só havia escuridão, misturada a sensação estranha de paz que crescia a cada segundo, enquanto isso eu assistia minha percepção de mundo, acompanhada de reminiscências, sendo levadas por um fluxo vibracional que parecia vazar para fora de minha cabeça. Senti-me próximo aos conhecimentos daquilo que Buda sempre dizia, da paz transcendental do Nirvana, pois me sentia em meditação profunda, meus batimentos cardíacos iam diminuindo, e a cada leve respiração, eu sentia o coração bater em sincronia com o ritmo da vida. Uma auto-alienação apossou-se de meu cérebro, e não pude processar, através da dialética da razão, aquele acontecimento único que, sem pedir licença, invadia minha vida. Meu corpo paralisou-se, e como quem submerge das profundezas de um lago, sedente pelo ar, eu senti minha consciência submergindo de mim mesmo para respirar um ar que jamais sentiu na vida. Meus olhos foram se fechando lentamente, e na escuridão dos olhos fechados, eu vi lembranças e sonhos sendo reorganizados numa perfeita ordem que vinha desde meu nascimento. Revivi cada lembrança, sonhei novamente os sonhos de outrora, então fui possuído por um tremendo senso de sabedoria, que parecia a iminência de todo saber humano, como se eu tivesse total controle sobre o mundo e conhecimento sobre o universo. Percebi que os sons das batidas de meu coração foram ficando mais alto, até tornar-se universal, como se fosse o próprio universo estivesse sacudindo e dando os movimentos que a vida necessita. Meu ser pulsava perfeitamente junto a química da vida, e dançava a valsa cosmológica dos astros numa singularidade harmoniosa que entoava a mais delas das canções. De minha vida eu já não lembrava, nem mesmo conseguia entender o porquê daquela visão profunda e reveladora sobre os maiores mistérios da vida. Mergulhado no negrume desconhecido, envolto pela sensação de ser a própria vida em si, escutei lamúrias abafadas que pareciam vir de longe. Choros e clamores pareciam estar sendo direcionados a mim. Logo em seguida eu me sentia sendo diluído em meio ao nada, e se pudesse sorrir, teria ostento o mais belo dos sorrisos, pois tamanha foi minha alegria ao sentir como uma luz no fim do túnel, aquela que sempre esperei em vida... era a morte vindo me buscar.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Observando o crepúsculo que anuncia a
escuridão, escuto os corvos que grasnam em comunhão com a
desatinação, prenunciando o augúrio da desgraça cotidiana, de
mais uma noite afogado em agonias da mente. Os últimos raios de sol
são engolidos pela escuridão vivaz, e vejo-me sendo apagado pelo
negrume da noite silenciosa. O vento sopra gélido, lamuriando uma
canção fúnebre em meus ouvidos, eriçando as penugens do corpo e,
simbolicamente, soprando a vela da vida que ainda queima em meu
âmago. A luz se apaga e só o que vejo é trevas; sem corpo, sem
alma, apenas uma substância que pensa perturbadamente sobre as
lástimas da vida, envolto pela imaterialidade da escuridão.
O desejo de buscar a estrada menos
percorrida, impulsiona a sofreguidão pelo momento de minha partida,
misturando sentimentos de incerteza, junto à tristeza que consome a
mente por pensar naqueles que em mim tanto confiam. A morte brilha
sua luz desconhecida no horizonte, e a vejo como um anjo que um dia
há de me acalentar em seus braços no mundo da inexistência. Aqui
na escuridão eu me deito, e vejo passar a vida a que todos as
pessoas se deleitam, sorrindo ironicamente pela minha desgraça, pois
sou apenas um homem quebrado, cuja a alma busca apenas o descanso o
qual repousa silenciosamente todas as almas que já foram levadas
pela morte.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
As notas do piano entram pelo seus ouvidos trazendo consigo as chaves da tristeza profunda. Vagam pelos labirintos do encéfalo, abrindo as portas que trancafiam as crípticas lembranças de outrora que, depois de libertas, liquefaz a mente e libera os lúgubres efeitos da depressão que o transformam no mais infeliz dos seres viventes. A melodia lhe devora sutilmente, envenenando seu coração com a mais bela melancolia. Você se vê preso ao vício de sofrer, mas não possui forças para se libertar, pois profunda tristeza lhe dá um sentido que o faz se sentir seguro dentro da escuridão. Aquilo que lhe arrasta para o buraco é exatamente aquilo que faz teu ser profundo.
Seu crânio se esvazia perante o poder da melodia envolvente, fundindo a si mesmo na bela canção dos homens tristes, revolvendo dentro de cada pensamento os vestígios do que antes era pertencido ao cosmo da felicidade, e transmutando a luz em escuridão na potencialidade de tudo quanto é morto. Agora você se tornou a pura essência da tristeza, tornou-se um com as notas do piano, e juntos somam a mais lutuosa e bela das cancões do mundo. Você perde os limites de seu corpo que se estende junto às notas que ressoam pelo quarto e fogem pela janela, tocando nos corações pequeninos dos pássaros que cantam alegremente, e em união com a tristeza, todo cessam o cantar e envolvem-se na melodia contagiante. A esfera melancólica se alastra pelo mundo a fora, enquanto você vaga pelas ondas do sons que manipulam os corações dos seres da terra. Antes que as últimas notas sejam tocadas, você escuta o universo sepulcral de todas as espécies sofredoras, que clamam como um único ser melancólico a tristeza universal que une em escala cósmica toda a existência nas notas daquela melodia cortante...http://www.youtube.com/watch?v=TVaPlpPDfYs
Seu crânio se esvazia perante o poder da melodia envolvente, fundindo a si mesmo na bela canção dos homens tristes, revolvendo dentro de cada pensamento os vestígios do que antes era pertencido ao cosmo da felicidade, e transmutando a luz em escuridão na potencialidade de tudo quanto é morto. Agora você se tornou a pura essência da tristeza, tornou-se um com as notas do piano, e juntos somam a mais lutuosa e bela das cancões do mundo. Você perde os limites de seu corpo que se estende junto às notas que ressoam pelo quarto e fogem pela janela, tocando nos corações pequeninos dos pássaros que cantam alegremente, e em união com a tristeza, todo cessam o cantar e envolvem-se na melodia contagiante. A esfera melancólica se alastra pelo mundo a fora, enquanto você vaga pelas ondas do sons que manipulam os corações dos seres da terra. Antes que as últimas notas sejam tocadas, você escuta o universo sepulcral de todas as espécies sofredoras, que clamam como um único ser melancólico a tristeza universal que une em escala cósmica toda a existência nas notas daquela melodia cortante...http://www.youtube.com/watch?v=TVaPlpPDfYs
domingo, 1 de setembro de 2013
Abro meus olhos na
treva dos sonhos funéreos, e escuto o grasnar dos corvos moribundos, anunciando
o augúrio da desgraça profunda num lamurio angustiante que estremece até as
bases do universo. Vai-me crescendo a aberração dos sonhos, mergulhando minha
existência num mar medonho, e me vejo à companhia de fetos rudimentares ainda
na placenta, estendendo-me às mãos em choros de tormenta que melodiam a mais
terrível das canções nefandas. Grito em agonia e prantos para que o tormento me
liberte, e apague minha existência malograda na imaterialidade da inexistência
dos que não nasceram. Mas a noite vai crescendo apavorante, e as trevas engolem
todo o universo com violência. Dentro de meu peito a angustia devora cada
ínfimo pedaço de meu ser, e eu luto contra essa universal tristeza, e muitas
vezes a agonia é tanta, que sangue em coágulos escorre pela boca feito uma
cachoeira escarlate. Antolho vejo-me a lutar contra a natureza da angustia
latente, como se fosse um espírito vendo o próprio corpo material sendo possuído
pela legião dos demônios. A tristeza do mundo por sobre mim caiu como uma
praga, e me vi desistindo de lutar, pois criatura jamais derrotará a natureza,
revelando meu presságio infindo, que o homem que é triste, para todos os
séculos existe como uma praga que jamais cessará seu pesar...
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Entre as vozes que lamuriam canções tenebrosas em minha mente, perco-me nos recônditos caminhos de mim mesmo, e crio mundos utópicos de histórias melancólicas que são exteriorizadas entre as linhas fúnebres de meus textos. Hoje, mergulhado no pélago incognoscível da consciência, forço a imaginação e encontro-me diante a mim mesmo na solidão vivaz da fria escuridão do não-ser, soterrado na telúrica negridão das profundas sepulturas. A imaginação abre portas para o teatro nefando, e vejo-me sob a luz do plenilúnio, rodeados de lápides as quais, pela luz da lua, luzem suavemente as almas que ali descansam em paz. Olho-me deitado entre as flores mortas, de face serena voltada para refulgência das estrelas. O vento sopra o augúrio num lamurio profundamente perturbador, como se as almas que descasavam em paz despertassem de seu sono profundo e reivindicassem o direito à morte, negando assim, a vida que lhes tira o cobertor, perturbando-os com a brisa gélida da madrugada.
A lua me observa sorrateiramente das alturas. Ao longe ouço os corvos, carniceiros da morte, cantarem em louvor à morte. O vento cessa seu lamurio e a quietude da noite engole todo o cemitério, envolvendo-me no silêncio que fere os ouvidos, como se gritasse mais do que mil bocas.
De tumba aberta, vejo-me à companhia dos vermes sorrateiros, que dançam em minha matéria fétida, a canção da podridão de tudo quanto é morto. Sinto fisgar no peito uma angustia que diluem em ânsias os pensamentos, que vomitam simbolicamente, a bílis amarga dentro de minha própria boca. É a tortura lastima de ver a si próprio reduzido à putrescência em que todas as coisas se reduzem.
À noite torna-se rubro, e vejo escorrer da lua o sangue fervente de todas as espécies sofredoras. É a natureza chorando em lágrimas escarlates sobre minha sepultura, torturando, mesmo depois morto, minha carcaça com o sofrimento infindo que carreguei em vida. Tamanha dor que carregastes no peito, como Jesus carregou sua cruz até o calvário, eu carrego a tristeza universal que transcende o corpo físico, que continua a entristecer-me até mesmo depois da morte... O sangue escorre pelo cemitério caindo em minha tumba, mergulhando meu corpo vão adormecido no líquido que simboliza a tristeza que não coubestes em meu corpo vivo. Aquilo tortura-me profundamente, então viro as costas e rumo de volta ao mundo real, e quando estou prestes a abrir o olhos, escuto, quase inaudível, minha alma lamuriando em prantos por ter sido acordada de seu sono profundo...
Abro olhos e fito aquilo que parece ser o teto, mas minha visão está voltada para os vestígios de imaginação do velório de mim mesmo. A voz de minha alma despertada pela dor ainda sussurra dentro da cabeça. Sinto o medo percorrer pelas veias, pois, por alguns segundos, tive a sensação de que esta vida é somente o despertar de uma alma sórdida que ainda não chegou até o calvário da paz.
Melhor começar imaginar outras coisas...
A lua me observa sorrateiramente das alturas. Ao longe ouço os corvos, carniceiros da morte, cantarem em louvor à morte. O vento cessa seu lamurio e a quietude da noite engole todo o cemitério, envolvendo-me no silêncio que fere os ouvidos, como se gritasse mais do que mil bocas.
De tumba aberta, vejo-me à companhia dos vermes sorrateiros, que dançam em minha matéria fétida, a canção da podridão de tudo quanto é morto. Sinto fisgar no peito uma angustia que diluem em ânsias os pensamentos, que vomitam simbolicamente, a bílis amarga dentro de minha própria boca. É a tortura lastima de ver a si próprio reduzido à putrescência em que todas as coisas se reduzem.
À noite torna-se rubro, e vejo escorrer da lua o sangue fervente de todas as espécies sofredoras. É a natureza chorando em lágrimas escarlates sobre minha sepultura, torturando, mesmo depois morto, minha carcaça com o sofrimento infindo que carreguei em vida. Tamanha dor que carregastes no peito, como Jesus carregou sua cruz até o calvário, eu carrego a tristeza universal que transcende o corpo físico, que continua a entristecer-me até mesmo depois da morte... O sangue escorre pelo cemitério caindo em minha tumba, mergulhando meu corpo vão adormecido no líquido que simboliza a tristeza que não coubestes em meu corpo vivo. Aquilo tortura-me profundamente, então viro as costas e rumo de volta ao mundo real, e quando estou prestes a abrir o olhos, escuto, quase inaudível, minha alma lamuriando em prantos por ter sido acordada de seu sono profundo...
Abro olhos e fito aquilo que parece ser o teto, mas minha visão está voltada para os vestígios de imaginação do velório de mim mesmo. A voz de minha alma despertada pela dor ainda sussurra dentro da cabeça. Sinto o medo percorrer pelas veias, pois, por alguns segundos, tive a sensação de que esta vida é somente o despertar de uma alma sórdida que ainda não chegou até o calvário da paz.
Melhor começar imaginar outras coisas...
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Você deita na cama procurando pelo sono que foge de ti. O corpo dói. É madrugada, você quer descansar, esquecer um pouco de si mesmo, mas a insônia insiste em não deixá-lo. Então você se levanta e acende um cigarro. Não, você não fuma, mas esta é a fuga mais viável para se livrar da angustia que lhe corrói. As primeiras tragadas e a mente se extasia, levando-o a uma ansiedade louca. Você olha para o seu gato que está deitado na cama, ele lhe devolve um olhar sarcástico, irônico, fechando os olhos logo em seguida como quem quisesse sorrir ludibriosamente. Pena... é isto que você vê naqueles olhos. Outra tragada. As cinzas que caem do cigarro parecem simbolizar sua vida que se esfarela com o sopro do tempo. Você observa o silêncio à sua volta, somente os ruídos do computador e o ronronar de seu gato quebram a quietude da noite. O cigarro chega ao fim, e apenas uma pequena brasa ainda continua a queimar. Aquela brasa é sua vida, queimando sem forças, arrastando-se para os minutos finais de sua existência. O torrão de cinza cai, desvanecendo-se no ar, chegando ao chão somente as partículas do que um dia existiu. A porra das lágrimas lutam para saírem, fazendo as glândulas lacrimais tremerem, mas você prometeu que nunca mais iria chorar, então sufoca toda aquela dor infinda, olha para as partículas de cinza no chão com a ciência e realismo de que vê o reflexo de si mesmo, e sorri ironicamente pelo seu estado lamentável. Você acende outro cigarro. O estalido do isqueiro faz seu gato novamente lhe encarar os olhos, mas desta vez, desdenhoso, como quem quisesse demonstrar raiva pela sua besteira de se afundar na ilusão da nicotina. Agora, com a primeira tragada, você sente a fumaça queimando-lhe o peito, preenchendo o buraco que há em ti, aumentando mais ainda a ansiedade que amarra a corda em seu pescoço. Soprando a fumaça fluídica no ar, desordenada, esta parece simbolizar o fluxo interno de seus pensamentos desconexos, profundamente perturbados como esquizofrênicos num manicômio. Pensamentos sobre a existência lhe assombram, pensar sobre a vida apenas lhe mostra sua condição miserável como ser. Então você afasta esses pensamentos e se concentra na dor incognoscível que lhe devora por dentro, encarando-a na escuridão de seus olhos fechados. Silêncio. Vazio. Na escuridão infinda de seu interior, você mergulha no vazio abissal que lhe consome, caindo pelo que lhe pareceu horas, e talvez, se não tivesse que sair de sua paz funérea, cairia para todo o sempre... O cigarro chega ao fim, despertando-o de sua queda eterna com uma fisgada quente nos dedos. Grande parte das cinzas ainda presas ao cigarro lutam para não caírem, e sua mania de ver significados em tudo lhe diz que é a vida lhe mostrando a torre de sofrimento que carrega dentro de si; oscilando de um lado para o outro, ansiosa para despencar. Você dá um toque leve no filtro do cigarro e as cinzas desabam junto à torre que você sustenta há tanto tempo em seu interior. Dor. Sob os escombros do que resta de si mesmo, você se imagina vagando por entre as reminiscências do que um dia foi motivo para sorrir. A ânsia e angustia fincando agulhas no peito fazem com que você quebre a promessa, e as lágrimas despencam suavemente uma após a outra, lavando sua face em cristalinas gotas melancólicas, molhando as lembranças despedaçadas. Remontando os destroços de si mesmo, como um catador de lixo perambulando pelas madrugas frias, você se despede de si mesmo, pois sabe que quando algo se quebra, jamais voltará a ser como antes. São suas cicatrizes internas que lhe dizem isso. Você deita na cama fitando o que parecer ser o teto, mas sua visão está longe, voltada para dentro de si, onde acontece o funeral de si mesmo. Você perdeu a si próprio, e não há luto pior que aquele que simboliza sua própria morte interior... Hora de dormir, ou pelo menos tentar...
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Não sei se posso chamar isto de felicidade, pois felicidade eu desconheço, mas sinto algo diferente por conseguir exteriorizar meu sofrimento nas páginas cinzas deste blog. Acho que a tristeza está mais intensa hoje, talvez como uma maldição eu consiga somente escrever quando a dor estiver profunda. Em dias assim eu me aprofundo em ansiedades e paranoias que me perturbam, provo de minha angustia o sangue amargo do cálice rubro da dor latente, e trago das profundezas de meu sofrimento, estas palavras simbolizando a desgraça de minha existência.
Sinto-me como um drogado, viciado profundamente na melancolia das músicas tristes. Mas destas não consigo me dispersar, pois, por mais triste que elas sejam, por mais melancólico que eu fique quando eu as ouço, elas entendem minha dor, conversam comigo como uma mãe que acalenta em seus braços o filho temeroso depois de um pesadelo. Dialogamos por horas o sofrimento que compartilhamos, e como uma espécie de intuição transcendental, sinto como se os nobre compositores que descansam nas profundas sepulturas, saíssem de suas tumbas fúnebres para fundir-ser à melancolia de suas músicas. Então sinto pesar em meus ombros, quase não suportando, a tristeza de todos os compositores sofredores...
Desperto em sonhos as umbrais lembranças de outrora, que laçam arames farpados sobre minha pobre existência malograda, lamuriando a melancolia fúnebre no velório de minhas lembranças. Sob aurorais memórias vividas, fito o céu forrado de imagens lívidas de tempos que se perderam no passado e hoje não passam de imagens turvas de quadros mal pintados. Infortúnio desgraçado que me consome dia após dia, deixando-me saudosa nostalgia, e como pústulas na consciência, os espólios da melancolia consomem a vontade de vida restando apenas este vazio profundo. Anátema funérea que se reflete nos sonhos, deixando-me doente; quero morrer para este presente, esquecer este pesadelo o qual se torna cada vez mais medonho. Tão terrível tristeza dilacerante, perturbando o ser pensante como quem perde a mãe querida e chora em desalento desespero, vivendo até os dias finais da vida com a sensação de luto eterno. Pois assim são meus dias, sigo vivendo uma morte eterna, sufocado pela nostalgia que, como um demônio que tortura, arranca-me lágrimas puras da mais profunda das tristezas. Sinto-me morto por dentro, vagando errante por este mundo estranho, guiado pelos ventos que sussurram melancolicamente o cântico fúnebre de meu funeral, pois aqui não bate um coração vívido, e sim o desejo de descansar lívido na paz que repousa os mortos. Vazio profundo que dilui em ânsias a consciência, afundando-me no pélago das pústulas que infectam a essência do que ainda resta para se olhar a vida com bons olhos. Triste caminho este pelo qual sigo, lamentando e revivendo memórias de como cheguei a este lastimável estado terrível. Enquanto o presente passa despercebido, quero morrer no meu futuro, quero abraçar o meu passado como uma mãe que abraça um filho... Os anos se avançam e o sofrimento me consome como vermes que comem a carne putrefata. E quando olho para trás, cego pela escuridão vivaz, fito tempos bons que no tempo sumira. A crônica doença do sofrer sorri ludibriosamente, e sinto como se minha essência fosse a tristeza eterna, fadado a sofrer sem precedência e morto por dentro eternamente. Já não sei mais quem sou, muito menos quem eu era, sinto apenas a vontade amarga como fel de deixar esta vida como quem deixa o tédio.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A depressão voltou mais intensa, e com ela agonia de existir se intensificou, a vontade de sumir está ficando insuportável. Tudo que sempre desejo é voltar a ser a criança feliz que morreu dentro de mim. Tudo que amei, amei profundamente, talvez seja essa a fonte do meu sofrimento, pois o ato de lembrar-se dos tempos de outrora colabora mais ainda para que a depressão me arraste para a escuridão. Muito disso é por minha causa mesmo, apenas colho aquilo que plantei nesta vida. Tenho minha família, mas não consigo sorrir com eles, são de mundos distintos que o meu. Então me fecho aqui dentro e fico à minha própria sorte, caminhando errante por um mundo que reflete meu vazio interior.
Estou só, dependo somente de mim, mas a minha vontade não vive nesta vida. Cada vez menos eu vejo motivos pra continuar uma luta sem sentido. Não tenho vontade de conhecer lugares, fazer coisas diferentes, pois tudo parece ter aquela sensação de déjà vu, mais do mesmo. A sensação de coisa nova, de viver algo novo, no fundo, é apenas uma repetição de sensações… ou talvez apenas o jeito que eu estou olhando para as coisas. Mas não consigo olhar a vida como todo mundo, não vejo tantos motivos pra estar sempre sorrindo, não tenho mais essa vivacidade. Não tenho ambições, não desejo nada, minha vida tornou-se a personificação do ócio.
Preciso seguir em frente, mas ando sem forças ultimamente, cansado dessas lutas diárias sem sentido. Minha mãe e meus amigos olham em meus olhos e dizem não verem o brilho da vida, que há muito não sorrio sinceramente, sempre fingindo estar bem, sendo que na verdade nunca estive. Estou cansado, cada vez mais cansado. Mas preciso continuar vivendo por algumas pessoas — até quando eu não sei — mesmo que viver seja uma tortura para mim. Gostaria de ser egoísta, pensar somente em mim, mas não consigo, infelizmente não consigo. Tudo que posso fazer é tentar tornar está vida ao menos suportável, viver pelas pessoas que me cercam, engolir esta vida até que chegue a hora…
Enquanto isso as lágrimas insistem rolar pela minha face chorosa todas as vezes que abro os olhos depois de acordar…
“Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar das fontes igual à deles;
e era outro o canto, que acordava
o coração de alegria
Tudo o que amei, amei sozinho”
Edgar Allan Poe
Estou só, dependo somente de mim, mas a minha vontade não vive nesta vida. Cada vez menos eu vejo motivos pra continuar uma luta sem sentido. Não tenho vontade de conhecer lugares, fazer coisas diferentes, pois tudo parece ter aquela sensação de déjà vu, mais do mesmo. A sensação de coisa nova, de viver algo novo, no fundo, é apenas uma repetição de sensações… ou talvez apenas o jeito que eu estou olhando para as coisas. Mas não consigo olhar a vida como todo mundo, não vejo tantos motivos pra estar sempre sorrindo, não tenho mais essa vivacidade. Não tenho ambições, não desejo nada, minha vida tornou-se a personificação do ócio.
Preciso seguir em frente, mas ando sem forças ultimamente, cansado dessas lutas diárias sem sentido. Minha mãe e meus amigos olham em meus olhos e dizem não verem o brilho da vida, que há muito não sorrio sinceramente, sempre fingindo estar bem, sendo que na verdade nunca estive. Estou cansado, cada vez mais cansado. Mas preciso continuar vivendo por algumas pessoas — até quando eu não sei — mesmo que viver seja uma tortura para mim. Gostaria de ser egoísta, pensar somente em mim, mas não consigo, infelizmente não consigo. Tudo que posso fazer é tentar tornar está vida ao menos suportável, viver pelas pessoas que me cercam, engolir esta vida até que chegue a hora…
Enquanto isso as lágrimas insistem rolar pela minha face chorosa todas as vezes que abro os olhos depois de acordar…
“Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar das fontes igual à deles;
e era outro o canto, que acordava
o coração de alegria
Tudo o que amei, amei sozinho”
Edgar Allan Poe
Mais uma vez a necessidade de escrever o que estou sentindo pulsa em minhas veias. Outro texto melancólico, cheio de tristeza, que escrevo neste blog (isto está virando uma espécie de diário). Posso escrever em outros lugares, mas é somente aqui que gosto de relê-los; o cemitério dos meus pensamentos…
Estou me esforçando, tentando sair da fossa que entrei, mas a cada escalada, as beiradas se despedaçam e caio novamente, voltando à companhia dos vermes que insistem em penetrar minha pele. O sentimento de realmente não haver esperança está tomando meu ser por completo. A empatia pelas pessoas está começando a se ofuscar pela penumbra dos meus pensamentos. Meus sonhos, coisa que sempre gostei, estão começando a me matar, me fazendo chorar todas as manhã depois de acordar, criando realidades tão terríveis quanto a que estou vivendo agora… Preciso de um emprego, estou procurando, sem ânimo, temeroso pelo que me espera caso eu não consiga me manter no serviço… as coisas só vão piorar.
Caminhando pelo bairro eu pude sentir como nada mais está me importando, nem mesmo o canto dos pássaros, a brisa do vento que tanto apreciei está me fazendo querer continuar vivendo. Qual a diferença entre morrer e viver deste jeito? Que diferença faz morrer literalmente ou estar morto em vida? A morte é a paz de todas as criaturas, não devíamos renegá-la, pois ela nos liberta do cansaço da vida, ser nenhum aguentaria a vida pela infinidade. Ela existe como a única certeza que temos na vida, e podemos escolhê-la caso as feridas da vida estejam insuportáveis. Mas não vivemos sozinhos, fazemos parte de um grupo de pessoas que são afetadas pelas nossas escolhas, e que sofrerão muito com a nossa perda. Um dia morreremos, posso morrer amanhã mesmo, e todos sofrerão do mesmo jeito. A morte é inevitável, então por que tenho de suportar a vida pelas pessoas sendo que um dia elas chorarão em meu caixão independente da minha escolha nesta vida?
Será que no fundo de vossos corações eles estão pensando na dor que sentimos, ou somente na dor que sentirão depois da nossa perda? É egoísmo pensar em si próprio, mas ambos os lados são egoístas de certa forma. Se vivêssemos por mil anos eu teria que suportar a vida por todo esse tempo pelas pessoas, somente para que elas não sofram com a saudade?
Infelizmente ainda penso nas pessoas…
Enfim, não sei mais em que pensar, nunca estive tão mal em minha vida, quero gritar, sumir, desaparecer de algum jeito.
Estou me esforçando, tentando sair da fossa que entrei, mas a cada escalada, as beiradas se despedaçam e caio novamente, voltando à companhia dos vermes que insistem em penetrar minha pele. O sentimento de realmente não haver esperança está tomando meu ser por completo. A empatia pelas pessoas está começando a se ofuscar pela penumbra dos meus pensamentos. Meus sonhos, coisa que sempre gostei, estão começando a me matar, me fazendo chorar todas as manhã depois de acordar, criando realidades tão terríveis quanto a que estou vivendo agora… Preciso de um emprego, estou procurando, sem ânimo, temeroso pelo que me espera caso eu não consiga me manter no serviço… as coisas só vão piorar.
Caminhando pelo bairro eu pude sentir como nada mais está me importando, nem mesmo o canto dos pássaros, a brisa do vento que tanto apreciei está me fazendo querer continuar vivendo. Qual a diferença entre morrer e viver deste jeito? Que diferença faz morrer literalmente ou estar morto em vida? A morte é a paz de todas as criaturas, não devíamos renegá-la, pois ela nos liberta do cansaço da vida, ser nenhum aguentaria a vida pela infinidade. Ela existe como a única certeza que temos na vida, e podemos escolhê-la caso as feridas da vida estejam insuportáveis. Mas não vivemos sozinhos, fazemos parte de um grupo de pessoas que são afetadas pelas nossas escolhas, e que sofrerão muito com a nossa perda. Um dia morreremos, posso morrer amanhã mesmo, e todos sofrerão do mesmo jeito. A morte é inevitável, então por que tenho de suportar a vida pelas pessoas sendo que um dia elas chorarão em meu caixão independente da minha escolha nesta vida?
Será que no fundo de vossos corações eles estão pensando na dor que sentimos, ou somente na dor que sentirão depois da nossa perda? É egoísmo pensar em si próprio, mas ambos os lados são egoístas de certa forma. Se vivêssemos por mil anos eu teria que suportar a vida por todo esse tempo pelas pessoas, somente para que elas não sofram com a saudade?
Infelizmente ainda penso nas pessoas…
Enfim, não sei mais em que pensar, nunca estive tão mal em minha vida, quero gritar, sumir, desaparecer de algum jeito.
Ando sem forças, cansado de tudo neste mundo. A melhor parte do dia é quando o sono entorpece a consciência e mergulho no vazio, e mesmo os sonhos não estão valendo apena, a anátema da minha vida está se refletindo no mundo onírico da utopia dos meus sonhos, como se a realidade já não bastasse…
Preciso desabafar com alguém, mas ninguém pode ouvir essas palavras como a página cinza deste blog, um lugar que era pra postar contos e poesias está se transformando em reminiscências de um homem morto por dentro. Códigos que se complementam para formar uma página é o que possuo para desabafar sinceramente, deixando minhas palavras vagando pelo silêncio sem resposta, falando comigo mesmo e relendo a mim mesmo…
Eu mudei, infelizmente mudei pra pior. Por conta disso minha relação com as minhas amizades se distanciam cada vez mais, alguns amigos já nem posso chamá-los de amigos, me sinto anos-luz distante dos meus familiares; não posso contar com eles, pois só vou piorar as coisas pra todos, então o que sobra é isso aqui… Mas tudo bem, pra quem sempre se contentou com o mínimo da vida, já está de bom grado, ou é somente a carência gritando dentro de mim argumentando que preciso de atenção…
Isolei-me de todos à minha volta, pois, por mais pessoas que estejam ao meu lado, me sinto longe, vivendo numa bolha que me afasta desta realidade. A única coisa real que possuo é o presente, e este é tudo aquilo que não queria. O passado distante/recente é lembrado como escapismo, mas isto apenas machuca mais ainda, pois estou vivendo da ilusão de algo que não existe mais. Não sei o que fazer pra mudar, agir não ajuda, quando não apenas piora, fazer coisas não ajuda, trabalhar, estudar, nada disso ajuda. Tenho algum problema por não conseguir exercer essas funções sociais sem que o mesmo me debilite mais ainda. Estou doente, e esta sou eu, a doença de não querer viver. Sou a náusea deste mundo, vagando errante, vestindo a máscara da felicidade, sorrindo para aqueles que me amam para não sugar a energia de vossas vidas. Sou o câncer que abriu a ferida infeccionada, e a agora o pus escorre pela minha realidade e me afogo em meio ao mar pútrido de mim mesmo.
Estou com medo, medo de não aguentar mais e causar um inferno na vida daqueles que ainda contam comigo. Preciso de forças, mas não sei mais de onde tirá-las, preciso seguir em frente, mas a cada passo dado dou dois para trás. A pressão da vida está me empurrando contra a parede, preciso sair e exercer minhas funções como cidadão, não posso viver mais embaixo das asas de minha mãe, mas eu não consigo, é tão difícil, essas coisas pioram mais ainda e colaboram para a vontade de sumir daqui. Estou com medo, medo, medo, medo de viver.
Já não tenho mais palavras para expressar o que sinto, e mais um texto gótico, cheio de tristeza, é postado no cemitério dos meus pensamentos, onde todos os dias venho relê-los para conversar comigo mesmo…
Preciso desabafar com alguém, mas ninguém pode ouvir essas palavras como a página cinza deste blog, um lugar que era pra postar contos e poesias está se transformando em reminiscências de um homem morto por dentro. Códigos que se complementam para formar uma página é o que possuo para desabafar sinceramente, deixando minhas palavras vagando pelo silêncio sem resposta, falando comigo mesmo e relendo a mim mesmo…
Eu mudei, infelizmente mudei pra pior. Por conta disso minha relação com as minhas amizades se distanciam cada vez mais, alguns amigos já nem posso chamá-los de amigos, me sinto anos-luz distante dos meus familiares; não posso contar com eles, pois só vou piorar as coisas pra todos, então o que sobra é isso aqui… Mas tudo bem, pra quem sempre se contentou com o mínimo da vida, já está de bom grado, ou é somente a carência gritando dentro de mim argumentando que preciso de atenção…
Isolei-me de todos à minha volta, pois, por mais pessoas que estejam ao meu lado, me sinto longe, vivendo numa bolha que me afasta desta realidade. A única coisa real que possuo é o presente, e este é tudo aquilo que não queria. O passado distante/recente é lembrado como escapismo, mas isto apenas machuca mais ainda, pois estou vivendo da ilusão de algo que não existe mais. Não sei o que fazer pra mudar, agir não ajuda, quando não apenas piora, fazer coisas não ajuda, trabalhar, estudar, nada disso ajuda. Tenho algum problema por não conseguir exercer essas funções sociais sem que o mesmo me debilite mais ainda. Estou doente, e esta sou eu, a doença de não querer viver. Sou a náusea deste mundo, vagando errante, vestindo a máscara da felicidade, sorrindo para aqueles que me amam para não sugar a energia de vossas vidas. Sou o câncer que abriu a ferida infeccionada, e a agora o pus escorre pela minha realidade e me afogo em meio ao mar pútrido de mim mesmo.
Estou com medo, medo de não aguentar mais e causar um inferno na vida daqueles que ainda contam comigo. Preciso de forças, mas não sei mais de onde tirá-las, preciso seguir em frente, mas a cada passo dado dou dois para trás. A pressão da vida está me empurrando contra a parede, preciso sair e exercer minhas funções como cidadão, não posso viver mais embaixo das asas de minha mãe, mas eu não consigo, é tão difícil, essas coisas pioram mais ainda e colaboram para a vontade de sumir daqui. Estou com medo, medo, medo, medo de viver.
Já não tenho mais palavras para expressar o que sinto, e mais um texto gótico, cheio de tristeza, é postado no cemitério dos meus pensamentos, onde todos os dias venho relê-los para conversar comigo mesmo…
Das sombras recônditas da substância primordial,
E dos fluídicos plasmáticos do espaço sideral,
Fomos paridos pelo útero desconhecido do não-ser.
Fetos prematuros em evolução,
Ligados pelo fio vital da unidade cósmica em expansão
E na frágil e mutável matéria orgânica biológica.
Evoluiu a consciência questionadora,
Na seleção natural das espécies sofredoras,
Anunciando ao cosmo, através da dialética filosófica,
A existência objetiva das formas fenomênicas.
E da escuridão do cósmico segredo,
O universo trilhou rumo ao encontro de si mesmo.
A grande evolução cosmológica
Que nos une na simbiose congênita melancólica
Criou nós humanos que, como gotas, caímos neste oceano existencial
Formando a sopa funérea do caos
Destruindo os organismo que habitam a biosfera
Fomos confundidos às pústulas que infectam sua própria morada
Ah! Sonho com o dia em que desceremos de nosso trono de mentira
E nos juntarmos igualmente a todos os demais organismos da vida,
Para sermos uma única consciência evolutiva
E como espelhos do próprio universo
Observaremos a nós mesmo panteísticamente
Rumo ao encontro universal de nós mesmos...
E dos fluídicos plasmáticos do espaço sideral,
Fomos paridos pelo útero desconhecido do não-ser.
Fetos prematuros em evolução,
Ligados pelo fio vital da unidade cósmica em expansão
E na frágil e mutável matéria orgânica biológica.
Evoluiu a consciência questionadora,
Na seleção natural das espécies sofredoras,
Anunciando ao cosmo, através da dialética filosófica,
A existência objetiva das formas fenomênicas.
E da escuridão do cósmico segredo,
O universo trilhou rumo ao encontro de si mesmo.
A grande evolução cosmológica
Que nos une na simbiose congênita melancólica
Criou nós humanos que, como gotas, caímos neste oceano existencial
Formando a sopa funérea do caos
Destruindo os organismo que habitam a biosfera
Fomos confundidos às pústulas que infectam sua própria morada
Ah! Sonho com o dia em que desceremos de nosso trono de mentira
E nos juntarmos igualmente a todos os demais organismos da vida,
Para sermos uma única consciência evolutiva
E como espelhos do próprio universo
Observaremos a nós mesmo panteísticamente
Rumo ao encontro universal de nós mesmos...
Dos umbrais das lembranças ocultas, fantasmas de outrora experiências despencam-se como cascata sobre minha existência. A subsistência do passado morto aflora-se sob a pele calafrios nostálgicos carregados de um sentimento tortuoso. A mente conexa intimamente aos mundos das lembranças esquecidas faz do subconsciente um palco para criar experiências teatrais de mundos os quais nunca experimentou. A ilusão lhe prende amarras que o tornam escravo de um mundo que nada mais é que a si mesmo. Então a ilusão se desfaz, e lhe deixa com o gosto amargo na boca, como sinônimo da ausência das coisas que ama, e que na vida material já não existe mais…
Navego errante por estes caminhos espinhosos, vez ou outra encontrando rosas que alegram a vida, mas que machucam os dedos com seus espinhos como se dissessem que não foram feitas para serem colhidas, apenas observadas.
Sou como viajante solitário, com sua mochila sempre feita para partir, seguindo de mãos vazias e coração confiante, levando comigo somente o que julgo ser importante. E em cada esquina da vida onde encontro um ser especial, carrego comigo ínfimos detalhes de sua existência, mesclando assim, minha humilde essência às experiências e ensinamentos que cada ser compartilhou comigo. Sou uma mistura de todos. Sigo divagando pela vida, confundindo a vida com a realidade onírica, perdido em meio aos caminhos infinito do universo, sentindo saudade de um lugar que desconheço, sentindo saudade de experiências que não vivi, sentindo saudade de um mundo o qual não existi… Minhas fontes de alegria e sofrimento sempre foram colhidas de fontes diferentes dos outros, pois minha vontade não mora nesta vida, e sim na paz que dormem os mortos, ou na inexistência dos não-nascidos.
Pois que não se apeguem uns aos outros, estamos todos de partidas, de mochilas feitas rumo ao desconhecido…
De volta aos sonhos reencontro meus queridos amigos, todos sorrindo e de mochilas desfeitas, esperando que eu expire para descansar junto deles no memorial da existência e ser confundido à morte no desconhecido mundo das lembranças…
“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais. “
Fernando Pessoa
Navego errante por estes caminhos espinhosos, vez ou outra encontrando rosas que alegram a vida, mas que machucam os dedos com seus espinhos como se dissessem que não foram feitas para serem colhidas, apenas observadas.
Sou como viajante solitário, com sua mochila sempre feita para partir, seguindo de mãos vazias e coração confiante, levando comigo somente o que julgo ser importante. E em cada esquina da vida onde encontro um ser especial, carrego comigo ínfimos detalhes de sua existência, mesclando assim, minha humilde essência às experiências e ensinamentos que cada ser compartilhou comigo. Sou uma mistura de todos. Sigo divagando pela vida, confundindo a vida com a realidade onírica, perdido em meio aos caminhos infinito do universo, sentindo saudade de um lugar que desconheço, sentindo saudade de experiências que não vivi, sentindo saudade de um mundo o qual não existi… Minhas fontes de alegria e sofrimento sempre foram colhidas de fontes diferentes dos outros, pois minha vontade não mora nesta vida, e sim na paz que dormem os mortos, ou na inexistência dos não-nascidos.
Pois que não se apeguem uns aos outros, estamos todos de partidas, de mochilas feitas rumo ao desconhecido…
De volta aos sonhos reencontro meus queridos amigos, todos sorrindo e de mochilas desfeitas, esperando que eu expire para descansar junto deles no memorial da existência e ser confundido à morte no desconhecido mundo das lembranças…
“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais. “
Fernando Pessoa
Sob a luz do plenilúnio,
Na companhia dos defuntos
Que jaziam inertes nas telúricas tumbas,
Foi tomando por uma visão profunda,
E vi, pelos olhos vermiculares,
A decomposição da carne humana.
Pude sentir, no silêncio das sepulturas,
A putrefação das células moribundas,
E os eflúvios pútridos do que antes era redolência.
Quis compreender os propósitos desta mecânica nefasta,
E encontrei somente, em meio ao humos, a bílis amarelada
Vazando pelo túneis feitos pelos vermes.
Engulhado pela putrescência de meu destino,
Implorei para voltar ao mundo dos vivos,
Mas recebi somente o silêncio como resposta.
A agonia tomou-me por completo,
Quis correr mas não tinha pernas
E então notei, fitando a escuridão,
Que era meu corpo a refeição dos vermes.
Como se já não bastasse às nódoas da vida,
E nosso funesto destino sem saída,
Eu sentia a ânsia dos vermes e a dor da podridão.
Por meses fiquei a companhia dos seres inóspitos,
Sentido-os entrarem pelos meus olhos
E saírem pela boca.
Morte, semeadora dos defuntos,
Sempre chegando pelas portas dos fundos,
Levastes até mesmo os vermes que me faziam companhia.
Na frialdade dos ossos, choro, procuro uma saída,
Na solidão da natureza morta,
Tive um déjà vu, e senti como se já tivesse passado por esta vida.
Aquilo me apavorou e clamei a Deus por ajuda
Entendendo o que todos sempre disseram:
Que no fim de toda esperança, a Deus recorremos às súplicas.
Não sei se fora coincidência, ou milagre da divindade,
Pois acordei no banheiro de casa
Segurando nas mãos uma navalha
E as cartas que seriam para o meu suicídio…
Na companhia dos defuntos
Que jaziam inertes nas telúricas tumbas,
Foi tomando por uma visão profunda,
E vi, pelos olhos vermiculares,
A decomposição da carne humana.
Pude sentir, no silêncio das sepulturas,
A putrefação das células moribundas,
E os eflúvios pútridos do que antes era redolência.
Quis compreender os propósitos desta mecânica nefasta,
E encontrei somente, em meio ao humos, a bílis amarelada
Vazando pelo túneis feitos pelos vermes.
Engulhado pela putrescência de meu destino,
Implorei para voltar ao mundo dos vivos,
Mas recebi somente o silêncio como resposta.
A agonia tomou-me por completo,
Quis correr mas não tinha pernas
E então notei, fitando a escuridão,
Que era meu corpo a refeição dos vermes.
Como se já não bastasse às nódoas da vida,
E nosso funesto destino sem saída,
Eu sentia a ânsia dos vermes e a dor da podridão.
Por meses fiquei a companhia dos seres inóspitos,
Sentido-os entrarem pelos meus olhos
E saírem pela boca.
Morte, semeadora dos defuntos,
Sempre chegando pelas portas dos fundos,
Levastes até mesmo os vermes que me faziam companhia.
Na frialdade dos ossos, choro, procuro uma saída,
Na solidão da natureza morta,
Tive um déjà vu, e senti como se já tivesse passado por esta vida.
Aquilo me apavorou e clamei a Deus por ajuda
Entendendo o que todos sempre disseram:
Que no fim de toda esperança, a Deus recorremos às súplicas.
Não sei se fora coincidência, ou milagre da divindade,
Pois acordei no banheiro de casa
Segurando nas mãos uma navalha
E as cartas que seriam para o meu suicídio…
Enclausurada em seu quarto, sob a dor de sua própria existência sufocante, ela traça o primeiro corte na coxa. O líquido rubro brota paciente da carne ferida, escorrendo pelo chão, formando aos poucos, uma poça de alívio seguida de uma sensação libertadora. O vício de cada dia que nos dai hoje, entre a dor e sangue, que deixam nódoa escarlates conduzida pelas feridas abertas.
A dor cortante lhe envolve e faz seu corpo tremer e suar frio logo após o segundo corte, este que agora, mais profundo, ainda com a faca mesclada à sua matéria, em meio ao sangue que escorre quente, nada sente além da dor aguda; sem conforto, sem alívio, apenas a ausência da dor de ter que existir afogada na dor física dos cortes. Seus olhos se enchem d'água e os lábios tremem de dor apertando-se um no outro enquanto traça o terceiro corte, sempre aprofundando cada vez mais, como quem quisesse caçar demônios a fim de exorcizá-los à facadas. O chão do quarto se torna rubro. Ela encara o reflexo de sua face no líquido quente e pegajoso, deixando cair lágrimas salgadas que se misturam no escarlate fervente do sangue.
Ela quer parar; quer se limpar de toda aquela sujeira; esquecer a porra do estado lastimável em que se afundou, mas, novamente, como um imã que atrai o aço, a dor interior sussurra diabolicamente em sua mente fazendo-a mergulhar a faca na outra coxa... Dor. Somente a dor é real. A sensação de liberdade parece se distanciar, correndo para longe no horizonte, entre as cores do crepúsculo que anuncia à noite, perdendo-se na escuridão. Trevas engolem sua existência nefanda, junto a dor física que intensifica ainda mais os sentimentos que lhe roubam o brilho dos olhos. Um caminho sem volta, uma rua sem saída, de frente para o abismo. Para onde fora a liberdade?
Como um viciado em cocaína, que logo após o consumo a depressão lhe consome, fazendo-o desejar outra quantidade maior, ela rasgou profundamente um dos pulsos a fim de buscar a liberdade que sentira no primeiro corte. O sangue espirra pelo quarto. Ela se desespera. O medo lhe consome. Seus olhos se ofuscam como penumbra. A angustia parece não ter mais fim, como se ela já estivesse morta, e tendo de suportar o inferno de sua existência pela eternidade. Ela corta o outro pulso, rompendo os nervos e veias, jorrando sangue em sua face. Ela abafa os gritos com o travesseiro. Onde está a liberdade?
Logo seu corpo é envolvido pela sensação de formigamento, dormência, mas ainda assim o sofrimento lhe assola por dentro. A poça de sangue cobre todo o chão do quarto, suas vestes encharcadas pelo líquido rubro pesam pegajosamente em seu corpo. Cansada, se sentindo zonza, mas consciente, ela segura o cabo da faca, olha firmemente para o mesmo e sorri sarcasticamente. Aos poucos, a sensação de liberdade parece voltar para os seus braços paulatinamente. Não há mais volta, ela encarou o abismo e este olhou de volta para dentro dela, e juntos tornaram-se um só. Com dificuldade, ela leva a faca até o pescoço, sorrindo, e traça sua linha final, junto à linha final de sua vida. Caindo no abismo...
***
A noite fria se esvai, assim como sangue do corpo da jovem garota. O sol desponta no horizonte além, trazendo consigo a mais pura e almejada liberdade que os pássaros usufruem para voarem livremente, assim como a morte que a levou para bater suas asas na paz que descansa os mortos...
A dor cortante lhe envolve e faz seu corpo tremer e suar frio logo após o segundo corte, este que agora, mais profundo, ainda com a faca mesclada à sua matéria, em meio ao sangue que escorre quente, nada sente além da dor aguda; sem conforto, sem alívio, apenas a ausência da dor de ter que existir afogada na dor física dos cortes. Seus olhos se enchem d'água e os lábios tremem de dor apertando-se um no outro enquanto traça o terceiro corte, sempre aprofundando cada vez mais, como quem quisesse caçar demônios a fim de exorcizá-los à facadas. O chão do quarto se torna rubro. Ela encara o reflexo de sua face no líquido quente e pegajoso, deixando cair lágrimas salgadas que se misturam no escarlate fervente do sangue.
Ela quer parar; quer se limpar de toda aquela sujeira; esquecer a porra do estado lastimável em que se afundou, mas, novamente, como um imã que atrai o aço, a dor interior sussurra diabolicamente em sua mente fazendo-a mergulhar a faca na outra coxa... Dor. Somente a dor é real. A sensação de liberdade parece se distanciar, correndo para longe no horizonte, entre as cores do crepúsculo que anuncia à noite, perdendo-se na escuridão. Trevas engolem sua existência nefanda, junto a dor física que intensifica ainda mais os sentimentos que lhe roubam o brilho dos olhos. Um caminho sem volta, uma rua sem saída, de frente para o abismo. Para onde fora a liberdade?
Como um viciado em cocaína, que logo após o consumo a depressão lhe consome, fazendo-o desejar outra quantidade maior, ela rasgou profundamente um dos pulsos a fim de buscar a liberdade que sentira no primeiro corte. O sangue espirra pelo quarto. Ela se desespera. O medo lhe consome. Seus olhos se ofuscam como penumbra. A angustia parece não ter mais fim, como se ela já estivesse morta, e tendo de suportar o inferno de sua existência pela eternidade. Ela corta o outro pulso, rompendo os nervos e veias, jorrando sangue em sua face. Ela abafa os gritos com o travesseiro. Onde está a liberdade?
Logo seu corpo é envolvido pela sensação de formigamento, dormência, mas ainda assim o sofrimento lhe assola por dentro. A poça de sangue cobre todo o chão do quarto, suas vestes encharcadas pelo líquido rubro pesam pegajosamente em seu corpo. Cansada, se sentindo zonza, mas consciente, ela segura o cabo da faca, olha firmemente para o mesmo e sorri sarcasticamente. Aos poucos, a sensação de liberdade parece voltar para os seus braços paulatinamente. Não há mais volta, ela encarou o abismo e este olhou de volta para dentro dela, e juntos tornaram-se um só. Com dificuldade, ela leva a faca até o pescoço, sorrindo, e traça sua linha final, junto à linha final de sua vida. Caindo no abismo...
***
A noite fria se esvai, assim como sangue do corpo da jovem garota. O sol desponta no horizonte além, trazendo consigo a mais pura e almejada liberdade que os pássaros usufruem para voarem livremente, assim como a morte que a levou para bater suas asas na paz que descansa os mortos...
A madrugada se aproxima silenciosa, fria, assim como o seu coração que congelara há muito. O vento gélido sopra na janela, uivando cânticos melancólicos. Você está sozinho com seus pensamentos, isto lhe perturba, e a noite apenas começou... O tempo parece lutar contra você, correndo ao contrário à sua linha futura, fazendo os minutos durarem horas. Você resolve sair pra olhar as estrelas e tentar esquecer um pouco a vida. Minutos se passam. Você se identifica com a poluição que engole as estrelas, ofuscando a refulgência de vossas existências. Assim é a sua vida, uma poluição que intoxica o brilho nos olhos das pessoas que o cercam, causando males e tristeza a quem decide te ajudar.
Uma estrela cadente corta o céu desparecendo na negridão do universo. Você observa toda a natureza com pesar, tamanha beleza ofuscada pela penumbra cinza de um homem sem vida. Seus olhos agora lutam para que as lágrimas não jorrem, pois o desejo de sumir de si mesmo torna-se sufocante. Você busca memórias boas de um tempo distante, tão distante que parece nunca ter existido, a utopia de um mundo lindo perdido no limbo do inconsciente. Pra onde fora a criança feliz quem um dia habitou vossa carcaça biológica? Que tinha o brilho da vida nos olhos e amava a redolência das rosas que um dia tanto apreciou? Todos... todos perdidos, caindo no vazio abissal de seu ser.
O frio parece aumentar, as finas penugens do rosto se eriçam lentamente, agulhadas são fincadas em sua carne enrijecida pela friagem cortante. Você não se incomoda, pois se tornou o próprio frio...
Você volta para seu quarto, o lugar onde passa a maior parte de seu tempo, sua carapaça que te faz sentir seguro, longe da hostilidade de um mundo sem salvação. O luto abre portas ao escuro e a inércia, a vontade de nada fazer lhe consome por completo. Pensar demais o leva a enxergar sua condição miserável como ser. Você tenta afastar os pensamentos, mas eles já cravaram em sua alma, são partes que se complementam para dar forma àquilo que você chama de existência... “Como cheguei a tal estado” você pensa. Nem mesmo se lembra, tal estado de inércia parece lhe dar a sensação de que sempre fora assim, a percepção de um mundo lindo se fora há muito, talvez nunca tenha existido, e o passado somente seja um sonho que lhe assombra todas as noites. "Como um homem que possui tudo na vida pode ser tão vazio, frio e indiferente?" Você não sabe, talvez seja o mundo, ou você, provavelmente as duas coisas...
A dor lhe corta o ser, despedaçando a essência do que um dia você chamou de vida, mas você não se importa, pois se tornou a própria dor...
Você se deita na cama, fitando o que parece ser o teto, mas sua visão está longe de toda existência, na busca pela paz profunda que reina no seio do nada. Seus lábios tremem de dor e os olhos se enchem d'água. Agora a represa que continha os pensamentos fora rompida e o pesadelo do qual não pode acordar parece não ter fim. Uma pequena lágrima rola pelo canto esquerdo do rosto, trazendo consigo outras milhares que jorram torrencialmente. Chore, afogue-se em no seu mar morto, pois nada mais tens a fazer do que esperar a infinidade da noite terminar para assim repetir o filme de cada dia. Aproveite enquanto possui lágrimas para lamuriar-se, pois logo eis que a fonte secará. Você se tornou tão infeliz que pra passar o tempo, você chora....
Você pensa na morte, e a imagina acalentando-o em seus braços invisíveis, para trazeres a paz que não encontra neste lugar. Um sorriso brota em sua face, talvez o sorriso mais sincero que é capaz de ostentar nos últimos tempos. Você ri e espera, se matando todos os dias...
"O tempo está passando, a hora está chegando, e finalmente poderei me juntar às estrelas e ao céu, e no nada serei o Tudo..."
Uma estrela cadente corta o céu desparecendo na negridão do universo. Você observa toda a natureza com pesar, tamanha beleza ofuscada pela penumbra cinza de um homem sem vida. Seus olhos agora lutam para que as lágrimas não jorrem, pois o desejo de sumir de si mesmo torna-se sufocante. Você busca memórias boas de um tempo distante, tão distante que parece nunca ter existido, a utopia de um mundo lindo perdido no limbo do inconsciente. Pra onde fora a criança feliz quem um dia habitou vossa carcaça biológica? Que tinha o brilho da vida nos olhos e amava a redolência das rosas que um dia tanto apreciou? Todos... todos perdidos, caindo no vazio abissal de seu ser.
O frio parece aumentar, as finas penugens do rosto se eriçam lentamente, agulhadas são fincadas em sua carne enrijecida pela friagem cortante. Você não se incomoda, pois se tornou o próprio frio...
Você volta para seu quarto, o lugar onde passa a maior parte de seu tempo, sua carapaça que te faz sentir seguro, longe da hostilidade de um mundo sem salvação. O luto abre portas ao escuro e a inércia, a vontade de nada fazer lhe consome por completo. Pensar demais o leva a enxergar sua condição miserável como ser. Você tenta afastar os pensamentos, mas eles já cravaram em sua alma, são partes que se complementam para dar forma àquilo que você chama de existência... “Como cheguei a tal estado” você pensa. Nem mesmo se lembra, tal estado de inércia parece lhe dar a sensação de que sempre fora assim, a percepção de um mundo lindo se fora há muito, talvez nunca tenha existido, e o passado somente seja um sonho que lhe assombra todas as noites. "Como um homem que possui tudo na vida pode ser tão vazio, frio e indiferente?" Você não sabe, talvez seja o mundo, ou você, provavelmente as duas coisas...
A dor lhe corta o ser, despedaçando a essência do que um dia você chamou de vida, mas você não se importa, pois se tornou a própria dor...
Você se deita na cama, fitando o que parece ser o teto, mas sua visão está longe de toda existência, na busca pela paz profunda que reina no seio do nada. Seus lábios tremem de dor e os olhos se enchem d'água. Agora a represa que continha os pensamentos fora rompida e o pesadelo do qual não pode acordar parece não ter fim. Uma pequena lágrima rola pelo canto esquerdo do rosto, trazendo consigo outras milhares que jorram torrencialmente. Chore, afogue-se em no seu mar morto, pois nada mais tens a fazer do que esperar a infinidade da noite terminar para assim repetir o filme de cada dia. Aproveite enquanto possui lágrimas para lamuriar-se, pois logo eis que a fonte secará. Você se tornou tão infeliz que pra passar o tempo, você chora....
Você pensa na morte, e a imagina acalentando-o em seus braços invisíveis, para trazeres a paz que não encontra neste lugar. Um sorriso brota em sua face, talvez o sorriso mais sincero que é capaz de ostentar nos últimos tempos. Você ri e espera, se matando todos os dias...
"O tempo está passando, a hora está chegando, e finalmente poderei me juntar às estrelas e ao céu, e no nada serei o Tudo..."
Vida odorífera que preenchia os pulmões nos tempos de outrora. És vida malograda, esta que hoje nos apresenta sórdida e indelicada. Tirastes de mim a redolência dos olhos e o sorriso sincero de criança. Penumbra cinza que cobre a face do ser, obscurecendo o policromo das coisas. Obrigações, tédio e sofrimento rebobinando a fita cassete de minha vida como um filme que se repete monotonamente todos os dias. Esfalfando minha vida diária, suportando um presente doloroso pela incerteza do amanhã; um presente que, ironicamente, era o futuro de ontem. Assim trilhamos por áscuas dolorosas, carregando cruzes que não são nossas, rumo ao calvário umbroso da morte.
Onde habitastes a criança feliz que um dia fui? Aquela que tinha o mundo no brilho dos olhos, e tudo era visto como um sonho sublime. Dorme em mim aquela criança?! Talvez perdida no limbo das lembranças, chorando por ter sido esquecida. A inocência que me fora arrancada em troca da sobrevivência, rasgou o véu da refulgência, e perdi meu mundo utópico. Felizes são as crianças por não saberem pelo que as esperam; Na expectativa do vir-a-ser, tomam a ambrosia que as iludem com utopias futuras, na esperança de coisas melhores. Pois se pudessem prever sua árdua batalha vindoura, entenderiam que não estão condenados à morte, e sim à vida...
Onde habitastes a criança feliz que um dia fui? Aquela que tinha o mundo no brilho dos olhos, e tudo era visto como um sonho sublime. Dorme em mim aquela criança?! Talvez perdida no limbo das lembranças, chorando por ter sido esquecida. A inocência que me fora arrancada em troca da sobrevivência, rasgou o véu da refulgência, e perdi meu mundo utópico. Felizes são as crianças por não saberem pelo que as esperam; Na expectativa do vir-a-ser, tomam a ambrosia que as iludem com utopias futuras, na esperança de coisas melhores. Pois se pudessem prever sua árdua batalha vindoura, entenderiam que não estão condenados à morte, e sim à vida...
Ah! Nostalgia, profunda, que revestistes em meu interior espelhos rutilantes que refletem realidades que não existem mais. Mergulhando o ser num poço de melancolia, que te faz triste nos dias de ventura, obscuro nos dias mais claros. Enquanto o presente oportuno escorre por entre os dedos, e a lívida sensação da vida o faz querer morrer com o passado!
Ah! Nostalgia, por que me feres? És a maculada traça das lembranças, que nos tira um sorriso e uma lágrima. Lamuria-se pelas dores que tu causas ou sorria-te ludibriosamente?
Vida que é feita de presente que a toda instante não o é mais, futuro que nunca tocaremos e passado que jamais voltará; Perco-me em pensamentos, perguntando-me - se a única realidade existente é aquilo que não temos. Mas nem por isto quero tiraste a ti de mim, carregastes em teu seio aquilo que chamo de vida, o tênue fio que nos liga ao inexistente mundo das lembranças, e nos faz reviver aquilo que foi bom. E a dor que assola nosso coração provém da existência nobre daquilo que um dia existiu...
És a vida que nos dá os papéis em branco para escrevermos nossa história . A nostalgia nos faz reler com felícia melancólica. E a morte traz o ponto final, assinando com a inexistência, o que de fato faz a existência que o fim é que torna as coisas mais belas...
Ah! Nostalgia, és uma faca de dois gumes cortante como lâminas, mas confortante como o sangue que extirpa das veias do suicida. Ah! Nostalgia, o que tu és na verdade? O demônio das lembranças do passado
ou o anjo que representa aquilo que um dia foi belo?
Ah! Nostalgia, por que me feres? És a maculada traça das lembranças, que nos tira um sorriso e uma lágrima. Lamuria-se pelas dores que tu causas ou sorria-te ludibriosamente?
Vida que é feita de presente que a toda instante não o é mais, futuro que nunca tocaremos e passado que jamais voltará; Perco-me em pensamentos, perguntando-me - se a única realidade existente é aquilo que não temos. Mas nem por isto quero tiraste a ti de mim, carregastes em teu seio aquilo que chamo de vida, o tênue fio que nos liga ao inexistente mundo das lembranças, e nos faz reviver aquilo que foi bom. E a dor que assola nosso coração provém da existência nobre daquilo que um dia existiu...
És a vida que nos dá os papéis em branco para escrevermos nossa história . A nostalgia nos faz reler com felícia melancólica. E a morte traz o ponto final, assinando com a inexistência, o que de fato faz a existência que o fim é que torna as coisas mais belas...
Ah! Nostalgia, és uma faca de dois gumes cortante como lâminas, mas confortante como o sangue que extirpa das veias do suicida. Ah! Nostalgia, o que tu és na verdade? O demônio das lembranças do passado
ou o anjo que representa aquilo que um dia foi belo?
Sob estes galhos de figueira, chego aos limites das dores que me assolam. Cansado dos inexorabilíssimos trabalhos, pergunto-me os motivos, ânsia, de suportar um mundo hostil que apenas nos debilita. Preso a ilusão de felicidade, que me abstém a coragem de buscar um mundo melhor, que flui pelas entranhas do desconhecido. Suportando esta existência miserável, na ilusão de um futuro incerto, que nos faz masoquistas, carregando o fardo de uma realidade funérea sob as cascas de feridas que são abertas a todo instante, e nada mais nos oferecer. O vento me acaricia a face, inexpressiva, mergulhada na profunda melancolia, soprando em meus ouvidos, em cantigas de lamentos, uivando, o adeus à minha existência nefanda. Os pássaros cantam em despedida, tristes, lamentando pela minha existência, talvez, por não compreender as belezas deste mundo. Da vida nada mais quero, somente a paz que repousa os mortos
no seio da morte, mergulhados no esquecimento, os espíritos afortunados pela essência do não-ser, dormem, serenos, na paz da eternidade.
Caminhando por cacos de vidro, abrindo as feridas que foram curadas ontem, sagrando minha existência pelos caminhos da vida, deixando o rastro de sofrimento no escarlate intenso do sangue. Chego ao meu ponto de parada, sorrindo, feliz, por deixar este mundo lúgubre. Me prendo a esperança às correntes da mortes, incerto ao que me espera quando fechar os olhos. Mas à vida já estou habituado, e me agarro à morte desconhecida, pois a esperança brota do desconhecer, sendo a última morrer e nos levando junto dela.
Sentado sob a sombra desta figueira velha, observo a natureza com volúpia, proseando comigo mesmo no silêncio dos sofredores. Deixo a vida que me foi concebida sem meu livre arbítrio, e escolho a morte como um direito de escolha, encerrando minha participação no teatro da vida. És chegada a hora da vida me retirar. Chamo-a Oh, morte, onipresente, me acalente em seus braços, sufoque esta dor no limbo do desconhecido, e leve-me para o mundo daqueles que já se foram, e daqueles que ainda não nasceram, que repousam no seio do nada neste exato momento, então ser-me-ei confundido à morte, aos olhos daqueles que ainda vivem...
no seio da morte, mergulhados no esquecimento, os espíritos afortunados pela essência do não-ser, dormem, serenos, na paz da eternidade.
Caminhando por cacos de vidro, abrindo as feridas que foram curadas ontem, sagrando minha existência pelos caminhos da vida, deixando o rastro de sofrimento no escarlate intenso do sangue. Chego ao meu ponto de parada, sorrindo, feliz, por deixar este mundo lúgubre. Me prendo a esperança às correntes da mortes, incerto ao que me espera quando fechar os olhos. Mas à vida já estou habituado, e me agarro à morte desconhecida, pois a esperança brota do desconhecer, sendo a última morrer e nos levando junto dela.
Sentado sob a sombra desta figueira velha, observo a natureza com volúpia, proseando comigo mesmo no silêncio dos sofredores. Deixo a vida que me foi concebida sem meu livre arbítrio, e escolho a morte como um direito de escolha, encerrando minha participação no teatro da vida. És chegada a hora da vida me retirar. Chamo-a Oh, morte, onipresente, me acalente em seus braços, sufoque esta dor no limbo do desconhecido, e leve-me para o mundo daqueles que já se foram, e daqueles que ainda não nasceram, que repousam no seio do nada neste exato momento, então ser-me-ei confundido à morte, aos olhos daqueles que ainda vivem...
Tão terrível é o ato de lembrar-se dos tempos de outrora, das pessoas maravilhosas que um dia preencheram nossas vidas, que se perdem nos labirintos da mente a todo instante, para que se tornem nada mais do que visões distorcidas de pinturas em quadros velhos os quais não conseguimos enxergar nada além de borrões... O tempo que afasta as lembranças, assim como a realidade onírica, que depois do despertar lembramos apenas de fragmentos desconexos de uma realidade que existiu apenas num instante de piscar de olhos; e quanto mais o tempo escoa na ampulheta da existência, tanto mais próximo ao esquecimento nossas lembranças vão se perdendo. Vida insana que nos faz masoquistas, obrigando-nos a caminhar por trilhas espinhosas, vivendo na esperança de um futuro dúbio, agarrados aos desejos das outrora reminiscências que perdemos, presos aos ínfimos bons momentos daquilo que seria uma partícula de um universo inteiro de sofrimento e tédio. Focando nossa atenção ao trabalho estressante para evitarmos não pensar o porquê fazemos essas atividades desgastantes e sem sentido, para nos tornarmos escravos de pedaços de papeis, mentindo para nós mesmo que amanhã tudo vai ser diferente, que possuímos um propósito; e tudo isso com um único fim... suportar um presente que, ironicamente, era o futuro de ontem. Carregando no âmago sentimentos fantasmagóricos de realidades que não existem mais, enquanto a morte carrega a ampulheta da vida que despenca os grãos de areai como se fossem mundos de possibilidades os quais não tivemos a chance de começar, vidas que não pudemos viver e momentos que não pudemos vivenciar...
Assim é a nossa vida; seguimos vivendo o agora tirando fotografias a todos os instantes e guardando-as na caixinha de lembranças que, por não possuir um lacre, são ofuscadas pela vida conturbada, perdidas pelo tempo, vagando pelo inconsciente.
Cabe a morte a tarefa de nos libertar — mesmo não sabendo o que dela esperar, pois à vida já estamos habituados — e lançar-nos ao seu mundo misterioso o qual todos um dia habitamos e voltaremos a habitar; e quando tal dia chegar, talvez sintamos toda a vida manifestada apenas num instante, e nada mais além de uma ilusão. Uma verdade observada pela mente no momento da morte e, depois de organizado todas as lembranças perdidas e retomadas pela consciência, pode ser a eminência da base de toda sabedoria ou do conhecimento humano, nos revelando que tudo não passou de uma visão, um sonho...
Assim é a nossa vida; seguimos vivendo o agora tirando fotografias a todos os instantes e guardando-as na caixinha de lembranças que, por não possuir um lacre, são ofuscadas pela vida conturbada, perdidas pelo tempo, vagando pelo inconsciente.
Cabe a morte a tarefa de nos libertar — mesmo não sabendo o que dela esperar, pois à vida já estamos habituados — e lançar-nos ao seu mundo misterioso o qual todos um dia habitamos e voltaremos a habitar; e quando tal dia chegar, talvez sintamos toda a vida manifestada apenas num instante, e nada mais além de uma ilusão. Uma verdade observada pela mente no momento da morte e, depois de organizado todas as lembranças perdidas e retomadas pela consciência, pode ser a eminência da base de toda sabedoria ou do conhecimento humano, nos revelando que tudo não passou de uma visão, um sonho...
As estrelas ofuscam a negridão do universo brilhando com o fulgor dos Deuses. Exteriorizo lembranças nestes imensos astros, personificando cada ser em cada estrela. Somente fico a observar um pequeno ponto luminoso em especial, tão distante que não jaz mais neste mar existencial. Somente um fantasma de luz é o que chega até meus olhos; A morte a levou e ainda fico na ilusão de sua existência...
O grande milagre da vida faz meu corpo inteiro estremecer de medo. Um mundo tão indiferente que já não me sinto parte dele, tão incoerente e provocante em seus mistérios insondáveis que me perturba ao ponto de não mais saber o que é real. Sinto o pavor da angustia que devora minha alma aos poucos. Uma mente limitada tentando compreender as maluquices deste oceano universal, que sem saber nadar, me afogo neste mar existencial. Tão terrível sentimento que evoca os mais profundos medos da existência, sufocando sem matar a pobre essência da vida. O horror é refletido para onde quer que olho. O mundo tornou-se um espelho e só o que vejo é meu reflexo apavorado. O medo da vida se torna insuportável a um ponto enlouquecedor. A esperança na morte se esvai lentamente escorrendo por entre meus dedos enquanto a angustia estampa seu sorriso diabólico como sinônimo da minha impotência... (Só quero sumir!)
Meu corpo tornou-se a pior das prisões. O suicídio passa pela cabeça como forma desesperada de escapismo, mas ainda assim sem esperança, pois nas camadas mais profundas de meu ser, uma voz argumenta que estamos apenas ensaiando. (Quero gritar!)
O milagre da vida tornou-se um pesadelo do qual não consigo mais acordar. Grito em agonia para deus com as mãos em símbolo de oração. Mas só o que sinto é o vazio e a angustia de ter que continuar vivendo. Conflitos internos fazem da minha mente um campo de batalha, deixando rastros sanguinolentos de dor no final da guerra, restando apenas uma área desolada em processo de putrescência, e a única coisa viva é o choramingo angustiante dos ventos uivantes. Uma vontade gritante de chorar invade meu corpo sem pedir licença, rompendo a represa de lágrimas que jorram como enxurrada pelas órbitas dos olhos. Encolho-me num cantinho qualquer da vida e fico a assistir meu destino nefando. (Só quero dormir!)
Escondido em meios aos escombros do que ainda resta de mim, empreito a vida com olhos arregalados e temerosos, como uma criança perdida dos pais, esperando que a encontrem... Só quero (...)
Meu corpo tornou-se a pior das prisões. O suicídio passa pela cabeça como forma desesperada de escapismo, mas ainda assim sem esperança, pois nas camadas mais profundas de meu ser, uma voz argumenta que estamos apenas ensaiando. (Quero gritar!)
O milagre da vida tornou-se um pesadelo do qual não consigo mais acordar. Grito em agonia para deus com as mãos em símbolo de oração. Mas só o que sinto é o vazio e a angustia de ter que continuar vivendo. Conflitos internos fazem da minha mente um campo de batalha, deixando rastros sanguinolentos de dor no final da guerra, restando apenas uma área desolada em processo de putrescência, e a única coisa viva é o choramingo angustiante dos ventos uivantes. Uma vontade gritante de chorar invade meu corpo sem pedir licença, rompendo a represa de lágrimas que jorram como enxurrada pelas órbitas dos olhos. Encolho-me num cantinho qualquer da vida e fico a assistir meu destino nefando. (Só quero dormir!)
Escondido em meios aos escombros do que ainda resta de mim, empreito a vida com olhos arregalados e temerosos, como uma criança perdida dos pais, esperando que a encontrem... Só quero (...)
"Se concedessem ao homem uma vida eterna, sentiria tanta repugnância por ela que acabaria desejando a morte, farto da imutabilidade de seu caráter e de seu limitado entendimento. Se exigíssemos a imortalidade perpetuaríamos um erro porque a individualidade não deveria existir, e o verdadeiro fim da vida é livrar-nos dela"
- Arthur Schopenhauer
- Arthur Schopenhauer
Agonia Existencial
Caminhando em meio aquela multidão,
Sufocado pela própria existência,
A vitalidade da vida
Se encarregava de sua sentença.
Um olhar perdido,
Ofuscado pelo vazio,
Arrastando a existência
Na esperança de seu fim.
A angustia de existir.
Misturada ao medo de viver,
A sensação da vida não ter fim
Fez seu corpo de medo estremecer.
A insanidade de existir
Fincando agulhas em seu ser,
Gritando em agonia
A vontade de desaparecer.
Correndo atrás de algo
Vagando errante sem parar,
Esperando que um dia
A morte venha lhe buscar!
Sufocado pela própria existência,
A vitalidade da vida
Se encarregava de sua sentença.
Um olhar perdido,
Ofuscado pelo vazio,
Arrastando a existência
Na esperança de seu fim.
A angustia de existir.
Misturada ao medo de viver,
A sensação da vida não ter fim
Fez seu corpo de medo estremecer.
A insanidade de existir
Fincando agulhas em seu ser,
Gritando em agonia
A vontade de desaparecer.
Correndo atrás de algo
Vagando errante sem parar,
Esperando que um dia
A morte venha lhe buscar!
A Podridão da Alma
A escuridão fria e silenciosa lamuriando em seus ouvidos o silêncio que rompe a represa lúgubre dos teus pensamentos. A esclerótica dos olhos se envermelham, o sono cavalga para longe de ti, e as vozes na sua cabeça quebram o silêncio manifesto pela noite. Demônios com vozes sardônicas, ludibrias, orquestram cânticos melancólicos em sua consciência, afogando tua alma no oceano pútrido de si mesmo. Sua mente se tornou morada das larvas que comem esfomeadamente a carne imaterial de sua alma, deixando o rastro fétido de sangue na essência morta de teu ser. A putrescência de sua alma exala o odor da decomposição da vida, o augúrio anuncia a pestilência que infecta cada canto de seu ser, vazando pelos olhos em forma de lágrimas cristalinas. O sono lhe estende as mãos, e a consciência pútrida mergulha suavemente nos pesadelos de teus sonhos. A realidade morta de sua vida reflete no mundo onírico a desesperança amarga de seu destino. A inexistência se torna um sonho distante, o sono profundo se torna raso, a vida se torna a podridão da alma e a morte seu estado eterno de espírito...
Tédio e Sofrimento
A vida é uma chuva ácida que despenca sobre nós, realçando o sol ínfimas vezes ao dia; oscilando como um pêndulo entre o tédio e sofrimento. Quando não estamos sofrendo estamos entediados. E no meio disso tudo, ínfimos momentos de felicidade passam por nós como fantasmas que desaparecem como se nunca tivessem existido...
Sonhos de Outrora
Nos sonhos de outrora despertamos a melancolia onírica com beijos nas lembranças nostálgicas que dormem no passado morto sob o véu da morte. Mundos se afloram sob moléculas do corpo, revivendo a ilusão nobre de realidades que há muito se dissiparam por entre as linhas do tempo. Minha realidade se tornou uma quimera incognoscível que liquefaz o encéfalo, deixando-me à companhia latente da enxaqueca. Sensações desconhecidas pulsam pelos labirintos de meus nervos cerebrais, ostentando na refulgência de meu olhos o sinônimo de uma criança perdia e temerosa. Acorrentado pela pusilanimidade de meu ser, apenas empreito a vida nas garras do incisivo desejo de desaparecer.
Ah! Sonho com o dia em que o mundo seguirá seu rumo sem minha percepção deficiente para adorná-lo com falácias e escárnios que só existem dentro de mim. Tornei-me em trevas quando meus olhos viram a inocência se perder pelos horizontes escuros e profundos de meu ser. Neste pélago lamacento de mim mesmo, tento tento fitar a luz que brilha no fim do túnel, mas não consigo, e meus olhos passam a dor mais que na escuridão em que passo todos os meus dias...
Sinto no meio peito ânsias profundas que diluem a vontade de vida, mergulhando-me no pântano pútrido de mim mesmo, acompanhado dos vermes que comem a essência pura do que ainda resta da criança nobre que um dia fui. Não dói-me pensar na morte misteriosa; dói-me profundamente ver os pássaros cantarem e não conseguir apreciá-los; dói-me ver as paisagens preenchidas de preto e branco; dói-me estar morto para a vida e saber que além dos arames farpados de minha realidade, o mundo trilha lindamente...
Longe das sombras aurorais das manhãs calorentas, escondido por trás do sorriso mentiro que ostento, fico à minha própria sorte, preso no labirinto de mim mesmo, nas noites aterradoras de meus pesadelos.
Ah! Sonho com o dia em que o mundo seguirá seu rumo sem minha percepção deficiente para adorná-lo com falácias e escárnios que só existem dentro de mim. Tornei-me em trevas quando meus olhos viram a inocência se perder pelos horizontes escuros e profundos de meu ser. Neste pélago lamacento de mim mesmo, tento tento fitar a luz que brilha no fim do túnel, mas não consigo, e meus olhos passam a dor mais que na escuridão em que passo todos os meus dias...
Sinto no meio peito ânsias profundas que diluem a vontade de vida, mergulhando-me no pântano pútrido de mim mesmo, acompanhado dos vermes que comem a essência pura do que ainda resta da criança nobre que um dia fui. Não dói-me pensar na morte misteriosa; dói-me profundamente ver os pássaros cantarem e não conseguir apreciá-los; dói-me ver as paisagens preenchidas de preto e branco; dói-me estar morto para a vida e saber que além dos arames farpados de minha realidade, o mundo trilha lindamente...
Longe das sombras aurorais das manhãs calorentas, escondido por trás do sorriso mentiro que ostento, fico à minha própria sorte, preso no labirinto de mim mesmo, nas noites aterradoras de meus pesadelos.
Da Última Lágrima Cálida
Da última lágrima cálida que escorreu pela minha face, brilhou o fulgor da vida junta à vivacidade que havia desaparecido no meu corpo, este que agora a morte se encarregava de ceifar. Das profundezas abissais do vazio de minha existência, aflorou-se os segredos da vida no momento em que a morte me tirava de cena, mostrando-me nos últimos instantes em que expirava à vida, o que realmente significava viver. Então entendi; Morte sempre fora a vida que logrei, e vida, conheci somente no instante em que expirei...
A Paz dos Mortos
Um corpo inerte pela melancolia cortante, afundando no ócio da desesperança latente, gritando em silêncio aterrador a nevrose fúnebre que despedaça o pensador na angustia de ter que se arrastar a prosseguir. A coragem que me falta faz de mim um árduo sofredor, carregando esta cruz infernal pelas pessoas que me amam e sendo forçado a viver pelos outros. Maldita empatia que me toma, afasta o egoísmo para longe, e somente fico a sonhar com o dia derradeiro em que a morte me cobrirá com seu manto.
O que é a felicidade, esta que todos tanto almejam, lutam e matam para obtê-la? Há muito já não sei seu significado, talvez nem mesmo a tenha sentido de verdade, com exceção de ínfimos prazeres passageiros que somem no passado como se nunca tivessem existido.
A negridão da noite é o que me conforta, onde, através do cantar dos corvos, a sinfonia lúgubre dos carniceiros da morte, traz-me um pouco da paz em que repousa os mortos. Vida estranha esta minha que segue por áscuas dolorosas; sentir-se vivo somente no descansar do sono profundo, sentir morto enquanto a vida radia lá fora. Olho para as lápides dos que deixaram de sofrer, esquecidos na escuridão telúrica do não-ser, sob a companhia operária dos seres vermiculares, que comem suas carnes na ânsia sôfrega da natureza morte; e sorrio para mim mesmo, fitando o plenilúnio que me observa silenciosamente, divagando minha imaginação pelo dia em que serei esquecido no silêncio misterioso da inexistência.
Guardemos nossas orações para os que estão vivos, pois os mortos jazem vãos adormecidos na escuridão profunda das sepulturas. E quando, à tarde, no cair do crepúsculo que anuncia a noite, lembrai-vos dos que são vivos, sofredores que correm contra ao tempo e vagam perdidos na mesquinhez dos desejos mundanos e supérfluos. Meditem, então, na paz dos que já não-são, e verás, talvez, como é suave o sono daqueles que deixaram de sofrer...
O que é a felicidade, esta que todos tanto almejam, lutam e matam para obtê-la? Há muito já não sei seu significado, talvez nem mesmo a tenha sentido de verdade, com exceção de ínfimos prazeres passageiros que somem no passado como se nunca tivessem existido.
A negridão da noite é o que me conforta, onde, através do cantar dos corvos, a sinfonia lúgubre dos carniceiros da morte, traz-me um pouco da paz em que repousa os mortos. Vida estranha esta minha que segue por áscuas dolorosas; sentir-se vivo somente no descansar do sono profundo, sentir morto enquanto a vida radia lá fora. Olho para as lápides dos que deixaram de sofrer, esquecidos na escuridão telúrica do não-ser, sob a companhia operária dos seres vermiculares, que comem suas carnes na ânsia sôfrega da natureza morte; e sorrio para mim mesmo, fitando o plenilúnio que me observa silenciosamente, divagando minha imaginação pelo dia em que serei esquecido no silêncio misterioso da inexistência.
Guardemos nossas orações para os que estão vivos, pois os mortos jazem vãos adormecidos na escuridão profunda das sepulturas. E quando, à tarde, no cair do crepúsculo que anuncia a noite, lembrai-vos dos que são vivos, sofredores que correm contra ao tempo e vagam perdidos na mesquinhez dos desejos mundanos e supérfluos. Meditem, então, na paz dos que já não-são, e verás, talvez, como é suave o sono daqueles que deixaram de sofrer...
Desejo de Expirar-me
Macilento pântano das ideias gastas,
Movem-se invisíveis pelo encéfalo, donte,
Pelas linhas do pensamentos da matéria nefasta,
Para dar forma a minha realidade dolente.
Mergulhado na melancolia poética
Em que todos os espíritos filosóficos se afogam
Na realidade nefanda das angustias da reflexão,
Nódoas tatuam nos olhos o brilho da profunda solidão
Nos recônditos infinitos de meu ser,
Esconde-se a verdade de todas as substâncias,
Em cada molécula de minha matéria finita,
Sou o panteísmo que se funde a todas as coisas viventes.
Ah! Profundo desejo de expirar-me,
Desvanecer-me da mesquinhez que se preocupam os vivos,
E voltar ao infinito reino dos que já foram,
Para dormir no berço dos que ainda virão!
Movem-se invisíveis pelo encéfalo, donte,
Pelas linhas do pensamentos da matéria nefasta,
Para dar forma a minha realidade dolente.
Mergulhado na melancolia poética
Em que todos os espíritos filosóficos se afogam
Na realidade nefanda das angustias da reflexão,
Nódoas tatuam nos olhos o brilho da profunda solidão
Nos recônditos infinitos de meu ser,
Esconde-se a verdade de todas as substâncias,
Em cada molécula de minha matéria finita,
Sou o panteísmo que se funde a todas as coisas viventes.
Ah! Profundo desejo de expirar-me,
Desvanecer-me da mesquinhez que se preocupam os vivos,
E voltar ao infinito reino dos que já foram,
Para dormir no berço dos que ainda virão!
Vívidas Lembranças
Vívidas lembranças que me confortam,
Lembranças vívidas que me assolam.
O passado morto, como uma fantasma,
Assombra-me às madrugadas ludibriosas,
Lamuriando canções melancólicas,
Através do silêncio que me apavora.
A triste canção das memórias vividas
Orquestram no encéfalo dolorido
O augúrio memorial das chagas ubíquas,
Deixando-me de companhia,
Na frialdade cruel da vida,
Somente os espólios da melancolia!
Sôfrego e ávido caminho persigo,
Noites estranho do dia a dia convivo.
Carregando nas costas estigmas do passado,
Derramando a tristeza em lágrimas escarlates,
Suportando a mais terrível das dores da vida,
Esta...
A que todos chamam de Nostalgia...
Lembranças vívidas que me assolam.
O passado morto, como uma fantasma,
Assombra-me às madrugadas ludibriosas,
Lamuriando canções melancólicas,
Através do silêncio que me apavora.
A triste canção das memórias vividas
Orquestram no encéfalo dolorido
O augúrio memorial das chagas ubíquas,
Deixando-me de companhia,
Na frialdade cruel da vida,
Somente os espólios da melancolia!
Sôfrego e ávido caminho persigo,
Noites estranho do dia a dia convivo.
Carregando nas costas estigmas do passado,
Derramando a tristeza em lágrimas escarlates,
Suportando a mais terrível das dores da vida,
Esta...
A que todos chamam de Nostalgia...
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